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quarta-feira, 10 de março de 2010






A FRUSTRAÇÃO


Tenho as respostas
A todas as tuas dúvidas.
Só não sei
Quais são as tuas dúvidas.
Tenho a certeza
De corresponder a todos os teus anseios.
Só não sei quais são os teus anseios.
Tenho todas as palavras certas
Para preencher os teus silêncios.
Só não consigo ouvir os teus silêncios.
Tenho as cores todas
Com que se pintam os sonhos.
Só não sei dos teus sonhos que é preciso pintar.
Tenho a paz que amansará
Todas as tuas revoltas.
Só não sei do teu tempo das revoltas.
Tenho os antídotos todos
Para todas as tuas dores.
Só não sei se te queres tratar.
Sei das soluções para as tuas crises.
Só não sei se acreditas que tens crises.
Tenho tudo para ti.
Só não sei se tu existes.

Estou a falar de ti, Povo.
Eu faço parte integrante de ti.
Acredita, de fonte segura,
que ainda não fui atacado pela amnésia,
quase colectiva, que te corrói
e apenas te deixa continuar a não acreditar em mim.
E é pena.
Vou continuar a falar-te e a falar de ti.
Só não sei do prazo da tua surdez artificial.
Restam-me as lágrimas
Que nunca te darei.


Fernando Tavares Marques

segunda-feira, 1 de março de 2010




8 de Março Dia Internacional da Mulher


No dia 8 de Março do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas por dia para 10 horas. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". Em 1977, as Nações Unidas proclamam o dia 8 de Março como o:

Dia Internacional dos Direitos da Mulher e daPaz.



Como era antes do 25 de Abril de 1974 . Para que a memória não seja curta


O retrato da mulher durante o Estado Novo



A constituição de 1933, que era a constituição que vigorava antes da Revolução de 25 de Abril de 1974, não estabelecia efectivamente o princípio da igualdade, pelo menos material. Formalmente estabelecia o princípio da igualdade, mas na prática ele não tinha grande vigência.
A mulher praticamente não tinha direitos. Se se tratasse de uma mulher casada, os direitos eram exercidos pelo chefe de família.
A lei portuguesa designava o marido como chefe de família, donde resultava uma série de incapacidades para a mulher casada, contrariamente à mulher solteira, de maioridade, que era considerada cidadã de plenos direitos, ainda que limitados: a mulher não tinha direito de voto, a mulher não tinha possibilidade de exercer nenhum cargo político, e, mesmo em termos da família, a mulher não tinha os mesmos direitos na educação dos filhos.
Nesta altura, a Lei atribuía à mulher casada uma função específica: o governo doméstico, o que se traduzia pela imposição dos trabalhos domésticos como obrigação. E os poderes especiais do pai e da mãe em relação ao filho resultavam na sobrevalorização do pai e subalternidade da mãe, que, como recomendava a lei, apenas devia ser ouvida.
Outro dos problemas que a mulher enfrentava na altura acontecia nas situações de reconstituição da família. O divórcio era proibido, devido ao acordo estabelecido com a Igreja Católica na Concordata de 1944, pelo que todas as crianças nascidas de uma nova relação, posterior ao primeiro casamento, eram consideradas ilegítimas. E havia duas alternativas no acto do registo: a mulher ou dava à criança o nome do marido anterior ou assumia o estatuto de "mãe incógnita". O que não podia era dar o seu nome e o do marido actual. No que diz respeito à questão profissional, a mulher não tinha direito de acesso a determinados lugares que se considerava que deviam ser ocupados por homens. A magistratura, a diplomacia e a política são apenas alguns dos exemplos de sectores profissionais a que a mulher não podia aceder.
Além disso, naquela altura estava escrito em decreto-lei que uma professora só podia casar com um homem que tivesse um vencimento e estatuto superior ao dela. Uma mulher casada não podia ir para o estrangeiro sem autorização do marido, não podia trabalhar sem autorização do marido. O marido podia chegar a uma empresa ou estabelecimento público e dizer: eu não autorizo a minha esposa a trabalhar. E ela tinha que vir embora, tinha que ser despedida"

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010




A VIDA TEM….

As derrotas, as vitórias
Também batalhas perdidas,
Muitas guerras por vencer.
Mas nessas lutas havidas,
Entre a fadiga e o querer,
São as palavras amigas
Que nos levam a vencer.
Camaradas, companheiros,
Amigos de ocasião,
Uns estarão sempre connosco,
Mas sabemos que outros não.
Por isso há que manter
Os pés bem firmes no chão,
Nesta terra que é de todos
E poucos dizem que não-
Levar a palavra amiga,
Passá-la de mão em mão
Caminhando com confiança
Cientes da nossa razão
Portamos a luz da esperança
Que traz a libertação.
Liberdade é igualdade
De direitos e deveres
E embora haja pareceres
De que é uma utopia
Estejam certos que é verdade
A razão não se fantasia.
E se cada um pensar
Na força que a razão tem,
É dar as mãos e lutar,
Que o futuro já aí vem.

ARFER ………..



Grato por me lembrares do texto, que tinha já lido não sei quando. Um abraço.
ARFER

Bertolt Brecht

Se os tubarões fossem homens, perguntou a filha da sua senhoria ao Senhor K., eles seriam mais amáveis com os peixinhos?
Certamente, disse ele.
Se os tubarões fossem homens, construiriam no mar grandes gaiolas para os peixes pequenos com todo tipo de alimento, tanto animal como vegetal. Cuidariam para que as gaiolas tivessem sempre água fresca, e tomariam toda espécie de medidas sanitárias.
Se, por exemplo, um peixinho ferisse a barbatana, então lhe fariam imediatamente um curativo, para que ele não morresse antes do tempo. Para que os peixinhos não ficassem melancólicos, haveria grandes festas aquáticas de vez em quando, pois os peixinhos alegres têm melhor sabor do que os tristes.
Naturalmente, haveria também escolas nas gaiolas. Nessas escolas, os peixinhos aprenderiam como nadar para as goelas dos tubarões. Precisariam saber geografia, por exemplo, para localizar os grandes tubarões que vagueiam descansadamente pelo mar.
O mais importante seria, naturalmente, a formação moral dos peixinhos. Eles seriam informados de que nada existe de mais belo e mais sublime do que um peixinho que se sacrifica contente, e que todos deveriam crer nos tubarões, sobretudo quando dissessem que cuidam de sua felicidade futura.
Os peixinhos saberiam que esse futuro só estaria assegurado se estudassem docilmente. Acima de tudo, os peixinhos deveriam evitar toda inclinação baixa, materialista, egoísta e marxista, e avisar imediatamente os tubarões, se um dentre eles mostrasse tais tendências. Se os tubarões fossem homens, naturalmente fariam guerras entre si, para conquistar gaiolas e peixinhos estrangeiros. Nessas guerras eles fariam lutar os seus peixinhos, e lhes ensinariam que há uma enorme diferença entre eles e os peixinhos dos outros tubarões.
Os peixinhos – eles iriam proclamar – são notoriamente mudos, mas silenciam em línguas diferentes, e por isso não podem se entender. Cada peixinho que na guerra matasse alguns outros, inimigos, que silenciam em outra língua, seria condecorado com uma pequena medalha de sargaço e receberia o título de herói.
Se os tubarões fossem homens, naturalmente haveria também arte entre eles. Haveria belos quadros, representando os dentes dos tubarões em cores soberbas, e suas goelas como jardins onde se brinca deliciosamente. Os teatros do fundo do mar mostrariam valorosos peixinhos nadando com entusiasmo para as gargantas dos tubarões, e a música seria tão bela, que a seus acordes todos os peixinhos, com a orquestra na frente, sonhando, embalados nos pensamentos mais doces, se precipitariam nas gargantas dos tubarões.
Também não faltaria uma religião, se os tubarões fossem homens. Ela ensinaria que a verdadeira vida dos peixinhos começa apenas na barriga dos tubarões. Além disso, se os tubarões fossem homens também acabaria a idéia de que os peixinhos são iguais entre si. Alguns deles se tornariam funcionários e seriam colocados acima dos outros. Aqueles ligeiramente maiores poderiam inclusive comer os menores. Isto seria agradável para os tubarões, pois eles teriam, com maior freqüência, bocados maiores para comer. E os peixinhos maiores, detentores de cargos, cuidariam da ordem entre os peixinhos, tornando-se professores, oficiais, construtores de gaiolas, etc.
Em suma, haveria uma civilização no mar, se os tubarões fossem homens.


