domingo, 31 de março de 2013
ABRIL ,,,ABRIL
O MÊS DOS CRAVOS VERMELHOS É PLENO DE EFEMÉRIDES E DATAS COMEMORATIVAS.
E PORQUE AMANHÃ NÃO TENHO TEMPO, CÁ VAI:
DIA UM – “DIA DAS MENTIRAS”
Curiosamente começa, não com uma efeméride, mas uma tradição que, tem ponto de partida, em França, no século XVI e, como os genes da mentira estão insuflados nas sociedades, o tradicional alicerçou-se em muitos países do planeta azul que deveria ser vermelho.
Como diz o POVO: - a brincar a brincar é que o macaco ,,,,,,” “brincando com coisas sérias”, em Portugal tem sido comum transpor esta tradição aos dias todos do ano,
mas neste BLOG não há desse produto.
Ainda que não haja verdades absolutas, as verdades são e serão sempre verdades.
Inventou-se recentemente o termo ou conceito representado pela palavra “inverdade”, mas isso na realidade não existe. É ou não é, eis a questão.
UM RESQUÍCIO DE “PALAVRAS DITAS”
Se o SIMPLESmente,
O EFICAZmente,
A SEGURAmente,
A ETERNAmente.
Porque é que TU
Haverias de ser diferente?
E ainda afirmo, que:
O PASSOS mente,
O GASPAR mente,
O PORTAS mente
E, de forma diferente
O senhor presidente.
Se é tanta a mentira
Que me assola a MENTE.
Colocados numa pira
Arderão certamente
E talvez depois,
Seja a VIDA diferente.
MAS ESTE MÊS HÁ DIAS A LEMBRAR:
DIA 2 “Dia Internacional do Livro infantil” Dia 18 “DIA INTERNACIONAL DOS MONUMENTOS E SÍTIOS” , dia 22 “DIA INTERNACIONAL DA TERRA” e dia 23 “DIA MUNDIAL DO LIVRO ….” SERÃO AQUI LEMBRADOS.
O DIA 25 DE ABRIL (QUE MUITO ME DIZ) TERÁ UM TRATO ESPECIAL.
** LEMBRO, TAMBÉM, QUE O DIA 22 DE ABRIL DE 1500 FOI CONSIDERADA A DATA OFICIAL, QUE ESTÁ NA GÉNESE DA FORMAÇÃO DO PAÍS ONDE A LINGUA PORTUGUESA É MAIS FALADA. (Também, terá o seu espaço merecido)
E PORQUE É O MÊS DA ESPERANÇA, AQUI FICA A LEMBRANÇA.
ARFER
quinta-feira, 28 de março de 2013
PÁSCOA FELIZ
SEIS LETRAS APENAS
Podemos ser o que quisermos.
Antes de mais, somos o que somos,
Seremos lembrados por tudo o que fizermos,
Com a certeza de que também erramos.
O princípio e o fim é o certo que nós temos.
A razão porque somos seres humanos.
Que o “P” de Páscoa signifique: - Pão, Paz e Paridade.
ARFER
PÁSCOA
Era sexta-feira.
Mataram o Homem
porque os incomodava.
Nessa sexta-feira
mataram a vida
que não conseguiam entender.
Um gesto gerador
de tanta “mea-culpa”
que foi capaz de corroer a História
até hoje.
E quantos “matamos” nós
simplesmente porque os não entendemos?
A quantos “julgamentos”
Somos chamados a presidir,
apenas vestidos
Da nossa precária condição de seres humanos?
Saibamos assumir a justiça
da vida plena do outro,
antes que a solidão nos mate,
por falta de eco
no coração de alguém
a quem possamos dizer:
- ALELUIA!
De FERNANDO TAVARES MARQUES
Podemos ser o que quisermos.
Antes de mais, somos o que somos,
Seremos lembrados por tudo o que fizermos,
Com a certeza de que também erramos.
O princípio e o fim é o certo que nós temos.
A razão porque somos seres humanos.
Que o “P” de Páscoa signifique: - Pão, Paz e Paridade.
ARFER
PÁSCOA
Era sexta-feira.
Mataram o Homem
porque os incomodava.
Nessa sexta-feira
mataram a vida
que não conseguiam entender.
Um gesto gerador
de tanta “mea-culpa”
que foi capaz de corroer a História
até hoje.
E quantos “matamos” nós
simplesmente porque os não entendemos?
A quantos “julgamentos”
Somos chamados a presidir,
apenas vestidos
Da nossa precária condição de seres humanos?
Saibamos assumir a justiça
da vida plena do outro,
antes que a solidão nos mate,
por falta de eco
no coração de alguém
a quem possamos dizer:
- ALELUIA!
De FERNANDO TAVARES MARQUES
terça-feira, 26 de março de 2013
DIA DA MULHER CABOVERDIANA
Mudjer é morabeza /Mudjer é beleza di frenti /Mudjer é futuru Prisenti
27 DE MARÇO – DIA DA MULHER CABOVERDIANA.
MULHER de um PAÍS onde do quase nada se faz quase tudo e da DIÁSPORA que suplanta quantitativamente os que lá vivem.
MULHER MÃE, MULHER DE TRABALHO, MULHER QUE EDUCA, MULHER DE LUTA, MULHER SUSTENTÁTUCULO DO FUTURO DO PAÍS, que foi e é ponto de encontro de muitas culturas, ele próprio detentor de uma imensa cultura, eivada de multiculturalidade.
