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segunda-feira, 23 de abril de 2012

25 DE ABRIL (1974/2012)

ABRIL EM PORTUGAL

38 ANOS DEPOIS- LIBERDADE?!


Em 25 de Abril a ação do Povo e do MFA foi a chave que abriu as portas da esperança a um povo amordaçado. Trouxe o sabor da palavra LIBERDADE, particularmente, a todos os que nas prisões de Caxias, Aljube ou Peniche, na clandestinidade, nos campos, nas fábricas, nas escolas, nas coletividades, cooperativas e sindicatos sempre resistiram, enfrentando a intimidação e a repressão de um regime fascista, responsável por 13 anos de guerra colonial, pela emigração clandestina de centenas de milhar de portugueses e por uma taxa de analfabetismo não comparável à de qualquer outro país europeu.

Uma esperança que crescia com a Liberdade, feita cravo de junho em 25 de Abril nos canos das espingardas. Este era o sinal de um novo caminho, o início de uma viragem histórica, que mais do que uma recordação é uma luta que persiste, um caminho que, ainda, falta cumprir.

Muito do que foi jurado, em 2 de Abril de 1976, com a aprovação da Constituição da República Portuguesa, não se cumpriu.

E a esta distância não deixa de ser curioso e significativo pensar que no dia 26 de Abril de 1974 todo, ou quase todo o Portugal, era democrata e revolucionário, o que significaria, à priori, que o fascismo, o colonialismo, analfabetismo e a repressão, só faria parte do imaginário de alguns. Esta será uma das primeiras lições a tirar, como cumprir uma constituição tão progressista, com este quadro de hipocrisia?

A segunda lição reflete-se na forma como nos acomodámos a uma democracia representativa e nos esquecemos de estar atentos e lutar, no uso do direito que a Lei Fundamental nos confere, em cada momento crucial para o cumprimento dos Direitos e as Liberdades garantes de uma vida melhor e mais justa para todos.

Com os desgovernos dos que representam os mandantes do regresso ao passado, hoje, já nem todos têm escola, hoje 100 estudantes por dia desistem dos seus cursos universitários, por não terem como pagá-los. Hoje voltámos a ter “homens que nunca foram meninos”, gente no desemprego, fome e medo. O nosso quotidiano é gerido por uma informação distorcida e eivada de inverdades, onde há dita sem contradita e a presença de políticos e comentadores que são hábeis na utilização do tal “Manto diáfano que esconde a verdade “é constante porque o mais importante, para eles, é que todos tenhamos a certeza de que a realidade por que passamos, embora injusta é necessária, ou seja temos que aceitar ser, mais uma vez explorados, convictos de que não há outras alternativas.

Porém o direito de votar é livre, por isso a observação atenta é fundamental para que, na hora de decidir em quem votar, a cruzinha seja colocada no quadradinho certo, com a consciência de que o fazemos pensando que, ao fazê-lo, optámos pelo bem da sociedade de que fazemos parte, tendo em conta o presente e o futuro.

Mas o voto será mesmo um exercício de liberdade, neste contexto de manipulação dos portugueses? Como prenda de ABRIL corresponde a um direito que anteriormente não tinhamos, significando, deste modo uma conquista da Liberdade, mas não é a arma do Povo, como nos tentam fazer crer. Só poderá ser uma arma do Povo, quando a cidadania for um ato real de participação quotidiana na vida coletiva, quando soubermos compreender o mundo em que vivemos e formos capazes de construir um futuro melhor para todo. Nesta cruzada o conhecimento, a memória e o amor são de facto armas eficazes.

Os que nos têm desgovernado nas três décadas pós - ABRIL, contam com o apoio de “Grandes Famílias Grandes Empresas” (Edições D. Quixote), que como se de um jogo de Xadrez se trate, basta-lhes mudar umas pedras no tabuleiro do poder. Manter o Rei, a Rainha e os Bispos, porque as Torres da resistência estão e são limitadas nas ações que o jogo de interesses impõe e, quanto aos Peões, jogam no pressuposto da memória curta, das crises criadas por eles próprios e dos MEDOS que levam à sujeição à Lei da Oferta e da Procura em que os peões são vistos e tratados como mercadoria negociável e descartável.