Bertolt Brecht (1898-1956) reuniu na obra Histórias do Senhor Keuner, em 1932, parábolas escritas com humor e ironia, satirizando o comportamento da sociedade.

HISTÓRIA VIVA: ROMA - LOUVÁVEL OCIOSIDADE & RIQUEZA É VIRTUDE

HISTÓRIA VIVA: ROMA - LOUVÁVEL OCIOSIDADE & RIQUEZA É VIRTUDE

sábado, 13 de fevereiro de 2010




CARNAVALINHO
Nestes dias de festança,
Eu desejo a toda a gente
Que no brincar tenham esperança
De que o amanhã é diferente.

P’ra Mestre de sala ou poeta,
A festa é sonho e alegria
E com papel e caneta
Os versos são fantasia.

Nas ruas fazem cortejos
E mentem nos Parlamentos
Em tempo de Carnaval
Os cavalos são jumentos.

No Barreiro também há festa
Muitas cores e magia
E todos se manifestam
Com redobrada alegria.

Uns mascaram-se, outros não.
Há os sempre mascarados
Que no meio da confusão
Pensam andar disfarçados.

Pois que sejam Carnavais
Todos os dias do ano
Porque assim até os ossos
Ficam cheios de tutano.

Que se tenha nesta quadra
Alegria num fartote
Brinquem todos, aproveitem
Porque eu vou dar o pinote.


ARFER, 13.02.2010.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010












Bah!
Tão ao gosto próprio,
não foi além da circuncisão,
é julgador de causas próprias
amarelecidas e/ou descoradas
que se espalham no seu chão.
Querendo arrebitar o cenho
leva demais o empenho
de emperrada a carabina,
mas o estampido sai na mesma.
Por detrás?
Não se sabe, não se sabe,
adivinha-se a escorregadela
com a procura da salvação
em época de oração crispada
ergue ao ar as mãos postas
que melhor estariam nas costas
a perceber o que tinha acontecido
pois o alarido foi tal
que para igual só teria sentido
algum molho, brrrr, fosse detectado.
A secura não é estado virgem
propaga-se como fogo às idéias,
topa-se!
O refinamento também é finamento,
para liofilizado alimento,
que se faz parecer resultado
mas não é.
Antes uma ladaínha de esconjuração
aos julgados males próprios,
que tolhem e fazem arrepios
em vez de sonhos pios,
descansados cheios de cifrões
apesar de ultrapassados
como escreve ou como diz
só para inglês ver.
Eles andam por aí!

De João Viegas dos Santos
Bem Haja JOÂO – Um abraço amigo

domingo, 24 de janeiro de 2010



















NÓS

Sabes, amigo,
a vontade de fazer
é a razão primeira da nossa forma de estar;

Contigo, fizemos um plano crescer e,
à nossa maneira,
quisemo-lo “com pernas para andar”

E foi também contigo
que assumimos o tanto por fazer!

Acredita
que é a pensar em ti
(naturalmente com limitações)
que continuamos por aqui
tentando acertar nas decisões
assumindo erros, tristezas
e quantas frustrações…

Mas crê também, amigo,
que não basta o querer,
que o “mais” não é bastante
que “melhor” não é suficiente;

Contar contigo
é que é importante.
Juntos,
vamos fazer diferente

E Vai valer a pena ir por diante.