Na paz e MORABEZA fica a SODADE que a mulher traz consigo e que, esteja onde estiver, espalha o perfume desse berço de dez pérolas do Atlântico.
Deixo aqui as PALAVRAS de VERA DUARTE em forma de POESIA, uma embaixadora da Cultura de Cabo Verde, a voz de NANCY VIEIRA que espalha o perfume melódico da musica de raiz cultural caboverdiana.
ARFER
Palavra na POESIA de VERA DUARTE:
Ai se um dia chovesse
Ai se em Outubro chovesse
a terra molhasse
o milho crescesse
e a fome acabasse
Ai se o homem sorrisse
a terra molhasse
a fome acabasse
e a chuva caísse
Ai se um dia...
Acordemos, camaradas,
As chuvas de Outubro não existem!
O que existe
É o suor cansado
Dos homens que querem
O que existe
É a busca constante
Do pão que abundante virá
Homens, mulheres, crianças
Na pátria livre libertada
Plantando mil milharais
Serão a chuva caindo
Na nossa terra explorada
E RECORDO, TAMBEM, UMA MULHER QUE "VOOU" DO MINDELO ATÉ PARIS, deixando o perfume da MORNA da BOAVISTA, consagrada na SODADE
RECORDANDO
Descalça ia para o PALCO
A DIVA com tal candura,
Não formosa, mas segura.
Em tantos palcos cantou,
Do Mindelo até Paris
E tantas saudades deixou
No povo que tanto a quis.
Não foi, ficou ente nós
O registo da sua imagem
E o encanto da sua voz.
ARFER
terça-feira, 19 de março de 2013
DIA DO PAI
Aqui fica o poema de um AMIGO ....
Demasiado tarde
Amo-te muito, pai! É tão estranho
Que me apareça agora na memória
As palavras que nunca te disse, pai.
Essa espécie de distância, mas tão perto,
Não me dava alento e à-vontade
Para te dizer palavras tão simples
E que estiveram vezes sem conta
Entaladas entre o coração e a boca.
E não me lembro de tas ter dito, pai.
Pior do que isso, pai,
É sentir não to ter demonstrado
Com a força suficiente
Para que tu acreditasses.
O facto de me teres ensinado a tratar-te por você
Parece ter criado uma barreira intransponível
Que eu não soube compreender
Ser apenas uma forma de respeito mútuo
E que não devia esconder-me atrás dele
Para dizer-te mil vezes como te amava.
Julgava que esse não era muito o teu estilo.
Hoje, tenho a certeza que errei.
E como tu precisavas que eu to tivesse dito.
Desculpa, pai.
Ofereço-te as palavras da minha punição tardia:
“O esquecido beijo, enquanto vivo,
Não mo venhas dar depois de morto.”
E tenho medo, pai, um medo enorme
Que os meus filhos me possam fazer o mesmo.
É que a história, às vezes, repete-se ...
Fernando Tavares Marques
Demasiado tarde
Amo-te muito, pai! É tão estranho
Que me apareça agora na memória
As palavras que nunca te disse, pai.
Essa espécie de distância, mas tão perto,
Não me dava alento e à-vontade
Para te dizer palavras tão simples
E que estiveram vezes sem conta
Entaladas entre o coração e a boca.
E não me lembro de tas ter dito, pai.
Pior do que isso, pai,
É sentir não to ter demonstrado
Com a força suficiente
Para que tu acreditasses.
O facto de me teres ensinado a tratar-te por você
Parece ter criado uma barreira intransponível
Que eu não soube compreender
Ser apenas uma forma de respeito mútuo
E que não devia esconder-me atrás dele
Para dizer-te mil vezes como te amava.
Julgava que esse não era muito o teu estilo.
Hoje, tenho a certeza que errei.
E como tu precisavas que eu to tivesse dito.
Desculpa, pai.
Ofereço-te as palavras da minha punição tardia:
“O esquecido beijo, enquanto vivo,
Não mo venhas dar depois de morto.”
E tenho medo, pai, um medo enorme
Que os meus filhos me possam fazer o mesmo.
É que a história, às vezes, repete-se ...
Fernando Tavares Marques
sábado, 16 de março de 2013
A NATUREZA E O HOMEM
DIAS de MARÇO
Dias plenos de crer e intensidade
Onde tudo se relaciona, e na verdade
Se todos entendessem o seu significado,
Bem seria para toda a humanidade.
ALGUMAS INTERROGAÇÕES:
- Serão as desigualdades fruto da injustiça ou é a injustiça fruto das desigualdades?
- Será que a liberdade é possível havendo fome? Para onde caminha o planeta azul que até podia ser vermelho se o planeta Marte não tivesse já esse cognome?
O que pensamos nós, se sabemos que:
Muito poucos poluem o que muitos limpam. Uns, poucos, sacodem as migalhas da mesa farta e com esses restos muitos outros enganam a fome. Uns, poucos, arrasam florestas e muitos outros fazem campanhas para as plantar. Muito poucos são donos de terras por cultivar e muitos camponeses morrem por as querer trabalhar. Porque dia VINTE E DOIS é o dia Mundial da ÁGUA lembro que :- Muito poucos poluem a atmosfera, os rios, as ribeiras, os lençóis aquíferos e ainda outros enchem piscinas diariamente, enquanto milhões de seres vivem (ou sobrevivem) com dois litros de água por dia.