Se muito protestarem, sacodem-se umas migalhas da toalha da abastança do Poder, com pequenas cedências aqui e ali. Receita conhecida. A política de benesses e comendas, da cunha institucionalizada, do compadrio e silêncios cúmplices, produtora de ricos cada vez mais ricos e pobres cada vez mais pobres, torna este canteiro à beira mar plantado (ora sujeito à ingerência externa – autoridade que o povo não lhe conferiu) no país europeu onde as desigualdades sociais são mais evidentes e se acentuam passo a passo.

HÁ QUE DIZER BASTA!... 38 Anos depois onde está a Liberdade?!

O conhecimento e o empenho coletivo são as armas mais eficazes para combater o obscurantismo, as ditaduras camufladas que levam às desigualdades sociais, tenham o nome que tiverem.

Recordar e Viver o ABRIL que floresceu em MAIO, é ter esperança num futuro mais justo, mais fraterno e mais igual. É CONTINUAR A LUTAR PELA LIBERDADE.

ARFER



domingo, 22 de abril de 2012

MÃE TERRA



HÁ CEM ANOS ÉRAMOS 1700 MILHÕES, HOJE SOMOS QUATRO VEZES MAIS.



A água é cada vez mais escassa e a poluição vai aumentando. Curiosamente é do país que mais polui a nossa atmosfera e que mais intensamente tem explorado os recursos do PLANETA AZUL, que nasceu a ideia de que é preciso salvar a Terra. Isto há 40 anos, em 22 de Abril de 1970.

Em 2010, o presidente da Bolívia, Evo Morales, na Assembleia Geral das Nações Unidas, inspirado na tradição boliviana de chamar o planeta de Pacha Mama, que na linguagem quíchua quer dizer “Mãe do Mundo”, em referência à divindade máxima dos povos andinos. sugeriu que data fosse denominada “Dia Internacional da Mãe Terra”, proposta que foi aprovada por unanimidade.

Acham que a Biodiversidade, a Mãe Natureza, teve melhoras desde essa data?

Ou, por ventura de alguns e desgraça de todos, os índices de poluição têm aumentado assustadoramente, com o derrube das florestas, pulmão da nossa MÃE TERRA. MEDITEM...Mas façam qualquer coisa, se nada fizerem, pelo menos passem a mensagem: “ FIM À EXPLORAÇÂO INTENSIVA DA TERRA, QUE È DE TODOS”.

ARFER


SINTESE

Tudo tem um ciclo de vida
A TERRA também o tem.
Não é preciso ser sábio
Para isto se entender
Mas "matar" antes do tempo
Não é fácil perceber.
Há que travar a ganância
E a vil exploração.
Se um dia todos quisermos
unidos pelo mesmo amor.
A Terra será para todos
e o Mundo será melhor.

ARFER

domingo, 8 de abril de 2012

DOMINGO DE PASCOA

SEIS LETRAS APENAS



Podemos ser o que quisermos.
Antes de mais, somos o que somos,
Seremos lembrados por tudo o que fizermos,
Com a certeza de que também erramos.
O princípio e o fim é o certo que nós temos.
A razão porque somos seres humanos.



Que o “P” de Páscoa signifique: - Pão, Paz e Paridade.


ARFER

E  COMO "OFERTA", UM POEMA DE:
 * FERNANDO TAVARES MARQUES*

PÁSCOA

Era sexta-feira.
Mataram o Homem
porque os incomodava.
Nessa sexta-feira
mataram a vida
que não conseguiam entender.
Um gesto gerador
de tanta “mea-culpa”
que foi capaz de corroer a História
até hoje.
E quantos “matamos” nós
simplesmente porque os não entendemos?
A quantos “julgamentos”
Somos chamados a presidir,
apenas vestidos
Da nossa precária condição de seres humanos?
Saibamos assumir a justiça
da vida plena do outro,
antes que a solidão nos mate,
por falta de eco
no coração de alguém
a quem possamos dizer:
- ALELUIA!