Fernando Tavares Marques

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010


Os Poderes e a Cultura


Os poderes, políticos, religiosos ou outros, podem, de forma intencional e em função dos interesses que os movem influenciar e evolução, fruição ou divulgação da Cultura, mas em caso algum a podem, globalmente, controlar.
Os problemas na área da política cultural são múltiplos, complexos e diversificados.
A Cultura e o Poder, sendo dois pilares da organização das sociedades, que emergem do tecido social e, consequentemente, a orientação das politicas são, de grosso modo, o reflexo do poder instituído.
A Cultura é um modo de vida e é a expressão do sentir, do pensar e do agir de um povo, tal qual a politica. O fazer e o agir intencionalmente ou não, são actos políticos ou culturais, são constante da vida.
Sendo que as politicas Culturais do Poder central devam ser, na sua essência um garante de regulação da pluralidade, da cidadania activa e da liberdade criativa, assente basicamente no princípio da democratização da cultura, conforme O INSTITUIDO CONSTITUCIONALMENTE.
Os Poderes autárquicos diferem quanto à forma e os objectivos no desenvolvimento das suas politicas culturais e moldes de gestão que lhes são inerentes no que concerne ao interesse concelhio e, também, quanto ao património material e imaterial que lhes são afectos, ainda que dentro dos parâmetros ditados pela Lei geral e do direito constitucional.
Desde 1974, a sociedade portuguesa, sofreu profundas alterações, relativamente ao Monolitismo partidário de quarenta e oito anos, de ditadura. O Polipartidarismo veio assegurar a representatividade da globalidade dos sectores de opinião. A Liberdade de expressão e o fim da censura permitiram a livre circulação dos bens culturais, tais como livros, filmes, ideias, teatro livre de censura e uma representatividade alargada, exponencialmente, ao usufruto dos bens culturais.
Nos primeiros anos de livre poder autárquico, ainda que sem uma linha programática pré-definida, a força e a criatividade que a liberdade produz, deu origem a múltiplas iniciativas de âmbito cultural.
As autarquias em parceria com o movimento associativo e a comunidade escolar, têm desenvolvido, após o 25 de Abril, projectos de cariz cultural multifacetado e interculturais, face ao facto de Portugal que, ao longo de décadas foi um pais de emigrantes, se tornar, com fim da ditadura e da guerra colonial e depois de “ orgulhosamente sós”, num espaço geográfico que recebeu centenas de milhar de regressados das ex-colónias e de exilados emigrantes (fugidos à guerra e a ditadura).
Nos anos oitenta deu-se uma inversão, de emigrantes, passámos a ser um país acolhedor e atractivo para centenas de milhar de imigrantes dos quatro cantos do mundo, da Ásia, Africa, América do Sul e Europeus (principalmente do Leste da Europa), com raízes culturais, comportamentos sociais religiosos, bem diferenciados.
Como se depreende, um facto histórico pode ser causa, em determinado momento, de ruptura com algumas tradições e ser “explosão” de criatividade artística e de produção cultural. Como exemplo disso são a Revolução Francesa (século XVIII), a Revolução Industrial (séc. XIX) e a revolução Russa de 1917 (séc. XX), que deram origem, a seu tempo, de uma evolução artística e de divulgação cultural, sem precedentes, influenciadores de politicas sócio - culturais, de tal modo, que muitos Estados se viram na necessidade de legislar no sentido de proteger, apoiar e adequar, nalguns casos, a produção de arte e divulgação cultural em função dos seus objectivos políticos.
Os novos conhecimentos, novas tecnologias, produtos da revolução foram factores determinantes de uma evolução sócio-económica. A rádio, a fotografia, o cinema, a televisão e mais recentemente a comunicação da era digital, são hoje elementos fundamentais ao serviço da democratização da cultura, na sua divulgação e fruição, se utilizados com justa imparcialidade.
Se os Nacionalismos exacerbados e os Poderes ditatoriais e monolíticos foram e são entrave ao desenvolvimento da produção cultural, nos tempos de hoje, só uma “cultura contextualizada” pode restituir o homem a si mesmo. Assim a Cultura será julgada pela sua capacidade de realizar o homem no mundo e com os outros, pois ela não é senão aquilo que, é criado pelo Homem. A cultura é a via para a globalização de Humanidades, promotora de uma “nova” ética de compressão, tolerância e fraternidade entre os homens. Não há culturas maiores ou menores, superiores ou inferiores, mas apenas diferentes, sejam populares ou ditas eruditas que, de facto, tiveram origem popular, tais com o Canto, a Musica, o Teatro, tudo tem origem nas bases, incluindo a formação de riqueza.