DIA VINTE E UM : É o dia que assinalou o chegar da Primavera (no hemisfério norte do planeta Terra), o renascer dos campos floridos e, já agora, que seja também o reavivar das memórias e nos traga um sentimento de esperança de um Mundo mais fraterno. É, também, o DIA MUNDIAL DA FLORESTA, que tem como objetivo lembrar e sensibilizar os cidadãos de todo o Mundo para a importância que a sua preservação tem para a manutenção da VIDA no planeta Terra, palco da humanidade. Palco onde cada um de nós é um ator, numa peça continuada, desempenhando papéis diferenciados das obras de muitos autores. DIA VINTE E SETE É DIA MUNDIAL DO TEATRO, um dia de todos nós, que participamos em dramas, tragédias e comédias no dia a dia das nossas vidas. Bem haja para os que com o saber e a arte de dizer nos trazem o sabor da palavra e a riqueza do conhecimento.
VINTE E UM é, também, o DIA INTERNACIONAL CONTRA A DESCRIMINAÇÃO RACIAL, instituído pela ONU, que marca a data trágica de um massacre havido na África do Sul em 21 de Março de 1960. Não gosto de abordar o tema quanto ao facto, à data ou à cor da pele, porque qualquer dia, dos 365 ou 366 do ano, podia exigir este avivar da memória. Ao longo da história da humanidade povos de todas as raças e credos foram sujeitos à escravatura, à descriminação social e racial, por isso desejo que todos os dias sejam dias de todas as causas e evocações.
E porque a poesia marcou o DIA fica uma pequena quadra, sem rima. – quatro versos apenas:
Ao chegar a Primavera , cuidámos da Floresta.
É dia da Poesia e do Teatro, por isso, dia festivo.
Da igualdade entre os povos de cor e credos diferentes.
Pois da vontade do outro, nenhum de nós é cativo.
22 DE MARÇO - Data em que a ONU determinou que fosse o dia MUNDIAL DA ÀGUA , o bem mais precioso, sem ele não haveria dias da poesia, do teatro, da árvore, nem carnavais ou Natais, simplesmente não haveria VIDA, tal como a conhecemos, ficam as imagens da poluição e da seca, para que todos não esqueçam que o BEM MAIS VALIOSO DE TODOS OS BENS É A ÁGUA.
21 DE MARÇO – DIA MUNDIAL DA POESIA
Neste dia, em todo o Mundo haverá tertúlias, récitas e encontros, falar-se-á de poesia, dos grandes poetas, relegando a poesia popular para segundo plano.
No espaço da lusofonia há e sempre houve grandes poetas, com obras de rara dimensão, como: os portugueses - Luiz Vaz de Camões, Cesário Verde, Fernando Pessoa - Os brasileiros Drumond de Andrade, Vinicius de Moraes e Castro Alves, de Moçambique José Craveirinha, de Angola Agostinho Neto e de Cabo Verde (Terra de tantos poetas) Amílcar Cabral e Eugénio Tavares. Estes são alguns de grandes poetas de língua portuguesa. Mas hoje quero lembrar o poeta brasileiro CARLOS DRUMOND DE ANDRADE e ANTÓNIO ALEIXO, cauteleiro e pastor de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé ( Algarve - Portugal )que é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia. Para reflexão faço uma postagem de algumas quadras da obra “ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO”, em parte improvisações registadas, carregadas de sensibilidade, experiência de vida e análise profunda.
ARFER
A Palavra Mágica Certa palavra dorme na sombra
de um livro raro.
Como desencantá-la?
É a senha da vida
a senha do mundo.
Vou procurá-la.
Vou procurá-la a vida inteira
no mundo todo.
Se tarda o encontro, se não a encontro,
não desanimo,
procuro sempre.
Procuro sempre, e minha procura
ficará sendo
minha palavra.
Carlos Drummond de Andrade, in 'Discurso da Primavera'
QUADRAS SOLTAS
Que importa perder a vida
Em luta contra a traição,
Se a Razão mesmo vencida,
Não deixa de ser Razão
Embora os meus olhos sejam,
Os mais pequenos do Mundo
O que importa é que eles vejam
O que os homens são no fundo
Não sou esperto nem bruto
Nem bem nem mal educado;
Sou simplesmente o produto
Do meio em que fui criado.
ANTONIO ALEIXO
quinta-feira, 7 de março de 2013
MULHER ANÓNIMA
“À MULHER”
Decidi, no dia da MULHER, lembrar BLIMUNDA. JOSÉ SARAMAGO trata as personagens femininas de forma especial, numa critica criativa aos seus diferentes comportamentos. BLIMUNDA, a MULHER nascida do seu imaginário, em “Memorial do Convento”, estaria (hoje) com toda a certeza a comemorar o:“8 de Março Dia Internacional da Mulher”
- Factos da história: -
No dia 8 de Março do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas para as 10 horas diárias. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". Em 1977, as Nações Unidas proclamam o dia 8 de Março como o:- Dia Internacional dos Direitos da Mulher e da Paz.
LEMBRANDO O “MEMORIAL”:
BLIMUNDA e a sua capacidade extraordinária de “VÊR” o “mundo” que a rodeia, numa sociedade em que a riqueza faustosa de poucos, contrastava com a miséria de muitos.
A rainha Maria Ana, uma mulher triste, insatisfeita, vivendo uma espécie de casamento intermitente, alimentando o ego de fantasias sonhadas com o seu cunhado, redimindo-se dessas fraquezas através da oração, no papel de mulher submissa ao homem seu dono e aos padrões religiosos repressivos que lhe eram impostos.