De FERNANDO TAVARES MARQUES







sábado, 7 de abril de 2012

DIA DA MULHER MOÇAMBICANA




HOJE 7 DE ABRIL É O DIA CONSAGRADO À MULHER MOÇAMBICANA



DATA DA MORTE FÍSICA DE UMA MULHER QUE LUTOU PELA SUA EMANCIPAÇÃO


Josina Machel (em solteira, Josina Muthemba) foi uma das jovens que na juventude fugiu de Moçambique para se integrar na Frelimo e lutar pela independência do seu país. Em 1969, Josina casou-se com Samora Machel Primeiro presidente de Moçambique, a quem deu um filho, mas morreu no dia 7 de Abril de 1971, vítima de doença. Com a independência de Moçambique, este dia foi consagrado como o Dia da Mulher Moçambicana.

A cidadania é muito mais que o direito de votar, implica a igualdade de oportunidades, principio que vigora desde a primeira Constituição de Moçambique (1975) mas que é melhor explicitado no artigo 67º da Constituição de 1990, cito: - “O homem e a mulher são iguais perante a lei em todos os domínios da vida política, económica, social e cultural.”

Malangatana Valente Ngwenya, DEDICA GRANDE PARTE DA SUA OBRA À mulher MOÇAMBICANA, vê-a como um pilar da sociedade, assumindo frequentemente o papel de pai e MÃE, enfrentando no dia-a-dia a parte maior das dificuldades que a vida impõe. Nesta frase, o Mestre, revela o seu sentir “não estou desiludido com a mulher com quem casei. Ela é superior a mim".

Hoje é dia de celebração, é feriado em Moçambique, que seja, também, de consolidação e esclarecimento quanto à caminhada a fazer para que augurem, num futuro próximo, a equidade de oportunidades a que têm direito.

ARFER

Escolhi estas palavras de JOSÉ CRAVEIRINHA, Extraídas de: “CRAVEIRINHA, José. Obra Poética. Maputo: Direcção de Cultura, Universidade Eduardo Mondlane, 2002. .


REMENDOS DE ESTRELAS

Remendos de estrelas
passajadas no espaço
reconstroem todo o céu.

Mãe:

E se não houvesse estrelas
se o teu ventre me não gerasse
e se o céu em vez de infinito
fosse de pergamóide azul?

Que espécie de poesia, mãe
faria um poeta que não renuncia
exatamente como eu
à cor com que nasceu?

E COM UM POUCO DE MÚSICA E RITMO COM “CHEIRO” DE MOÇAMBIQUE.

É DIA FESTIVO !!!







quinta-feira, 29 de março de 2012

MILLÔR FERNANDES

O MUNDO ficou mais pobre, Millôr Fernandes decidiu ir ter com Chico Anysio, dois gênios das artes, das letras com humor, do pensamento, da irreverência inteligente, do bom gosto.