ARFER

terça-feira, 12 de janeiro de 2010



















O Apregoar da Cidade


Na Lisboa de outro tempo
Ecoavam os pregões
Eram sons com sentimento
Que eram como poemas
Transmitidos em canções.
Vendedeiras, vendedores
Pelas ruas da cidade
Iam espalhando seus cantos
Que recordo com saudade.
O cauteleiro, a varina
A mulher da fava rica
No beco, na rua ou na praça
Iam deixando os seus cantos
De Alfama até à Graça.
Era o homem das castanhas
Que perfumava a cidade
No Outono, ao fim da tarde.
E um POVO que sonhava
Apregoar LIBERDADE.
A LIBERDADE que um dia
O mês de Abril viu chegar
Aquela que o POVO queria
E que tanto o fez sonhar
E que em MAIO no primeiro dia
O trouxe à rua a CANTAR.


ARFER














O CANDEEIRO e a LUZ


A luz branca que contem todas as côres
Que o disco de NEWTON me mostrou
ilumina a escuridão dos medos e nos dá esperança
Dá energia a quem das lutas se cansou.
Seja a do SOL que dá vida e cor às flores
Ou da Estrela Polar que orienta os marinheiros.
Sem ela não havia poetas nem escritores
Se não tivessem a luz do Sol ou de meros candeeiros.
Mas este candeeiro tem uma história.
Encontrei-o moribundo na sucata, quase acabado.
Ferrugento, semi-partido e maltratado.
Sempre que o vejo fico feliz pelo achado
porque me trouxe um sentimento de vitória,
Enquanto houver em nós a luz da esperança
A "Luz" que que alimenta o nosso querer
o buscar ao canto mais recondito da memória
Onde vivem a lutas havidas,no ganhar e no perder.
Se é no perder que se aprende a ganhar
Então na essência da vida Ninguem está acabado
E a todo o tempo,em nós, há Luz de esperança a renascer.

ARFER
CAMINHOS DO FUTURO


Na Rua do “Silêncio”, entre olhares,
gestos de afecto e ternura, fomos crescendo.
Havia em nós um forte desejo de mudar.
Em frente, na Travessa da “Espera”,
onde morava a dona Prudência,
que nos disse para irmos devagar,
com cuidados e muita paciência.
Lá fomos de mão dada caminhando,
Na procura do futuro que era nosso.
Encontrámos outra Rua, era a da “Esperança”.
Ali havia claridade e muitas côres,
Nas varandas e portais, múltiplas flores.
rostos risonhos, que foram alimento dos nossos sonhos.
Passando ao largo da Rua da “Saudade”, num muro,
estavam escritos os caminhos do futuro.
Lá fomos abraçados, rua acima e
vimos uma praça com flores de verdade.
As pessoas entoavam canções e sorriam.
Estávamos na Praça da “Liberdade”.
E logo outra Avenida que tinha o mesmo nome,
Onde vimos tanta gente feliz, mais mil.
Então perguntei: - “Que dia é hoje??”
Então milhares de vozes responderam:
“É VINTE E CINCO DE ABRIL”!!

ARFER!
“A Cidade e a Identidade”

A cidade não é apenas uma estrutura física, ela é um produto da evolução histórica um signo de vivências, um conjunto estruturado de bairros e ruas com vida própria, produto de um conjunto de vivências de cidadãos que ao longo do tempo a criaram e a transformaram é por isso um museu vivo, retrato da Memória Colectiva que transmite um sentimento de pertença cultural, onde cada rua e cada bairro tem a sua história.

Georg Simmel em “A Metrópole e o Espírito da Vida” (1903) retrata a cidade grande e o constante fluxo migratório de pessoas vindas do interior para a cidade, para tentar uma vida melhor. Para Henry Lefevre, filosofo marxista e sociólogo francês e um do dos fundadores da teoria urbana no seu texto “O Direito à Cidade” (1901), Lefevre parte da ideia de que o capitalismo produziu novas formas urbanas, uma cidade capitalizada e controlada.