A BLIMUNDA, não, é forte, inteligente, sensual, verdadeira e sem subterfúgios, genes que herdou de sua MÃE Sebastiana que, por ser uma mulher de alma forte e impoluta, foi banida para Angola.
BLIMUNDA vive liberta, não aceita regras que a escravizem enquanto SER (mulher). Pobre no TER e rica no SER, a ela e dado o direito ao AMOR, à LIBERDADE, à plenitude dos seus direitos. Vê o homem como um igual.
BLIMUNDA tem os poderes que todas as mulheres deveriam ter, os de exigir das sociedades de que fazem parte, o direito à igualdade de género.
BLIMUNDA está à frente no seu tempo e ensina-nos a ver o mundo sem máscaras nem hipocrisias e que é preciso sensibilidade e conhecimento para saber ver (os olhos não chegam para tudo ver).
Deixaria a todas as mulheres este recado: - “ É preciso vencer a cegueira vivendo intensamente. Não se submetam passivamente aos comportamentos sociais que vos são impostos. Exijam o lugar de direito que têm no MUNDO, na igualdade de género, nos direitos e deveres.ARFER
Lembro, também, JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS, neste soneto dedicado à MULHER:
MULHER MAIO
Bom dia, minha amiga, digo em Maio
És uma rosa à beira de um trator
Neste campo de Abril onde não caio
A nossa sementeira já deu flor.
Bom dia, minha amiga, eu sou um gaio,
Um pássaro liberto pela dor;
Tu és a companheira donde saio
Mais limpo de mim próprio, mais amor.
Bom dia, meu amor, estamos primeiro
Neste tempo de Maio a tempo inteiro,
Contra o tempo do ódio e do terror.
Se tu és camponesa, eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro,
Dentro de ti, eu fui trabalhador.
JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS
Bom dia, minha amiga, digo em Maio
És uma rosa à beira de um trator
Neste campo de Abril onde não caio
A nossa sementeira já deu flor.
Bom dia, minha amiga, eu sou um gaio,
Um pássaro liberto pela dor;
Tu és a companheira donde saio
Mais limpo de mim próprio, mais amor.
Bom dia, meu amor, estamos primeiro
Neste tempo de Maio a tempo inteiro,
Contra o tempo do ódio e do terror.
Se tu és camponesa, eu sou mineiro.
Se carregas no ventre um pioneiro,
Dentro de ti, eu fui trabalhador.
JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS
domingo, 10 de fevereiro de 2013
CARNAVAL ENGANADOR
CARNAVALINHO 2013
Nestes dias de festança,
Eu desejo a toda a gente
Que no brincar tenham esperança
De que o amanhã é diferente.
P’ra Mestre de sala ou poeta,
A festa é sonho e alegria
E com papel e caneta
Os versos são fantasia.
Nas ruas fazem cortejos
E mentem nos Parlamentos
Em tempo de Carnaval
Os cavalos são jumentos.
No Barreiro houve desfile
Europa o tema do dia
As crianças desfilaram
Com redobrada alegria.
Dos enganos do Gaspar
E por momentos pareceu
Que a “crise” estava a passar.
Se brincar faz muito bem
Brincando eu não esquecia
Quem nos tira o “pão” da boca
Com redobrada alegria-
Quem mentiu p’ra ser eleito
Quem “rouba” sem ser julgado
Quem se opõe, mas põe-se a jeito
Num parlamento encantado.
Estando á beira-mar plantado
Brinquemos que a vida é bela
Mas se, não tivermos cuidado
E atentos, lá vai Portugal à vela
Nestes dias é assim: -)
Uns mascaram-se, outros não.
Há os sempre mascarados
Que no meio da confusão
Pensam andar disfarçados.
Pois que sejam Carnavais
Todos os dias do ano
Porque assim até os ossos
Ficam cheios de tutano.
Que se tenha nesta quadra
Alegria num fartote
Brinquem todos, aproveitem
Porque eu vou dar o pinote.
quarta-feira, 16 de janeiro de 2013
NOTICIA - A LUZ AO FUNDO DO TÚNEL
A NOTICIA DO DIA
Não são luzes, são holofotes ao fundo do “túnel”. A esperança renasce. Depois da saga dos pastéis de nata, hoje com pompa e circunstância dois ministros inauguraram uma unidade produtiva de ovos estrelados para exportação. Eis que o sonho afinal vem eliminar os pesadelos constantes trazidos pelo governo de navegação à vista. Mas a nova aventura, a “saga dos ovos estrelados” vai resolver definitivamente o problema dos portugueses, não só pela criação de mais umas dezenas postos de trabalho, para contrapor aos milhares que se perdem em cada ano.
Porque são notícia, diariamente varias “notivelas” ou seja notícias que se tornam novelas, que se repetem em todos os canais de informação e desinformação, umas até nos dão gozo, como aquela que me fez recordar aquele encontro marcado no “Tavares Rico” com os Xeques árabes, com a premissa de negócios fabulosos, e José Mensurado (infelizmente já falecido) da RTP e outros dignos representantes da imprensa escrita (na época) que tanto riso fez correr, agora foi o representante da ONU que fez correr a tinta e as imagens, só que com esta cinzenta ditacracia os sorrisos, por vezes são apenas tímidos esgares. Mas aguardemos porque a dita terá sempre contradita.