AQUI VOS DEIXO O POEMA DE QUE MAIS GOSTO, DESTE GÉNIO CRIADOR

Poesia Matemática

Às folhas tantas
do livro matemático
um Quociente apaixonou-se
um dia
doidamente
por uma Incógnita.
Olhou-a com seu olhar inumerável
e viu-a do ápice à base
uma figura ímpar;
olhos rombóides, boca trapezóide,
corpo retangular, seios esferóides.
Fez de sua uma vida
paralela à dela
até que se encontraram
no infinito.
"Quem és tu?", indagou ele
em ânsia radical.
"Sou a soma do quadrado dos catetos.
Mas pode me chamar de Hipotenusa."
E de falarem descobriram que eram
(o que em aritmética corresponde
a almas irmãs)
primos entre si.
E assim se amaram
ao quadrado da velocidade da luz
numa sexta potenciação
traçando
ao sabor do momento
e da paixão
retas, curvas, círculos e linhas sinoidais
nos jardins da quarta dimensão.
Escandalizaram os ortodoxos das fórmulas euclidiana
e os exegetas do Universo Finito.
Romperam convenções newtonianas e pitagóricas.
E enfim resolveram se casar
constituir um lar,
mais que um lar,
um perpendicular.
Convidaram para padrinhos
o Poliedro e a Bissetriz.
E fizeram planos, equações e diagramas para o futuro
sonhando com uma felicidade
integral e diferencial.
E se casaram e tiveram uma secante e três cones
muito engraçadinhos.
E foram felizes
até aquele dia
em que tudo vira afinal
monotonia.
Foi então que surgiu
O Máximo Divisor Comum
freqüentador de círculos concêntricos,
viciosos.
Ofereceu-lhe, a ela,
uma grandeza absoluta
e reduziu-a a um denominador comum.
Ele, Quociente, percebeu
que com ela não formava mais um todo,
uma unidade.
Era o triângulo,
tanto chamado amoroso.
Desse problema ela era uma fração,
a mais ordinária.
Mas foi então que Einstein descobriu a Relatividade
e tudo que era espúrio passou a ser
moralidade
como aliás em qualquer
sociedade.

Millôr Fernandes

Texto extraído do livro "Tempo e Contratempo", Edições O Cruzeiro - Rio de Janeiro, 1954, pág.



terça-feira, 27 de março de 2012



Mudjer é morabeza /Mudjer é beleza di frenti /Mudjer é futuru Prisenti


27 DE MARÇO – DIA DA MULHER CABOVERDIANA.


MULHER de um PAÍS onde do quase nada se faz quase tudo e da DIÁSPORA que suplanta quantitativamente os que lá vivem.

MULHER MÃE, MULHER DE TRABALHO, MULHER QUE EDUCA, MULHER DE LUTA, MULHER SUSTENTÁTUCULO DO FUTURO DO PAÍS, que foi e é ponto de encontro de muitas culturas, ele próprio detentor de uma imensa cultura, eivada de multiculturalidade.

Na paz e MORABEZA fica a SODADE que a mulher traz consigo e que, esteja onde estiver, espalha o perfume desse berço de dez pérolas do Atlântico.

Deixo aqui as PALAVRAS de VERA DUARTE  em forma de POESIA, uma embaixadora da Cultura de Cabo Verde, a voz de NANCY VIEIRA que espalha o perfume melódico da musica de raiz cultural caboverdiana.

ARFER

Palavra na POESIA de VERA DUARTE:
Ai se um dia chovesse


Ai se em Outubro chovesse
a terra molhasse
o milho crescesse
e a fome acabasse

Ai se o homem sorrisse
a terra molhasse
a fome acabasse
e a chuva caísse

Ai se um dia...
Acordemos, camaradas,
As chuvas de Outubro não existem!
O que existe
É o suor cansado

Dos homens que querem
O que existe
É a busca constante
Do pão que abundante virá

Homens, mulheres, crianças
Na pátria livre libertada
Plantando mil milharais
Serão a chuva caindo
Na nossa terra explorada

O CANTO NA DOCE VOZ DA MULHER/MÃE CABOVERDIANA



E RECORDO UMA MULHER QUE "VOOU" DO MINDELO ATÉ PARIS, deixando o
perfume da MORNA da BOAVISTA, consagrada na SODADE.

RECORDANDO

Descalça ia para o PALCO
A DIVA com tal candura,
Não formosa, mas segura.
Em tantos palcos cantou,
Do Mindelo até Paris
E tantas saudades deixou
No povo que tanto a quis.
Não foi, ficou ente nós
O registo da sua imagem
E o encanto da sua voz.

ARFER


quarta-feira, 21 de março de 2012

A NATUREZA DO HOMEM


DIAS 21 e 22 de MARÇO



Dias plenos de crer e intensidade
Onde tudo se relaciona, e na verdade
Se todos entendessem o seu significado,
Bem seria para toda a humanidade.