O Barreiro durante décadas foi, também, uma cidade supostamente controlada, primeiro pela exploração capitalista emergente da revolução industrial e depois através da politica repressiva da ditadura.
A cidade em si não gera contradições sociais, ou seja, elas existem reflexo dos interesses individuais ou colectivos. Mas foi no seio das cidades que se processaram as grandes transformações sociais do século XX.
A história recente, do Barreiro, é plena de episódios e factos de cabal importância, quer para a história local, quer para a história de Portugal. Sendo a cidade que me acolheu, pela vivência e convivência continuada, posso afirmar que o Barreiro é exemplo de grandes transformações sociais, no associativismo, na cultura e no desenvolvimento.
A cidade foi criando a sua identidade, fundamentada na interculturalidade, de diferentes histórias de vida de gentes vindas de muitos sítios, num quotidiano, ainda que marcado pelas diferenças, mas com um objectivo comum, marcado pela vontade de construir uma terra de todos e para todos.
Esta postura, esta marca de identidade que ainda hoje prevalece, surgiu em grande parte com a implantação do Caminho de Ferro que redesenhou a antiga vila ribeirinha com os traços característicos dos operários e respectivas famílias, oriundos, sobretudo, do Sul do país. Foram ficando e deixando os exemplos do seu trabalho e da sua cultura, hoje tão vincadamente marcantes na sua postura social. Assim o Barreiro cresceu por dentro e para fora.
Com o Caminho de Ferro, reassumiu o seu papel na História de Portugal, anteriormente (sec. XV) referenciado põe Álvaro Velho do Barreiro, cronista da viagem que levou Vasco da Gama à Índia
O Comboio está na génese da transformação de uma pequena Vila (Carta de Foral de 16/01/1512 – D. Manuel I) de pescadores e salineiros, numa cidade ligada à revolução industrial que se processou em finais do século XIX. A chegada do Caminho de Ferro, em 1859, veio potenciar o seu crescimento urbano e demográfico.
Ainda que, oficialmente, a inauguração da linha do Sul tenha acontecido no ano de 1861, a relação do Barreiro com o Comboio e a certeza de que essa importante via de comunicação viria a ser o ponto de partida para a grande transformação da pequena Vila na Cidade industrial que, durante um século, foi um dos pólos produtivos mais importantes do país, aconteceu de facto em 1859, no dia dois de Fevereiro, quando Sua Majestade o Rei D. Pedro V, acompanhado de sua família e altas figuras da Nação foram recebidos festivamente no Barreiro. O objecto dessa visita foi a semente que deu origem à cidade industrial, que viria a ser. Foi a primeira viagem de comboio, oficialmente designada e noticiada, com partida do Barreiro e chegada a Vendas Novas.
Em 1875 instalaram-se as primeiras fábricas, ligadas à indústria de transformação de cortiça, vinda do Alentejo e com a cortiça vieram os homens e mulheres, na busca de uma vida melhor.
Mais tarde, em 1908, a Companhia União Fabril começa a instalar o seu núcleo central de fábricas e, à volta destas, vão-se construindo novos bairros, necessários ao alojamento dos imigrantes vindos de todo o país, sendo na sua maioria do Alentejo e Algarve, que ali procuravam o seu sustento.
De tal modo se desenvolveu o Barreiro que, em 28 de Junho de 1984, foi elevado à categoria de Cidade, exactamente num período em que, demográficamente, apresentava sintomas de estagnação, em grande parte devido ao encerramento da maioria das unidades produtivas. Em consequência disso , adveio o desemprego, a procura de trabalho noutros lugares e assim, em termos quantitativos, aumentaram as migrações pendulares e muitos residentes emigraram para outras paragens. Hoje, a cidade que foi signo de progresso material, pelas suas características de cidade industrial, inserida principal área metropolitana do país, o seu património material e museológico é rico quanto a arqueologia industrial e guarda, fundamentalmente, uma Memória Colectiva muito rica.
O Barreiro é cidade há um quarto de século, já passou por crises piores do que esta, sabe o é repressão e como resistir e é com os homens e mulheres que amam a sua cidade que, paulatinamente, vai desbravando os caminhos para um futuro melhor.