Encomendam-se estudos ao estrangeiro para justificar a necessidade de implementar novas medidas recessivas, mas estas já nós temos aplicadas até à última gota. O nosso primeiro afirma perentoriamente que foi eleito para governar mas não o foi para desgovernar. Disse que dava mas afinal só tira para, diz ele, pagar a dívida que afinal aumenta é uma questão de honra … mas que honra???. Homem honrado não mente para ser eleito . Disse um dia um alto magistrado, cito “ … ainda há de nascer alguém mais sério do que eu …”, pois porque quase não se ri. Enfim, neste país à beira mar plantado do extremo ocidental da “jangada de pedra” pródigo na “produção” de comentadores, pagos por todos nós, fazedores de fretes, exceto alguns, que lá vão fazendo parte da marcha do “cantando e rindo” até à rotura final.
Mas não se esqueçam da mais importante nova … somos finalmente produtores e futuros exportadores de “OVOS ESTRELADOS”, ATÉ COMEÇARMOS A VER ESTRELAS !!!
BEM HAJA !!
ARFER
quinta-feira, 3 de janeiro de 2013
OSCAR NIEMEYER .- lembrando o HOMEM
AUTODEFINIÇÃO
Na folha branca de papel faço o meu risco.
Retas e curvas entrelaçadas.
E prossigo atento e tudo arrisco
na procura das formas desejadas.
São templos e palácios soltos pelo ar,
pássaros alados, o que você quiser.
Mas se os olhar um pouco devagar,
encontrará, em todos, os encantos da mulher.
Deixo de lado o sonho que sonhava.
A miséria do mundo me revolta.
Quero pouco, muito pouco, quase nada.
A arquitetura que faço não importa.
O que eu quero é a pobreza superada,
a vida mais feliz, a pátria mais amada.
Óscar Niemeyer
quinta-feira, 20 de dezembro de 2012
NATAL - QUE SEJAM TODOS OS DIAS
N A T A L
Nada melhor do que ter
AMOR, PÃO e AMIZADE
Também é bom não esquecer
Aqueles que neste MUNDO
Lutam pela igualdade.
Sendo assim, que este NATAL
Nos sirva de reflexão
Sobre a tristeza que assola
As muitas casas sem PÃO
E os meninos sem ESCOLA.
SES:
Se acham bem o que digo
Se certos e do meu lado
Levem a quem não consigo
O que vai neste “RECADO”.
Se ao nascer há IGUALDADE
Se na morte é tal e qual,
Porque é que durante a vida
Não há “espírito” de NATAL.
ARFER
PS. Isto sem falar daqueles que nos vêm como números sabendo que somos gente.
NATAL 2
Basta que sejas tu a construir
Os caminhos futuros da Verdade;
A paz, que interiormente irás sentir
Será o campo onde semeias felicidade.
Faz, despertar p’ra a vida, meigamente,
Essa flor que tens por coração;
Sorri, menino, aos homens que te dão
Tanta tristeza em vez de muito amor;
Afinal, o Mundo, só pode ser diferente
Se, com amor, Tu o tornares melhor.
Fernando Tavares Marques
Nada melhor do que ter
AMOR, PÃO e AMIZADE
Também é bom não esquecer
Aqueles que neste MUNDO
Lutam pela igualdade.
Sendo assim, que este NATAL
Nos sirva de reflexão
Sobre a tristeza que assola
As muitas casas sem PÃO
E os meninos sem ESCOLA.
SES:
Se acham bem o que digo
Se certos e do meu lado
Levem a quem não consigo
O que vai neste “RECADO”.
Se ao nascer há IGUALDADE
Se na morte é tal e qual,
Porque é que durante a vida
Não há “espírito” de NATAL.
ARFER
PS. Isto sem falar daqueles que nos vêm como números sabendo que somos gente.
NATAL 2
Basta que sejas tu a construir
Os caminhos futuros da Verdade;
A paz, que interiormente irás sentir
Será o campo onde semeias felicidade.
Faz, despertar p’ra a vida, meigamente,
Essa flor que tens por coração;
Sorri, menino, aos homens que te dão
Tanta tristeza em vez de muito amor;
Afinal, o Mundo, só pode ser diferente
Se, com amor, Tu o tornares melhor.
Fernando Tavares Marques
terça-feira, 30 de outubro de 2012
CULTURA E O PODER
Os Poderes e a Cultura e o Poder da Cultura
Os poderes, políticos, religiosos ou outros, podem, de forma intencional e em função dos interesses que os movem influenciar e evolução, fruição ou divulgação da Cultura, mas em caso algum a podem, globalmente, controlar.
Os problemas na área da política cultural são múltiplos, complexos e diversificados, mas provavelmente de simples resolução para um governo para quem o património cultural (material e imaterial) nem sequer exige ministro, cabendo ao gabinete de um secretário a má distribuição das “migalhas” orçamentadas para a CULTURA que apesar de “miseráveis” em 2012, consta que no Orçamento Geral do Estado português para 2013 serão reduzidas para metade. Pretenderão o regresso ao obscurantismo do passado? Talvez não, depende da dita e da resistência da contradita.
A Cultura e o Poder, sendo dois pilares da organização das sociedades, que emergem do tecido social e, consequentemente, a orientação das politicas são, de grosso modo, o reflexo do poder instituído.