ALGUMAS INTERROGAÇÕES:

- Serão as desigualdades fruto da injustiça ou é a injustiça fruto das desigualdades?

- Será que a liberdade é possível havendo fome? Para onde caminha o planeta azul que até podia ser vermelho se o planeta Marte não tivesse já esse cognome?

O que pensamos nós, se sabemos que:
Muito poucos poluem o que muitos limpam. Uns, poucos, sacodem as migalhas da mesa farta e com esses restos muitos outros enganam a fome. Uns, poucos, arrasam florestas e muitos outros fazem campanhas para as plantar. Muito poucos são donos de terras por cultivar e muitos camponeses morrem por as querer trabalhar. Porque dia VINTE E DOIS é o dia Mundial da ÁGUA lembro que :- Muito poucos poluem a atmosfera, os rios, as ribeiras, os lençóis aquíferos e ainda outros enchem piscinas diariamente, enquanto milhões de seres vivem (ou sobrevivem) com dois litros de água por dia.

DIA VINTE E UM : É o dia que assinalou o chegar da Primavera (no hemisfério norte do planeta Terra), o renascer dos campos floridos e, já agora, que seja também o reavivar das memórias e nos traga um sentimento de esperança de um Mundo mais fraterno. É, também, o DIA MUNDIAL DA FLORESTA, que tem como objetivo lembrar e sensibilizar os cidadãos de todo o Mundo para a importância que a sua preservação tem para a manutenção da VIDA no planeta Terra, palco da humanidade. Palco onde cada um de nós é um ator, numa peça continuada, desempenhando papéis diferenciados das obras de muitos autores. DIA VINTE E SETE É DIA MUNDIAL DO TEATRO, um dia de todos nós, que participamos em dramas, tragédias e comédias no dia a dia das nossas vidas. Bem haja para os que com o saber e a arte de dizer nos trazem o sabor da palavra e a riqueza do conhecimento.

VINTE E UM é, também, o DIA INTERNACIONAL CONTRA A DESCRIMINAÇÃO RACIAL, instituído pela ONU, que marca a data trágica de um massacre havido na África do Sul em 21 de Março de 1960. Não gosto de abordar o tema quanto ao facto, à data ou à cor da pele, porque qualquer dia, dos 365 ou 366 do ano, podia exigir este avivar da memória. Ao longo da história da humanidade povos de todas as raças e credos foram sujeitos à escravatura, à descriminação social e racial, por isso desejo que todos os dias sejam dias de todas as causas e evocações.

E porque a poesia marcou o DIA fica uma pequena quadra, sem rima. – quatro versos apenas:


Ao chegar a Primavera , cuidámos da Floresta.
É dia da Poesia e do Teatro, por isso, dia festivo.
Da igualdade entre os povos de cor e credos diferentes.
Pois da vontade do outro, nenhum de nós é cativo.

HOJE 22 DE MARÇO - Data em que a ONU determinou que fosse o dia MUNDIAL DA ÀGUA , o bem mais precioso, sem ele não haveria dias da poesia, do teatro, da árvore, nem carnavais ou Natais, simplesmente não haveria VIDA, tal como a conhecemos, ficam as imagens da poluição e da seca, para que todos não esqueçam que o BEM MAIS VALIOSO DE TODOS OS BENS É A ÁGUA.