ARFER




A beleza arquitectónica, a função secular e a riqueza patrimonial que representa, prestes a ser relegada para o caixote de lixo da história se a "MÃO" do povo
não obstar a que isso aconteça.

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

A POLÍTICA E “O MANTO DIÁFANO DA FANTASIA QUE ESCONDE A NUDEZ FORTE DA VERDADE”
Ouve-se muitas vezes o cidadão comum parafrasear: - “Eu não sou político ou, simplesmente, nada tenho a ver com a política…” e ainda “..Os políticos são todos iguais…”. Puro engano, nem todos defendem os mesmos objectivos, uns servem politicamente, com honestidade o povo que os elegeu (servem a política) outros defendem interesses instalados, apoiados por grandes grupos económicos e financeiros (servem-se da política).
Nas opções, nas atitudes ou actos que praticamos, na nossa vida activa, familiar ou de âmbito social, a política está presente. Política de Educação quando se trata dos nossos filhos ou da relação que temos com os estabelecimentos de ensino e de aprendizagem. Política de Trabalho ou segurança social, quando nas empresas, nos sindicatos e até na rua nos manifestamos em defesa dos nossos direitos. Política económica e financeira, enquanto consumidores e na gestão dos parcos (ou não) rendimentos que temos ao nosso dispor. TODOS SOMOS UMA PEÇA NO XADREZ DA POLÌTICA.
Essa ideia de afastar o cidadão da prática de cidadania, quanto à sua participação na vida política activa na Sociedade em que está inserido, vem dos tempos da ditadura. Se bem nos lembramos (é bom que não caia no esquecimento), nesse tempo a informação era escassa, censurada e o analfabetismo era um mal que atingia mais pessoas que, algum dia a GRIPE A (vírus H1N1) venha a afectar.
Hoje todos têm escola e a informação ainda que, por vezes distorcida, eivada de meias verdades, a dita sem contradita ou plena da presença de políticos e comentadores que são hábeis na utilização do tal “Manto diáfano que esconde a verdade”.
A observação atenta é fundamental para que, na hora de decidir em que votar, a cruzinha seja colocada no quadradinho certo, com a consciência de que o fazemos pensando que, ao fazê-lo, optámos pelo bem da sociedade de que fazemos parte, tendo em conta o presente e o futuro.
O VOTO não é a arma do Povo, como nos tentam fazer crer. A participação na prática da cidadania, o conhecimento, o sentimento e a memória é que são de facto as armas mais eficazes.
O voto não é para ser usado como se de um campeonato ou de um concurso se trate. É comum ouvirmos as palavras ou frases: - “Vencemos” “Queremos o 1º lugar…), “O 3º lugar já era uma vitória…” etc. , pois bem, esta é também uma forma de iludir e exaltar de forma errónea, mas calculada, a decisão do cidadão comum.
Como se tem verificado, os debates políticos em que participam os representantes dos partidos políticos, passíveis de serem Governo da Nação, são mornos, pouca informação nos trazem e revelam, quanto a políticas de fundo, tais como Sociais, Fiscais, Laborais e quanto à relação com os poderes económico e financeiro, que por serem tão iguais, usam de forma implacável o tal “Manto Diáfano da Fantasia que cobre a Nudez Forte da Verdade”..(Dedicatória do monumento sito no Largo Barão de Quintela, ao Chiado).
Na perspectiva de continuarem a ser “Os ÚNICOS” insistem em conotar as eleições como se de um jogo se tratasse e o objectivo fosse a classificação final, com a taça e o prémio de participação na final a ser entregue com pompa e circunstância. Ser 1º ou 2º é o objectivo primário, ter em conta o país real é objecto secundário. Para isso contam com o apoio de “Grandes Famílias Grandes Empresas” (Edições D. Quixote), e como se de um jogo de Xadrez se trate, basta-lhes mudar umas pedras no tabuleiro do poder, manter o Rei, a Rainha e os Bispos, porque as Torres da resistência estão e são limitadas nas acções que o jogo de interesses impõe e, quanto aos Peões, jogam no pressuposto da memória curta e dos MEDOS da sujeição à Lei da Oferta e da Procura em que os peões são vistos e tratados como mercadoria negociável e descartável. Se muito protestarem, sacodem-se umas migalhas da toalha da abastança do Poder, com pequenas cedências aqui e ali. Receita é conhecida.