A Cultura é um modo de vida, é a expressão do sentir, do pensar e do agir de um povo, tal qual a política. O fazer e o agir intencionalmente ou não, são atos políticos ou culturais, são uma constante da vida.
Sendo que as politicas Culturais do Poder central devam ser, na sua essência, um garante de regulação da pluralidade, da cidadania ativa e da liberdade criativa, assente basicamente no princípio da democratização da cultura, conforme O INSTITUIDO CONSTITUCIONALMENTE que o governo de Portugal não cumpre e com base num falso pretexto (a crise financeira por outros criada), relega a CULTURA para o fim da tabela das prioridades.
A LIBERDADE é sinónimo de criatividade cultural e potenciadora da divulgação do SABER e do conhecimento, o que torna um POVO mais atento à defesa do seu património cultural, material ou imaterial.
Tal como as relações humanas, pela sua complexidade, definir Cultura, sendo um tema aparentemente fácil, torna-se difícil, porque Ela é vida, são sentimentos, modo de estar do HOMEM como criador e produtor cultural.
Os Poderes autárquicos diferem quanto à forma e os objetivos no desenvolvimento das suas políticas culturais e moldes de gestão que lhes são inerentes no que concerne ao interesse concelhio e, também, quanto ao património material e imaterial que lhes são afetos, ainda que dentro dos parâmetros ditados pela Lei geral e do direito constitucional.
Desde 1974, a sociedade portuguesa, sofreu profundas alterações, relativamente ao Monolitismo partidário de quarenta e oito anos, de ditadura. O polipartidarismo veio assegurar a representatividade da globalidade dos sectores de opinião. A Liberdade de expressão e o fim da censura permitiram a livre circulação dos bens culturais, tais como livros, filmes, ideias, teatro livre de censura e uma representatividade alargada, exponencialmente, ao usufruto dos bens culturais.
Nos primeiros anos de livre poder autárquico, ainda que sem uma linha programática pré-definida, a força e a criatividade que a liberdade produz, deu origem a múltiplas iniciativas de âmbito cultural.
As autarquias em parceria com o movimento associativo e a comunidade escolar, têm desenvolvido, após o 25 de Abril, projetos de cariz cultural multifacetado e interculturais, face ao facto de Portugal que, ao longo de décadas, foi um pais de emigrantes, se tornar com fim da ditadura e da guerra colonial, depois de “ orgulhosamente sós”, num espaço geográfico que recebeu centenas de milhar de regressados das ex-colónias e de exilados emigrantes (fugidos à guerra e a ditadura).
Nos anos oitenta deu-se uma inversão, de emigrantes, passámos a ser um país acolhedor e atrativo para centenas de milhar de imigrantes dos quatro cantos do mundo, da Ásia, Africa, América do Sul e Europeus (principalmente do Leste da Europa), com raízes culturais, comportamentos sociais e religiosos, bem diferenciados.
Como se depreende, um facto histórico pode ser causa, em determinado momento, de rutura com algumas tradições e ser “explosão” de criatividade artística e de produção cultural. Como exemplo disso são a Revolução Francesa (século XVIII), a Revolução Industrial (séc. XIX) e a revolução Russa de 1917 (séc. XX), que deram origem, a seu tempo, de uma evolução artística e de divulgação cultural, sem precedentes, influenciadores de politicas sócio - culturais, de tal modo, que muitos Estados se viram na necessidade de legislar no sentido de proteger, apoiar e adequar, nalguns casos, a produção de arte e divulgação cultural em função dos seus objetivos políticos.
Os novos conhecimentos, novas tecnologias, produtos da revolução foram fatores determinantes de uma evolução sócio económica. A rádio, a fotografia, o cinema, a televisão e mais recentemente a comunicação da era digital, são hoje elementos fundamentais ao serviço da democratização da cultura, na sua divulgação e fruição, se utilizados com justa imparcialidade.
Se os Nacionalismos exacerbados e os Poderes ditatoriais e monolíticos foram e são entrave ao desenvolvimento da produção cultural, nos tempos de hoje, só uma “cultura contextualizada” pode restituir o homem a si mesmo. Assim a Cultura será julgada pela sua capacidade de realizar o homem no mundo e com os outros, pois ela não é senão aquilo que, é criado pelo Homem. A cultura é a via para a globalização de Humanidades, promotora de uma “nova” ética de compressão, tolerância e fraternidade entre os homens. Não há culturas maiores ou menores, superiores ou inferiores, mas apenas diferentes, sejam populares ou ditas eruditas que, de facto, tiveram origem popular, tais com o Canto, a Musica, o Teatro, tudo tem origem nas bases, sendo o principal fator na formação da riqueza do SER e a fundamentação das raízes do PERTENCER.
Por isso, face ao que nos é dado a entender, é da responsabilidade de todos os cidadãos amantes da sua CULTURA, marca identitária que define o seu sentimento de PERTENÇA, uma tomada de posição contra todos os tipos de austeridade que ameaçam os seus direitos e os que visem, subtil e disfarçadamente, a mercantilização e consequente elitização da CULTURA.
Pelos princípios que estão consignados no “MANIFESTO EM DEFESA DA CULTURA” lanço um apelo a todos os cidadãos, trabalhadores da cultura e das artes, a todas as estruturas de criação e produção culturais que partilham e lutam por estes objetivos, que se unam nesta luta que é todos e por todos.
O SABER E A CULTURA SÃO SINÓNIMO DE LIBERDADE E O ANTÍDOTO MAIS EFICAZ CONTRA OS APRENDIZES DA DITA.