21 DE MARÇO – DIA MUNDIAL DA POESIA

Neste dia, em todo o Mundo haverá tertúlias, récitas e encontros, falar-se-á de poesia, dos grandes poetas, relegando a poesia popular para segundo plano.
No espaço da lusofonia há e sempre houve grandes poetas, com obras de rara dimensão, como: os portugueses - Luiz Vaz de Camões, Cesário Verde, Fernando Pessoa - Os brasileiros Drumond de Andrade, Vinicius de Moraes e Castro Alves, de Moçambique José Craveirinha, de Angola Agostinho Neto e de Cabo Verde (Terra de tantos poetas) Amílcar Cabral e Eugénio Tavares. Estes são alguns de grandes poetas de língua portuguesa. Mas hoje quero lembrar JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS, poeta da liberdade, e ANTÓNIO ALEIXO, cauteleiro e pastor de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé ( Algarve - Portugal )que é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia. Para reflexão faço uma postagem de algumas quadras da obra “ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO”, em parte improvisações registadas, carregadas de sensibilidade, experiência de vida e análise profunda e, também o odor de LIBERDADE sentido no soneto de ARY DOS SANTOS, “MULHER MAIO”.

ARFER



MULHER MAIO

Bom dia, minha amiga, digo em Maio

Es uma rosa à beira de um tractor

Neste campo de Abril onde não caio

Anossa sementeira já deu flor.

:
Bom dia, minha amiga, eu sou um gaio,

Um pássaro liberto pela dor;

Tu és a companheira donde saio

Mais limpo de mim próprio, mais amor.

:
Bom dia, meu amor, estamos primeiro

Neste tempo de Maio a tempo inteiro,

Contra o tempo do ódio e do terror.

:
Se tu és camponesa, eu sou mineiro.

Se carregas no ventre um pioneiro,

Dentro de ti, eu fui trabalhador.


JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS



QUADRAS SOLTAS


Que importa perder a vida

Em luta contra a traição,

Se a Razão mesmo vencida,

Não deixa de ser Razão


Embora os meus olhos sejam,

Os mais pequenos do Mundo

O que importa é que eles vejam

O que os homens são no fundo


Não sou esperto nem bruto

Nem bem nem mal educado;

Sou simplesmente o produto

Do meio em que fui criado.


ANTONIO ALEIXO

quarta-feira, 7 de março de 2012

BLIMUNDA - TODAS AS MULHERES

“À MULHER”


Porque o projeto “OFICINA SARAMAGO” está em curso, nos concelhos do Barreiro e Moita, até Novembro de 2012, decidi, no dia da MULHER, lembrar BLIMUNDA, que talvez dissesse isto: -

Á

Mulher anónima, mulher livre,

Universo em si, fonte de vida.

Lutadora, sempre cuidando de alguém.

Havendo em ti a força da verdade,

Ergue-te das brumas que te oprimem,

Reclama o teu direito à igualdade.

Jose Saramago trata as personagens femininas de forma especial, numa critica criativa aos seus diferentes comportamentos. BLIMUNDA, a MULHER nascida do seu imaginário, em “Memorial do Convento”, estaria (hoje) com toda a certeza a comemorar o:

“8 de Março Dia Internacional da Mulher”

- Factos da história: -

No dia 8 de Março do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas para as 10 horas diárias. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". Em 1977, as Nações Unidas proclamam o dia 8 de Março como o:- Dia Internacional dos Direitos da Mulher e da Paz.

LEMBRANDO O “MEMORIAL”:

BLIMUNDA e a sua capacidade extraordinária de “VÊR” o “mundo” que a rodeia, uma sociedade em que a riqueza faustosa de poucos, contrastava com a miséria de muitos.

A rainha Maria Ana, uma mulher triste, insatisfeita, vivendo uma espécie de casamento intermitente, alimentando o ego de fantasias sonhadas com o seu cunhado, redimindo-se dessas fraquezas através da oração, no papel de mulher submissa ao homem seu dono e aos padrões religiosos repressivos que lhe eram impostos.

A BLIMUNDA, não, é forte, inteligente, sensual, verdadeira e sem subterfúgios, genes que herdou de sua MÃE Sebastiana que, por ser uma mulher de alma forte e impoluta, foi banida para Angola.

BLIMUNDA vive liberta, não aceita regras que a escravizem enquanto SER (mulher). Pobre no TER e rica no SER, a ela e dado o direito ao AMOR, à LIBERDADE, à plenitude dos seus direitos. Vê o homem como um igual.