Podem pensar ou dizer, ele (EU) repete-se, mas as repetições activam a memória.
É nas palavras não ditas que escondem as intenções, alternando com a afirmação do alter-ego quanto a curriculum académico, revelam algumas diferenças quanto ao Investimento estrutural e necessário ao desenvolvimento e ao Futuro, mas que penso ter a ver com uma simples questão temporal, tendo em vista a captação de uns votozitos de quem não entende o país como um todo e naqueles que vêem na vizinha Espanha o inimigo secular. Porém o dito investimento tem de ser feito e os acordos cumpridos, resta só saber quem vai assinar a adjudicação.
A Exma. Senhora Doutora, Professora catedrática, era assim que gostaria de ser tratada, afirmou e reafirmou que a Ponte Chelas-Barreiro, Aeroporto de Lisboa e TGV, implicavam gravíssimos problemas estruturais e endividamento eterno para as gerações vindouras, já que o País ficaria empenhado cerca de 49 anos. Ora afirmações deste tipo não me parecem eivadas de verdade ou razão, mais uma vez o tal “Manto diáfano” acoberta as intenções guardadas, porque sendo assim só no ano de 2060 se fariam tais investimentos e se a situação económica, nessa altura, o permitisse. Inviável tal propósito, Portugal ficaria e continuaria como está, mais só, no extremo ocidental da “Jangada de Pedra”, ainda que já não haja qualquer hipótese de voltarmos ao tempo dos “Homens que nunca foram meninos”.
Há quem diga que não, mas há semelhanças na história. O “Velho do Restelo” vociferou, mas as viagens à Índia fizeram-se e quando o “Príncipe Perfeito” , D. João que seria o Segundo, disse, ao ser designado Rei de Portugal e dos Algarves, “… O meu pai só me deixou as estradas e caminhos de Portugal para governar….”, via o futuro nesse presente menos bom e, no pouco tempo da sua governação (13 anos) tornou grande este pequeno país e abriu-lhe as portas do futuro.
O tema já vai longo, porém não quero deixar de fazer lembrar a um político e autarca da nossa praça, pessoa de bem, que a dinamização do Centro do Barreiro, com a construção do FORUM BARREIRO e a reconstrução/reabilitação do MERCADO 1º de MAIO, foram e são geradores de mais emprego e qualidade de vida para os Barreirense. Bem como para os que passam parte do dia na nossa cidade. Não esquecendo que O FORUM BARREIRO numa colaboração ampla, séria e profícua tem apoiado iniciativas várias de índole sócio - cultural e o concelho na comparticipação de custos de instalação de infra-estruturas necessárias à construção de um Barreiro melhor. O J. S. afinal viu e entendeu. Ahhh…quanto ao Barreiro dito Velho, diria Barreiro Antigo, ou pólo de partida da pequena Vila que se tornou cidade, é na Assembleia da República (Legislativa) para que se vão eleger deputados, na eleição que se aproxima, que cabe decidir e adequar as Leis, quanto a espaços urbanos e rurais, adequadas à actualidade e em consonância com o que se passa na maior parte dos países da Europa de que fazemos parte.
Por agora fica um BEM HAJA para aqueles que, independentemente da camisola que vestem, trabalham para a construção de um BARREIRO melhor, digno dos pergaminhos reveladores da sua identidade solidária e multicultural. Obrigado Senhor Presidente da Autarquia pela forma empenhada que tem dedicado na defesa dos interesses da cidade que o viu nascer e tanto ama, bem como da área metropolitana envolvente do estuário do Tejo que, no SEC. XVI, teve de cognome “A PORTA DO MUNDO” e foi ponto de encontro de muitas culturas, povos e civilizações.
UM BEM HAJA para todos – Viva o Barreiro