ARFER
quarta-feira, 24 de outubro de 2012
sábado, 6 de outubro de 2012
VIVA A REPÚBLICA !! 5 DE OUTUBRO
5 DEOUTUBRO DE 2012 – A
pátria está em perigo ou o país de “pantanas” “avisou” sua Exa. o presidente da
República Aníbal Cavaco Silva ao hastear a bandeira da REPÚBLICA PORTUGUESA às
avessas. Foi ocasional, intencional? A mensagem foi dada. Considerando, porém, a
sua intervenção, em voz suave e pausada ao indicar os caminhos da emigração
para os jovens e desempregados, como já o tinha feito o 1º e outros ministros,
não há dúvida, vós achais que é o caminho para ultrapassar a crise por vós
criada essa é a solução encontrada.
Sendo assim, GRATOS A
V. EXCELÊNCIAS pela preocupação que o futuro do país vos merece. BEM HAJA !
MAS O POVO TEM MEMÓRIA
A REPÚBLICA – 5.10.1910 – ACONTECEU
Lembras-te daquele dia
Em que saímos da “Rotunda” de mão dada,
Depois daquela noite de luta e medo
Mas plenos de certezas e confiança?
Sentíamo-nos livres como aves
Voando num céu de esperança.
Dia que já tínhamos partilhado em sonhos.
Estávamos felizes como qualquer criança
Que tinha recebido a mais valiosa prenda.
Descemos a passo estugado a “Avenida”
À qual deste o nome de “Liberdade”.
Passámos pelo “Rossio”, onde a populaça
Vinda da Mouraria, do Castelo, Alfama e Graça,
Era um Mar de Gente e de Felicidade.
Ao fundo vimos o “Tejo” no seu caminho p’ro Mar.
O Povo em uníssono clamava por Ti.
Para Eles eras a força que os ia libertar
Das amarras da ignorância e da miséria.
Foi um dia dos mais felizes que vivi.
Quanto sentimento nele havia, não mais esqueci
Quando os nossos EUS se uniram pelo elo da verdade.
Na varanda do Município falavam de TI
Ao som da “Portuguesa” e com vivas à Liberdade.
ARFER
Lembras-te daquele dia
Em que saímos da “Rotunda” de mão dada,
Depois daquela noite de luta e medo
Mas plenos de certezas e confiança?
Sentíamo-nos livres como aves
Voando num céu de esperança.
Dia que já tínhamos partilhado em sonhos.
Estávamos felizes como qualquer criança
Que tinha recebido a mais valiosa prenda.
Descemos a passo estugado a “Avenida”
À qual deste o nome de “Liberdade”.
Passámos pelo “Rossio”, onde a populaça
Vinda da Mouraria, do Castelo, Alfama e Graça,
Era um Mar de Gente e de Felicidade.
Ao fundo vimos o “Tejo” no seu caminho p’ro Mar.
O Povo em uníssono clamava por Ti.
Para Eles eras a força que os ia libertar
Das amarras da ignorância e da miséria.
Foi um dia dos mais felizes que vivi.
Quanto sentimento nele havia, não mais esqueci
Quando os nossos EUS se uniram pelo elo da verdade.
Na varanda do Município falavam de TI
Ao som da “Portuguesa” e com vivas à Liberdade.
ARFER
quarta-feira, 12 de setembro de 2012
PALAVRAS DITAS
CÁ ESTOU DE NOVO COM UM ABRAÇO FRATERNO PARA TODOS !
PALAVRAS DITAS
Sentou-se e, em voz pausada, disse:
-Sou do Teatro, herdeiro de Moliére
E num gesto largo, pleno de brejeirice,
Arrematou : … falta-me um compére!
O meu palco é o chão que piso,
É nele que represento dia-a-dia,
Guardando a tristeza, mostrando um sorriso,
Como luz de esperança, na tarde sombria.
Às treze pancadas, corre o pano.
Estamos no palco …é o 1º ato.
Parecemos felizes … puro engano.
O que corre nas almas, não está no retrato.
Vós, sentados no balcão e na plateia,
Atentos, expectantes na espera, com esperança
Nos sonhos e ditos que a gente semeia.
Ontem, hoje, amanhã, futuro incerto …
No seio de multidões ou no deserto.
A tentação se ser o outro é evidente,
Troca-se o passado e o futuro pelo presente.
Depois logo se vê … diz o ator
É preciso, sim, viver intensamente
Com amizade, fé e muito amor.
Porém, na passerelle do governo
A “música” que nos dão é bem diferente,
Pior que o purgatório e o inferno,
Numa prosa carregada de mentira.
E quando palra a pega e o papagaio, fala o ministro,
Sendo a “voz do dono” e com ar sinistro,
Representa o papel que lhe é dado.
Porém, se da plateia ou do balcão
Acontece, a certa altura, o pateado,
Retira-se o ator, há nova encenação.
Por instantes se pensa que tudo foi mudado.
Mas não! … A “voz do dono, perante tal pretexto,
Apresenta outro ator, com novo texto.
É ASSIM QUE O “PAGANTE “ É ENGANADO!
ARFER
quarta-feira, 13 de junho de 2012
TRADICIONAIS ? MARCHAS POPULARES
MARCHAS
DITAS POPULARES DE LISBOA … A BANDA PASSA …QUEM LEMBRA A DESGRAÇA?
Q espetáculo JUNINO, mas não genuíno, repete-se cada
vez mais sofisticado. Oitenta anos depois, marchantes, padrinhos, arcos e
balões desfilaram na avenida da LIBERDADE. Foram dezoito os bairros
apresentados a concurso, desta vez a marcha do Alto do Pina foi a vencedora,
parabéns.
Dezoito bairros marcharam / recriaram tradições
imaginadas / Em frente ao Parque Mayer / Música, dança, arcos e balões / Um
espetáculo a não perder.
E porque, gente coisa é outra fina / o prémio coube
ao Alto do Pina. Para que não falhe a memória / cá vai um pouco de história.
Os Arraiais eram comuns nas aldeias, vilas ou bairros da cidade, estavam associados ao SOLSTÍCIO de Verão, de origem Pagã. Era tradição queimar as coisas velhas, e daí a origem das fogueiras juninas.
Nos casos específicos dos bairros da cidade de LISBOA, as festividades populares não fogem à regra e têm, nas mais variadas representações, a sua identidade, no FADO, nas CEGADAS (representações teatrais de rua), nas rodas e cantares à volta da fogueira, 0nde, também, a simbologia do bairro estava presente.
A partir de fins do Sec. XVIII surge o culto do Santo António, que o Clero e o governo da cidade elegeram como patrono popular, passando S. Vicente a mero símbolo da cidade.
Apesar do contacto e interligação com outras culturas e outros hábitos, as “marcas” bairristas vão sendo representadas nas festas tradicionais da cidade onde o culto de Santo António prevaleceu. As marchas “ditas”populares que sucederam às marchas “Aux Flambeaux”, popularmente chamadas de “Fulambó”que percorriam as ruas do bairro e dos bairros adjacentes, em grandes filas, acompanhadas das bandas filarmónicas do bairro ou das designadas “troupes”( estas sim, as marcadamente de raiz popular).
Assim, as marchas populares, deixaram de o ser, ainda que aparentemente o sejam. A partir do Mês de Junho de 1932 passaram a ser um produto de folclore urbano, com obediência a regras e princípios, devidamente regulamentados e com a encenação adequada aos propósitos regimentais, como que um complemento da “CASA PORTUGUESA” de Raul Lino, é mais uma peça do puzle inserida no projecto de folclorização do Estado Novo Português.
É na sequência das comemorações do 28 de Maio, em 1932, que o “Notícias Ilustrado”no seu número especial sobre a efeméride, anuncia o 1º concurso das marchas. Um espectáculo capaz de mobilizar a atenção dos Lisboetas. No dia 12 de Junho de 1932 a sala do “Capitólio”enchia. Um êxito popular, segundo a imprensa da época.
O director do “Noticias Ilustrado”era, nem mais nem menos, José Leitão de Barros, também realizador de cinema, promotor cultural e muito ligado a ANTÓNIO FERRO o responsável pela política de PROPAGANDA do Regime, criador do Secretariado da Propaganda Nacional. A “ideia-proposta”de Leitão de Barros vai no sentido de satisfazer a vontade de Campos Figueira, director do Parque Mayer, no sentido de criar em Junho desse ano (1932) um espectáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas, pensado, dito e feito, caiu como sopa no mel. Foram convidadas a participar as colectividades de cada bairro, sendo que a produção estaria a cargo do Parque Mayer .
A propaganda de promoção foi intensa e a mobilização popular aconteceu.
Este projecto, apresentado como que fazendo parte da tradição, era o ideal, numa altura em que bem mais importante que veicular ideias, importava, isso sim, distrair o POVO, em cumprimento da Cartilha Cultural de ANTÓNIO FERRO.
Pouco importará se as marchas que se apresentaram no palco do “Capitólio”, em 12 de Junho, foram as do Alto do Pina, de Campo de Ourique, Bairro Alto ou Alfama, o que conta foi o sucesso popular que teve e principalmente porque foi um veículo de apoio à propaganda do regime Salazarista.
O concurso das marchas populares regressou, em força, no ano de 1934, concorreram então 12 Bairros. O Município de Lisboa chamou a si a organização e integrou-as no que designou por Festas da Cidade.
Se em 1934 as marchas celebraram o 10 de Junho (como Dia da Raça); em 1940 assinalaram os Descobrimentos Portugueses; de 1941 a 1946 não desfilaram, foi o tempo da 2ª Guerra Mundial; em 1947 comemorou-se a conquista de Lisboa aos Mouros por D. Afonso Henriques e em 1973 o tema foi o Grande Desfile Popular do Mundo Lusíada.
A cidade acabou por se apropriar das marchas como símbolo de uma identidade perdida, entre o rural (Ex. m. de Benfica) mas quanto à celebração das festas e dos santos populares constitui uma novidade, acabando até por potenciar a tradição dos arraiais e dos bailes populares.
As CEGADAS, essas, foram politicamente extintas e a representação transferida para os palcos, onde o controle da censura era mais eficaz.
Desta forma, tento fazer lembrar que as “Marchas (ditas) Populares”foram uma encenação criada com objectivos concretos, tal como muito do folclore rural que foi criado (a partir dos anos 30) e que hoje representam um espectáculo que, conjuntamente com outros, fazem parte do programa das festas da cidade. Não são uma tradição cultural, mas um espectáculo em que através de simbologia própria manifesta o propósito de nos mostrar algo que tem ou teve a ver com o Bairro que representam.
ARFER 2002
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