BLIMUNDA tem os poderes que todas as mulheres deveriam ter, os de exigir das sociedades de que fazem parte, o direito à igualdade de género.

BLIMUNDA está à frente no seu tempo e ensina-nos a ver o mundo sem máscaras nem hipocrisias e que é preciso sensibilidade e conhecimento para saber ver (os olhos não chegam para tudo ver).

Deixaria a todas as mulheres este recado: - “ É preciso vencer a cegueira vivendo intensamente. Não se submetam passivamente aos comportamentos sociais que vos são impostos. Exijam o lugar de direito que têm no MUNDO, na igualdade de género, nos direitos e deveres.

ARFER










quinta-feira, 1 de março de 2012

JOSÉ SARAMAGO ... O HOMEM !

PALAVRAS DITAS NA MOITA


A DANÇA É VIDA

Neste palco do MUNDO

Em que todos somos atores.

Na dança dos sonhos

Só se erguem HOMENS de sonho,             SARAMAGO

Na lucidez da sua cegueira,

Na dureza do seu caráter,

Nas palavras do seu Evangelho.

E na corrente da limpidez da sua PALAVRA

Carregada de sabedoria                                 SARAMAGO

Levar-nos-ia na “Jangada de Pedra”

Comandada por bom timoneiro

Ao encontro da “Ilha dos Sonhos”

Onde todos os homens e mulheres

Seriam livres e “Levantados do Chão”.       SARAMAGO

Nessa sua “Ilha desconhecida”

Em que múltiplas gentes

De todos os continentes,

Numa sinfonia multicultural,

Fariam dela a sua PÁTRIA.                           SARAMAGO

Nela honrariam a língua que os unia

Numa dança e num canto de louvor à LIBERDADE.

Por ela derramariam o seu “sangue”,

Pela igualdade no direito e no dever.


No sonho que nele habita                              SARAMAGO

Dessa tal “Ilha encantada«

Em que o SER dignifica

E o TER não lhe diz nada.



“Aquilo que nos une é bem mais forte do que o que por vezes nos separa.”

E o HOMEM disse:-

“ … Negar a minha Pátria é como rejeitar o meu próprio sangue…”

E o HOMEM interroga:

“ … Como é que se pode não pertencer á língua que se aprendeu,

A língua com que se comunica, neste caso a língua com que

se escreve?? …”


ARFER





quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

CARNAVAL BURLESCO



CARNAVALINHO - CARNAVALESCO - SE TEM BURLA É BURLESCO


CARNAVALINHO

Nestes dias de festança,

Eu desejo a toda a gente

Que no brincar tenham esperança

De que o amanhã é diferente.



P’ra Mestre de sala ou poeta,

A festa é sonho e alegria

E com papel e caneta

Os versos são fantasia.



Nas ruas fazem cortejos

E mentem nos Parlamentos

Em tempo de Carnaval

Os cavalos são jumentos.


O governo brinca com o POVO

Fingindo que é a sério

Emana Leis fraudulentas

Mascaradas de Critério



No Barreiro se houver,

Muitas cores e magia

É bom que se manifestem

Com redobrada alegria.



Uns mascaram-se, outros não.

Há os sempre mascarados

Que no meio da confusão

Pensam andar disfarçados.



E com as palavras brincamos

E desnudamos verdades

Com elas, também, lutamos

Por Justiça e LIBERDADE.



E que sejam Carnavais

Todos os dias do ano

Porque assim até os ossos

Ficam cheios de tutano.



Que se tenha nesta quadra

Alegria num fartote

Brinquem todos, aproveitem

Porque eu vou dar o pinote.



ARFER




quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Demasiado tarde

Amo-te muito, pai! É tão estranho

Que me apareça agora na memória

As palavras que nunca te disse, pai.

Essa espécie de distância, mas tão perto,

Não me dava alento e à-vontade

Para te dizer palavras tão simples

E que estiveram vezes sem conta

Entaladas entre o coração e a boca.

