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quinta-feira, 18 de junho de 2015

JOSÉ SARAMAGO - O HOMEM E A PALAVRA .

O HOMEM E A PALAVRA - 5 ANOS DEPOIS
 

"Conheces o nome que deram, não conheces o nome que tens".  "Livro das Evidências" in "Todos os Nomes"
 
18 de JUNHO de 2010
MORREU JOSÉ SARAMAGO Mas ficará sempre entre nós, O comunista convicto, HOMEM do POVO Que tudo fez e desde sempre lutou Para ver o seu Portugal, um país novo. Gostava de CAMÕES e dos poetas da Liberdade, Amado por muitos, ostracizado por alguns Nunca baixou a guarda na defesa da Verdade. Aqueles que desdenharam o seu valor, apresentam, hoje, sentidos pêsames vazios de sentimento. O HOMEM DA “Jangada de Pedra” que uniu os povos das margens do grande Oceano, respirou hoje pela última vez e, decerto, a sua última vontade foi a de seguirmos o seu ideal. O MUNDO FICOU MAIS POBRE. Em vez de ADEUS, um ATÉ JÁ !!! ARFER
 
PALAVRAS DITAS (2012) 

A DANÇA É VIDA
Neste palco do MUNDO
Em que todos somos atores.
Na dança dos sonhos
Só se erguem HOMENS de sonho,           
Na lucidez da sua cegueira,
Na dureza do seu caráter,
Nas palavras do seu Evangelho.
E na corrente da limpidez da sua PALAVRA
Carregada de sabedoria                                
Levar-nos-ia na “Jangada de Pedra”
Comandada por bom timoneiro
Ao encontro da “Ilha dos Sonhos”
Onde todos os homens e mulheres
Seriam livres e “Levantados do Chão”.       
Nessa sua “Ilha desconhecida”
Em que múltiplas gentes
De todos os continentes,
Numa sinfonia multicultural,
Fariam dela a sua PÁTRIA.                       
  
Nela honrariam a língua que os unia
Numa dança e num canto de louvor à LIBERDADE.
Por ela derramariam o seu “sangue”,
Pela igualdade no direito e no dever.
No sonho que nele habita                          
    

Dessa tal “Ilha encantada«
Em que o SER dignifica
E o TER não lhe diz nada

ARFER

E o HOMEM disse:-
“ … Negar a minha Pátria é como rejeitar o meu próprio sangue…”
E o HOMEM interroga:
“ … Como é que se pode não pertencer á língua que se aprendeu,
A língua com que se comunica, neste caso a língua com que
se escreve?? …”
 
"Livro das Evidências" in "Todos os Nomes"
Há na memória um rio onde navegam/ Os barcos da infância, em arcadas/ De ramos inquietos que despregam/ Sobre as águas as folhas recurvadas. / Há um bater de remos compassado/ No silêncio da lisa madrugada,/ Ondas brancas se afastam para o lado / Com o rumor da seda amarrotada. / Há um nascer do sol no sítio exacto, À hora que mais conta duma vida, / Um acordar dos olhos e do tacto, / Um ansiar de sede inextinguida. / Há um retrato de água e de quebranto/ Que do fundo rompeu desta memória,/ E tudo quanto é rio abre no canto/ Que conta do retrato a velha história.   JOSÉ SARAMAGO "POEMAS POSSÍVEIS", Editorial CAMINHO, 1981.
 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

MARCHAS "POPULARES" - FOLCLORE CITADINO.






MARCHAS DITAS POPULARES DE LISBOA … A BANDA PASSA …QUEM LEMBRA A DESGRAÇA?

O espetáculo JUNINO, mas não genuíno, repete-se cada vez mais sofisticado. Oitenta e três anos depois, marchantes, padrinhos, arcos e balões desfilarão (em liberdade) na avenida da LIBERDADE. O grande desfile, a 12 de junho, terá a seguinte ordem de partida: 1. Mercados,2.Campolide, 3.Mouraria, 3.Santa Engrácia, 5. Marvila, 6. Alfama, 7. Graça, 8. São Domingos de Benfica, 9. Carnide, 10. Madragoa, 11. Benfica, 12. Bica, 13.Alcântara, 14. Bairro Alto, 15. Baixa, 16. São Vicente, 17. Olivais, 18. Lumiar, 19. Alto do Pina, 20. