segunda-feira, 2 de agosto de 2010
CÁ E LÁ (da gaveta)
Andei por lá, passei por cá,
Procurando aquilo que já não há.
Ou haverá?
Talvez encontre, vou pesquisando
E neste ensejo eu é que mando.
Vou percorrendo novo caminho
E nesta procura não estou sozinho.
E num mar de gente, igual mas diferente
Que sabe o que quer e canta o que sente.
É lá que eu encontro aquilo que procuro,
Se bem que o caminho se revele o mais duro.
Mas foi na dureza dessa caminhada
Que tive a certeza do que procurava.
Quando te encontrei, afinal já sabia
Que eras afinal, aquilo que eu queria.
Estendeste-me a mão, seguimos em frente
E não mais procuro
És o meu presente,
SERÁS O MEU FUTURO!
ARFER (ANOS 70)
sábado, 31 de julho de 2010
"PENSANDO NO TEMPO"
PENSANDO NO TEMPO
Pensando no TEMPO…
Mas que Tempo???
Que espaço, que volume,
Que distância tem o Tempo?
Alguém sabe quanto Tempo tem o Tempo?
O Tempo passa, o Tempo voa, o Tempo tarda.
Não há tempo para pensar no Tempo,
nem sentir a importância do Tempo
em cada um de nós.
Se todos temos um Tempo diferente,
e temos dele uma noção desigual.
Se na espera o tempo se prolonga
e nos bons momentos é lesto.
Se a vida é intensa o Tempo é curto.
Afinal o que é o Tempo,
Senão o parecer dos nossos sentidos.
O Tempo é uma estrada, onde a
Velocidade é variável.
É o princípio e o fim,
Onde o presente e o passado
Se confundem com o futuro.
Contudo o Tempo existe,
Tem uma dimensão uniforme e variável,
Tal qual a Identidade de cada Homem.
ARFER
quinta-feira, 15 de julho de 2010
ACREDITA EM TI !!!
INTERROGAÇÕES
Tens a certeza que sabes onde estás ?
Tens a certeza plena da tua condição ?
Sentes até onde podem ir os teus horizontes ?
Sabes quantas paredes imaginárias te toldam a visão ?
Imaginas os “cantos de sereia” que te inundam o espírito ?
Pensas, ao menos um minuto, nas mentiras que te segredam ?
Tens a certeza de que o teu caminho é o que te anunciam como sendo único?
Consegues sossegar o presente, esquecendo todo um passado recente ?
Caramba, consegues realmente muito ! Infelizmente !
Dá-te um cravo vermelho e pensa.
Conserva-o no teu punho cerrado e sonha.
Observa os outros cravos à tua volta e pertence-te.
Se o presente não é teu, que o tens hipotecado,
é tempo de pensares no futuro. E construí-lo.
Acredita que ninguém o fará por ti !
Nem estas pobres palavras te querem mostrar caminhos.
Acredita em ti. Mas pensa que sózinho não vais a lado nenhum.
Nem te mudarás a ti. Adaptar-te-às simplesmente.
Quando, de dentro de ti, vier esse desejo de mudança,
acredita que conseguirás ver, à tua volta,
muita outra gente boa, que também quer mudar.
E que está disposta a dar até a vida por isso, e por ti.
FERNANDO TAVARES MARQUES
A JOSÉ SARAMAGO - HOMEM DO POVO
POEMA DE UM AMIGO - COMPANHEIRO DE MUITAS LUTAS.
AO JOSÉ SARAMAGO
Que pena !
Disseram aqueles
que imolaram a mãe de Blimunda.
É a memória do Memorial
que tu trouxeste ao futuro.
Que injustiça !
Escreveram aqueles que ao longo da história
se arrogaram o direito de julgar
e escreveram torto, por linhas direitas,
o medo terrível da inteligência humana.
Ai a tola, João Paulo
esta “fatwa”, este anátema
esta inspiração moderna
sobre um Salman Saramago.
Se eles soubessem, José,
onde nasce a inspiração!
Se eles soubessem, José,
do outro lado da Vida,
maior era o horizonte;
tinham aprendido a ler
Muito para além das palavras
E então, sim, aleluia!
quase te sacrificavam.
Humildemente te saúdo o génio,
Jubilosamente te saúdo o prémio.
Tristemente te digo:
- Que pena saberem tão pouco do espírito.
FERNANDO TAVARES MARQUES
quarta-feira, 7 de julho de 2010
UTOPIA ???? FRUTO DO SONHO?? OU NÂO?
UTOPIA ???
O poema surge do nada, passo a passo
Como planta que desponta da semente
E com a esgrima das palavras me enlaço,
Neste sentir, forte, suave e coerente
Cresce o caule, surge a folha, nasce a flor
O fruto, esse, é o que se sente
Seja de revolta, mágoa ou de dor,
Este enleio com a vida é permanente.
A vida que é sonho, luta, amor ardente
Desígnio que partilho em paridade
Com todos os que são a minha gente
Que caminham almejando a LIBERDADE.
Que o Mundo seja do SER e não do TER
Onde frutifique a AMIZADE
Que rejeite as várias formas de PODER
Nesta TERRA que é de todos, na VERDADE !!
ARFER
quarta-feira, 30 de junho de 2010
BIBLIOTECA - UMA JANELA DE HOJE PARA O PASSADO E O FUTURO
HOJE UM DE JULHO É 0 DIA DAS BIBLIOTECAS
Porque há dias escrevi:
"MAS LOUVE-SE O LIVRO E A MAGIA QUE ELE CONTÉM, A PALAVRA QUE ELE NOS TRAZ, AQUELE SENTIMENTO DE PARTILHA E CUMPLICIDADE QUE NOS TRANSMITE QUANDO O FOLHEAMOS. TRANSMITIR ÀS NOVAS GERAÇÕES O VALOR DO LIVRO É UMA RESPONSABILIDADE QUE NOS CABE.
VIVA O LIVRO, O LEITOR E O AUTOR, GÉNIO CRIADOR DE ESCRITOS QUE NOS TRANSMITEM CONHECIMENTO, NOS FAZEM SONHAR E POR VEZES VOAR NUM INFINITO MÁGICO.”
Encontrei a BIBLIOTECA e perguntei:
- QUEM ÉS TU BIBLIOTECA??
- Eu sou a guardiã do passado, do presente e do futuro …
Tenho no meu seio, as Memórias dos Homens, o seu imaginário criador da esgrima da palavra, em prosa e poesia.
Guardo dicionários de todas as línguas, enciclopédias e livros temáticos das ciências e artes.
Sou um elo da transmissão do SABER e da CULTURA, alimento regenerador e formador de gerações. O meu conteúdo é o “adubo” que fortalece o HOMEM face aos “ditadores de vão de escada” e de todos aqueles que fomentam a ignorância , tendo em vista a dominação e usurpação da LIBERDADE dos povos.
A CULTURA E O SABER SÃO SINÓNIMO DE LIBERDADE.
- Sabes, disse-me a BIBLIOTECA, agora tenho a minha irmã digital que chega a todos os cantos do MUNDO e me tem ajudado neste “trabalho” incessante, de séculos, que vai resistindo aos que aqui e ali, em diferentes épocas mandaram destruir algumas “células” do meu corpo.
Mas nós resistiremos e em cada canto do PLANETA AZUL HÁ E HAVERÁ SEMPRE UMA BIBLIOTECA QUE ESPERA POR TI !!!
ARFER
Porque há dias escrevi:
"MAS LOUVE-SE O LIVRO E A MAGIA QUE ELE CONTÉM, A PALAVRA QUE ELE NOS TRAZ, AQUELE SENTIMENTO DE PARTILHA E CUMPLICIDADE QUE NOS TRANSMITE QUANDO O FOLHEAMOS. TRANSMITIR ÀS NOVAS GERAÇÕES O VALOR DO LIVRO É UMA RESPONSABILIDADE QUE NOS CABE.
VIVA O LIVRO, O LEITOR E O AUTOR, GÉNIO CRIADOR DE ESCRITOS QUE NOS TRANSMITEM CONHECIMENTO, NOS FAZEM SONHAR E POR VEZES VOAR NUM INFINITO MÁGICO.”
Encontrei a BIBLIOTECA e perguntei:
- QUEM ÉS TU BIBLIOTECA??
- Eu sou a guardiã do passado, do presente e do futuro …
Tenho no meu seio, as Memórias dos Homens, o seu imaginário criador da esgrima da palavra, em prosa e poesia.
Guardo dicionários de todas as línguas, enciclopédias e livros temáticos das ciências e artes.
Sou um elo da transmissão do SABER e da CULTURA, alimento regenerador e formador de gerações. O meu conteúdo é o “adubo” que fortalece o HOMEM face aos “ditadores de vão de escada” e de todos aqueles que fomentam a ignorância , tendo em vista a dominação e usurpação da LIBERDADE dos povos.
A CULTURA E O SABER SÃO SINÓNIMO DE LIBERDADE.
- Sabes, disse-me a BIBLIOTECA, agora tenho a minha irmã digital que chega a todos os cantos do MUNDO e me tem ajudado neste “trabalho” incessante, de séculos, que vai resistindo aos que aqui e ali, em diferentes épocas mandaram destruir algumas “células” do meu corpo.
Mas nós resistiremos e em cada canto do PLANETA AZUL HÁ E HAVERÁ SEMPRE UMA BIBLIOTECA QUE ESPERA POR TI !!!
ARFER
terça-feira, 22 de junho de 2010
UM ABRAÇO SOLIDÁRIO AOS "LEVANTADOS DO CHÃO"
"Conheces o nome que deram, não conheces o nome que tens". "Livro das Evidências" in "Todos os Nomes"Os barcos da infância, em arcadas
De ramos inquietos que despregam
Sobre as águas as folhas recurvadas.
Há um bater de remos compassado
No silêncio da lisa madrugada,
Ondas brancas se afastam para o lado
Com o rumor da seda amarrotada.
Há um nascer do sol no sítio exacto,
À hora que mais conta duma vida,
Um acordar dos olhos e do tacto,
Um ansiar de sede inextinguida.
Há um retrato de água e de quebranto
Que do fundo rompeu desta memória,
E tudo quanto é rio abre no canto
Que conta do retrato a velha história.
JOSÉ SARAMAGO
"De "POEMAS POSSÍVEIS", Editorial CAMINHO, 1981.
sexta-feira, 18 de junho de 2010
JOSÉ SARAMAGO, O HOMEM, O ESCRITOR....
MORREU JOSÉ SARAMAGO
Mas ficará sempre entre nós
O comunista convicto, HOMEM do POVO
Que desde sempre lutou
Para ver o seu Portugal, um país novo.
Gostava de CAMÕES e dos poetas da Liberdade,
Amado por muitos, ostracizado por alguns
Nunca baixou a guarda na defesa da Verdade.
Aqueles que desdenharam o seu valor, apresentam, hoje, sentidos pêsames vazios de sentimento.
O HOMEM DA “Jangada de Pedra” que uniu os povos das margens do grande Oceano, respirou hoje pela última vez e, decerto, a sua última vontade foi a de seguirmos o seu ideal.
O MUNDO FICOU MAIS POBRE.
Em vez de ADEUS, um ATÉ JÁ !!!
ARFER
segunda-feira, 14 de junho de 2010
PARA TI O QUE É A CULTURA ?
As respostas foram vagas
E cada uma diferente.
Afinal cultura é tudo.
Ela faz parte da gente.
De uns versos de António Aleixo (poeta popular)
“ …. Sou simplesmente um produto
Do meio em que fui criado …”
Então penso que:
Se os “produtos” são diferentes,
As culturas também são
Pela soma das diferenças
Se processa a evolução.
E é da troca de saberes
Do ler, ouvir e contar
Que o homem fica mais culto
E propenso para criar.
crenças, conceitos e hábitos
simbologia e tradição
São dinâmicos e não estáticos.
ARFERPara incentivo à vossa opinião, transcrevo, um pequeno extracto de um texto meu, quanto ao conceito de cultura:
“Todos os povos ou grupos étnicos representam culturas próprias identificadoras da sua existência, sendo a língua o elo fundamental dessa unidade cultural.
Não há Cultura o civilização superior, há sim diversidade cultural, sendo imperativos iguais direitos para culturas diferentes.
A identidade cultural de um povo é reflexo da sua relação com o Mundo, a Natureza, o seu passado, a sua relação com outros povos e outras culturas e do acumular conhecimento, ao longo da sua história. Não ignorando as suas raízes, a interculturalidade no seu relacionamento com outras realidades culturais, promotoras do desenvolvimento e criadoras da sua riqueza patrimonial.
As Crenças, os Saberes, os hábitos e estilos, as Artes, os conceitos de natureza, sociedade e humanidade e até artes e ofícios, são definidores do conceito de Cultura, como modo de vida.
… O direito à diferença e a materialização, individual ou colectiva, de expressões culturais é elemento fundamental de promoção de uma Cultura de PAZ, daí que reconhecer e valorizar as diferenças culturais é abrir caminho para a coexistência harmoniosa da Humanidade.
Cultura é tradição mas também evolução, evolução que tende a eliminar as más práticas tradicionais. Não há Culturas superiores ou inferiores, são simplesmente diferentes que, com o tempo se vão adoptando, permutando e reajustando às novas realidades.
A LIBERDADE é sinónimo de criatividade cultural e potenciadora da divulgação do SABER e do conhecimento, o que torna um POVO mais atento à defesa do seu património cultural, material ou imaterial.
Tal como as relações humanas, pela sua complexidade, definir Cultura, sendo um tema aparentemente fácil, torna-se difícil, porque Ela é vida, são sentimentos, modo de estar do HOMEM como criador e produtor cultural.
ARFER
domingo, 6 de junho de 2010
MARCHAS DITAS POPULARES
FOLCLORE REINVENTADO, A SABER.
MARCHAS POPULARES OU INVENÇÃO DO FOLCLORE CITADINO
Todos os anos faço lembrar que:
As Festas Populares eram manifestações culturais que espelhavam a identidade de quem as produzia.
Os Arraiais eram comuns nas aldeias, vilas ou bairros da cidade, estavam associados ao SOLSTÍCIO de Verão, de origem Pagã. Era tradição queimar as coisas velhas, e daí a origem das fogueiras juninas.
Nos casos específicos dos bairros da cidade de LISBOA, as festividades populares não fogem à regra e têm, nas mais variadas representações, a sua identidade, no FADO, nas CEGADAS (representações teatrais de rua), nas rodas e cantares à volta da fogueira, 0nde, também, a simbologia do bairro estava presente.
A partir de fins do Sec. XVIII surge o culto do Santo António, que o Clero e o governo da cidade elegeram como patrono popular, passando S. Vicente a mero símbolo da cidade.
Apesar do contacto e interligação com outras culturas e outros hábitos, as “marcas” bairristas vão sendo representadas nas festas tradicionais da cidade onde o culto de Santo António prevaleceu. As marchas “ditas”populares que sucederam às marchas “Aux Flambeaux”, popularmente chamadas de “Fulambó”que percorriam as ruas do bairro e dos bairros adjacentes, em grandes filas, acompanhadas das bandas filarmónicas do bairro ou das designadas “troupes”( estas sim, as marcadamente de raiz popular).
Assim, as marchas populares, deixaram de o ser, ainda que aparentemente o sejam. A partir do Mês de Junho de 1932 passaram a ser um produto de folclore urbano, com obediência a regras e princípios, devidamente regulamentados e com a encenação adequada aos propósitos regimentais, como que um complemento da “CASA PORTUGUESA” de Raul Lino, é mais uma peça do puzle inserida no projecto de folclorização do Estado Novo Português.
É na sequência das comemorações do 28 de Maio, em 1932, que o “Notícias Ilustrado”no seu número especial sobre a efeméride, anuncia o 1º concurso das marchas. Um espectáculo capaz de mobilizar a atenção dos Lisboetas. No dia 12 de Junho de 1932 a sala do “Capitólio”enchia. Um êxito popular, segundo a imprensa da época.
O director do “Noticias Ilustrado”era, nem mais nem menos, José Leitão de Barros, também realizador de cinema, promotor cultural e muito ligado a ANTÓNIO FERRO o responsável pela política de PROPAGANDA do Regime, criador do Secretariado da Propaganda Nacional. A “ideia-proposta”de Leitão de Barros vai no sentido de satisfazer a vontade de Campos Figueira, director do Parque Mayer, no sentido de criar em Junho desse ano (1932) um espectáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas, pensado, dito e feito, caiu como sopa no mel. Foram convidadas a participar as colectividades de cada bairro, sendo que a produção estaria a cargo do Parque Mayer .
A propaganda de promoção foi intensa e a mobilização popular aconteceu.
Este projecto, apresentado como que fazendo parte da tradição, era o ideal, numa altura em que bem mais importante que veicular ideias, importava, isso sim, distrair o POVO, em cumprimento da Cartilha Cultural de ANTÓNIO FERRO.
Pouco importará se as marchas que se apresentaram no palco do “Capitólio”, em 12 de Junho, foram as do Alto do Pina, de Campo de Ourique, Bairro Alto ou Alfama, o que conta foi o sucesso popular que teve e principalmente porque foi um veículo de apoio à propaganda do regime Salazarista.
O concurso das marchas populares regressou, em força, no ano de 1934, concorreram então 12 Bairros. O Município de Lisboa chamou a si a organização e integrou-as no que designou por Festas da Cidade.
Se em 1934 as marchas celebraram o 10 de Junho (como Dia da Raça); em 1940 assinalaram os Descobrimentos Portugueses; de 1941 a 1946 não desfilaram, foi o tempo da 2ª Guerra Mundial; em 1947 comemorou-se a conquista de Lisboa aos Mouros por D. Afonso Henriques e em 1973 o tema foi o Grande Desfile Popular do Mundo Lusíada.
A cidade acabou por se apropriar das marchas como símbolo de uma identidade perdida, entre o rural (Ex. m. de Benfica) mas quanto à celebração das festas e dos santos populares constitui uma novidade, acabando até por potenciar a tradição dos arraiais e dos bailes populares
.As CEGADAS, essas, foram politicamente extintas e a representação transferida para os palcos, onde o controle da censura era mais eficaz.
Desta forma, tento fazer lembrar que as “Marchas (ditas) Populares”foram uma encenação criada com objectivos concretos, tal como muito do folclore rural que foi criado (a partir dos anos 30) e que hoje representam um espectáculo que, conjuntamente com outros, fazem parte do programa das festas da cidade. Não são uma tradição cultural, mas um espectáculo em que através de simbologia própria manifesta o propósito de nos mostrar algo que tem a ver com o Bairro que representam.
ARFER 2002
sexta-feira, 4 de junho de 2010
quarta-feira, 2 de junho de 2010
TODOS OS DIAS SÃO O DIA MUNDIAL DA CRIANÇA
Em 1946 nasceu a UNICEF e, em 1950, a Federação Democrática Internacional das Mullheres propôs, na ONU, que se criasse um dia dedicado às crianças de todo o Mundo.
Este dia foi comemorado pela 1ª vez em 1 de Junho de 1950.
Então os estados membros da ONU, reconheceram às crianças de todo o Mundo, os seguintes direitos: - Afecto, Compreensão, Amor e Alimentação adequada;
- Cuidados Médicos e Educação Gratuita;
- Protecção contra todas as formas de exploração;
- Crescer num Clima de Paz e Fraternidade Universal.
Estes direitos só passaram a documento escrito e aprovado em 1959. Em 20 de Novembro desse ano a Assembleia Geral da ONU aprova a “Declaração dos Direitos da Criança”, que a serem cumpridos, todos os meninos e meninas deste Planeta Azul, seriam felizes.
Porque a “Declaração” não bastasse para se fazer cumprir, na ONU foi, em 1989, aprovada a “Convenção sobre os Direitos da Criança”, documento com um conjunto de Leis para protecção daqueles que serão os homens e mulheres de amanhã.
ESTA CONVENÇÃO TORNOU-SE LEI INTERNACIONAL EM 1990 !!!!!
Agora saiamos do cor de rosa e tentemos saber quantas crianças estão fora desta LEI, dita Internacional.
Mas acautelem-se, porque a LEI INTERNACIONAL DA HIPOCRISIA ESTÁ EM VIGOR, COM CARÁCTER PERMANENTE
ARFER
HÁ !!!!
Há meninos, sem pai nem mãe, ao abandono.
Produtos da Guerra, da Fome e da Hipocrisia.
Tratados como cães rafeiros, sem um dono,
São a triste realidade e não fruto da minha fantasia.
Há meninos vendidos, comprados e usados.
Há meninos que nunca brincaram ou foram à escola.
Há meninos que trabalham, são explorados e pedem esmola.
Mas em cada menino haverá sempre uma criança,
Que se tornará Homem “Cavaleiro da Esperança”
Mensageiro de Amor, de Paz e de Luta.
Que acabará de vez com os filhos da TAL.
ARFER
sexta-feira, 28 de maio de 2010
DE LISBOA; ONDE NASCI.
1ª PARTE -DOS 0 AOS 26 - EXTRACTO DE UMA VIDA.
Na Graça, na prenhe mãe, em alto morro,
Crescendo em seu útero, nunca foi dor.
O rebento foi nascer lá para o Socorro
E hoje escreve e canta, espalha Amor.
Passaram tantos Sóis, desde esse dia,
Na Lisboa qual jardim em que medraste
Cheio de sonhos, de esperança e fantasia,
No canteiro, que era o bairro em que moraste.
Da janela da casa vias o Rio,
As fragatas e as luzes do Barreiro
Ouvias as sirenes do navio,
Nos dias em que havia nevoeiro.
Cresceste e na escola onde andaste
Encontraste o teu primeiro amor
Rosa era o seu nome e nela achaste
O perfume inebriante de uma flor.
O tempo passou e em tal jardim,
Cheiraste o perfume de outras flores,
Belas, lindas, mas mesmo assim
Foste procurando outros amores.
Porem, à tua volta, vias também
Um Mundo pleno de desigualdade,
Mas, onde sempre havia alguém
Que pugnava pela vida em Liberdade.
Se a Liberdade é Vida, tu seguiste
Aqueles que lutavam pelo futuro.
E aí, foi quando decidiste
Trilhar pelo caminho que era mais duro.
Veio a tropa, havia guerra e resistência
Mas ficaste cá, peça de um puzle anónimo,
Que afincadamente combatia, com veemência
Pela Liberdade, na quinta do António.
Amores, foram, vieram tal qual o vento
Amaste, sentindo o seu perfume, foste feliz.
Delas cuidaste, sendo sempre teu intento
Nunca arrancar nenhuma pela raiz.
E ainda hoje guardamos amizade,
Pois sempre convivemos com a verdade.
ARFER
segunda-feira, 24 de maio de 2010
O DIREITO À CIDADANIA É UMA CONSTRUÇÃO
O REGRESSO DO MOSTRENGO
"O mostrengo que está no fim do mar
Na noite de breu ergueu-se a voar."
FERNANDO PESSOA, Mensagem
O mostrengo não está no fim do mar.
Ocupa as ruas, bate à nossa porta,
vomita chamas na cidade morta,
escreve garatujas no luar.
Ei-lo que espreita em cada patamar
pronto a saltar-nos à garganta. Importa
lançar brados de alerta à malta absorta
que se deixou nos ventos embalar.
De pé! O monstro volta! Unir fileiras!
Deixemos as diferenças das bandeiras:
É preciso avançar em marcha unida.
A nossa força é sermos um só povo
e uma só terra a defender de novo.
A morte do mostrengo é a nossa vida!
Carlos Domingos
___________________________________________________
quinta-feira, 20 de maio de 2010
A POESIA É ISTO
A POESIA É ISTO. É SÍNTESE, É RELATO, É OPINIÃO, É SENTIMENTO. MESMO QUE DISTANCIADA TEMPORALMENTE, É SEMPRE ACTUAL.
Ao desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
No Mundo grandes tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
LUÍS VAZ DE CAMÕES
Dificuldade de Governar
1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é didícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chancheler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher podia ficar grávida.Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se-ia a nascer o sol
Sem autorização do Führer?
Não é provável e, se o fosse,
Nasceria por certo fora do lugar.
2.
É também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do
industrial aos camponeses: quem,
Senão ele, lhes poderia falar da existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidde de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
BERTOLD BRECHT
QUADRAS SOLTAS DE “ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO”
À guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra,
Vendo a guerra em terra alheia,
Não querem que acabe a guerra.
Depois de tanta desordem,
Depois de tam dura prova,
Deve vir a nova ordem,
Se vier a ordem nova
Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.
Vemos gente bem vestida,
No aspecto desassombrada;
São tudo ilusões da vida,
Tudo é miséria dourada.
Os novos que se envaidecem
P’lo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.
ANTÓNIO ALEIXO
TEXTO E POEMA DE CARLOS DOMINGOS
Decorreu hoje o 56º aniversário do bárbaro assassinato de Catarina Eufémia.
Trabalhadora rural de Baleizão (Baixo Alentejo), participou activamente nas lutas por melhores jornas, contra o desemprego, pela paz e pela liberdade. Organizou as mulheres da sua terra, de forma que elas foram, a partir daí, quem mais activou essas lutas, suplantando os próprios homens.
No dia 19 de Maio de 1954, à frente dum grupo de mulheres que exigiam trabalho, enfrentando um pelotão da G.N.R. comandado pelo famigerado tenente Carrajola, Catarina Eufémia, com um filho ao colo e outro no ventre, gritou: «Nós só queremos pão, trabalho e paz!». O tenente Carrajola disparou então a sua pistola-metralhadora e, com vários tiros, assassinou a jovem Catarina, que logo ali caiu, esvaída em sangue.