E não me lembro de tas ter dito, pai.



Pior do que isso, pai,

É sentir não to ter demonstrado

Com a força suficiente

Para que tu acreditasses.



O facto de me teres ensinado a tratar-te por você

Parece ter criado uma barreira intransponível

Que eu não soube compreender

Ser apenas uma forma de respeito mútuo

E que não devia esconder-me atrás dele

Para dizer-te mil vezes como te amava.



Julgava que esse não era muito o teu estilo.



Hoje, tenho a certeza que errei.

E como tu precisavas que eu to tivesse dito.



Desculpa, pai.



Ofereço-te as palavras da minha punição tardia:



“O esquecido beijo, enquanto vivo,

Não mo venhas dar depois de morto.”



E tenho medo, pai, um medo enorme

Que os meus filhos me possam fazer o mesmo.



É que a história, às vezes, repete-se ...



Fernando Tavares Marques

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Petição Manifesto Cante a Património Imaterial da Humanidade

Petição Manifesto Cante a Património Imaterial da Humanidade

O "CANTE" é Património Imaterial da cultura portuguesa, guardado na Memória Colectiva de gentes firmadas em raízes profundas, de origens remotas, que guardam saberes e memórias de vidas sofridas na luta pelo "PÃO", pelo trabalho, pelo amor à terra e por um futuro melhor. Trabalhadores da terra que nela assentam as suas raízes e as levam consigo para onde quer que partam.

Aqui fica uma quadra do "CANTE" Alentejano, marcante da sua ligação à terra.

Vou-me embora, vou-me embora /Não me vou embora não./Mesmo que me vá embora/Cá fica o meu coração.

Assinem pois a petição ..... Um abraço fraterno.

ARFER

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

N A T A L


Nada melhor do que ter


AMOR, PÃO e AMIZADE


Também é bom não esquecer


Aqueles que neste MUNDO


Lutam pela igualdade.






Sendo assim, que este NATAL


Nos sirva de reflexão


Sobre a tristeza que assola


As muitas casas sem PÃO


E os meninos sem ESCOLA.


SES:


Se acham bem o que digo


Se certos e do meu lado


Levem a quem não consigo


O que vai neste “RECADO”


Se ao nascer há IGUALDADE


Se na morte é tal e qual,


Porque é que durante a vida


Não há “espírito” de NATAL.


ARFER





PALAVRAS SÃO PALAVRAS

AS PALAVRAS (Parte I )


As palavras são tantas


As sílabas muitas mais,


Esdrúxulas, agudas e graves,


Consoantes e vogais,


Verbos e adjectivos


E pronomes pessoais.


Há na escrita que tu fazes


Pronomes e substantivos


Que evocam factos reais


Com ditos demonstrativos


Sejam veros ou banais.


Na forma de as “esgrimir”


Quanto a sonhos e emoções


Dás conta do teu sentir.


Ditas em prosa ou poesia


Plenas de tantas razões


Podem ser :


Estímulo de esperanças,


De mensagens de AMOR,


De louvor à LIBERDADE,


Do reavivar de lembranças


Dos tempos da mocidade.


ARFER

AS PALAVRAS (PARTE II )


Com as palavras “brincamos”

E desnudamos “verdades”

Com elas também lutamos

Por justiça e LIBERDADE.

Sendo assim, por esta frase:

“Nas festas do equinócio,

Muito mal vai o NEGÓCIO!”

E a culpa será de quem?

- Do Silva, do Coelho ou do Gaspar?

Eu sei !!! Não digo a nimguém!

Têm é que adivinhar!



E se então do “Rei Gaspar”

Ninguém quer ouvir falar

Se o que traz é “mirra”,

Estando nós já mirrados

E não o digo por birra

Se até estamos penhorados.



E de NA...TAL influência,

Por decisão dos “mercados”

Assentem NA...TAL imprudência

De nos manter penhorados

Os “brindes” deste NATAL,

São os decretos guardados.

ARFER