Catarina Eufémia ficou como símbolo da mulher trabalhadora na luta contra o fascismo a troco da sua própria vida.
Vários poetas cantaram a heroína nos seus versos. Podemos citar os poemas de Papiniano Carlos, José Prudêncio, Ary dos Santos, o cantor José Afonso, Carlos Domingos e muitos, muitos outros.
CATARINA
Com três balas ceifaram o teu grito.
Com três balas roubaram o teu pão.
Com três balas lavraram o teu chão
que se enquistou em espasmos de granito.
Com três balas ficou o teu nome escrito
no coração da terra – coração
que rebentou em fúrias de vulcão,
memória aberta sobre o infinito.
Brotam canções da terra ensanguentada.
Catarina é bandeira, raiva hasteada
desta revolta vinda à superfície.
E os lobos tremem mal ecoam passos,
mal sopram vozes, mal se agitam braços
ou o vento se levanta na planície.
CARLOS DOMINGOS
Ao desconcerto do Mundo
Os bons vi sempre passar
No Mundo grandes tormentos;
E pera mais me espantar,
Os maus vi sempre nadar
Em mar de contentamentos.
Cuidando alcançar assim
O bem tão mal ordenado,
Fui mau, mas fui castigado:
Assim que, só pera mim,
Anda o Mundo concertado.
LUÍS VAZ DE CAMÕES
Dificuldade de Governar
1.
Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é didícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chancheler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher podia ficar grávida.Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se-ia a nascer o sol
Sem autorização do Führer?
Não é provável e, se o fosse,
Nasceria por certo fora do lugar.
2.
É também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas enchiam-se de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do
industrial aos camponeses: quem,
Senão ele, lhes poderia falar da existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o lavrador?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.
3.
Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidde de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.
4.
Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?
BERTOLD BRECHT
QUADRAS SOLTAS DE “ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO”
À guerra não ligues meia,
Porque alguns grandes da terra,
Vendo a guerra em terra alheia,
Não querem que acabe a guerra.
Depois de tanta desordem,
Depois de tam dura prova,
Deve vir a nova ordem,
Se vier a ordem nova
Eu não sei porque razão
Certos homens, a meu ver,
Quanto mais pequenos são
Maiores querem parecer.
Vemos gente bem vestida,
No aspecto desassombrada;
São tudo ilusões da vida,
Tudo é miséria dourada.
Os novos que se envaidecem
P’lo muito que querem ser
São frutos bons que apodrecem
Mal começam a nascer.
ANTÓNIO ALEIXO
TEXTO E POEMA DE CARLOS DOMINGOS
Decorreu hoje o 56º aniversário do bárbaro assassinato de Catarina Eufémia.
Trabalhadora rural de Baleizão (Baixo Alentejo), participou activamente nas lutas por melhores jornas, contra o desemprego, pela paz e pela liberdade. Organizou as mulheres da sua terra, de forma que elas foram, a partir daí, quem mais activou essas lutas, suplantando os próprios homens.
No dia 19 de Maio de 1954, à frente dum grupo de mulheres que exigiam trabalho, enfrentando um pelotão da G.N.R. comandado pelo famigerado tenente Carrajola, Catarina Eufémia, com um filho ao colo e outro no ventre, gritou: «Nós só queremos pão, trabalho e paz!». O tenente Carrajola disparou então a sua pistola-metralhadora e, com vários tiros, assassinou a jovem Catarina, que logo ali caiu, esvaída em sangue.
Catarina Eufémia ficou como símbolo da mulher trabalhadora na luta contra o fascismo a troco da sua própria vida.
Vários poetas cantaram a heroína nos seus versos. Podemos citar os poemas de Papiniano Carlos, José Prudêncio, Ary dos Santos, o cantor José Afonso, Carlos Domingos e muitos, muitos outros.
CATARINA
Com três balas ceifaram o teu grito.
Com três balas roubaram o teu pão.
Com três balas lavraram o teu chão
que se enquistou em espasmos de granito.
Com três balas ficou o teu nome escrito
no coração da terra – coração
que rebentou em fúrias de vulcão,
memória aberta sobre o infinito.
Brotam canções da terra ensanguentada.
Catarina é bandeira, raiva hasteada
desta revolta vinda à superfície.
E os lobos tremem mal ecoam passos,
mal sopram vozes, mal se agitam braços
ou o vento se levanta na planície.
CARLOS DOMINGOS
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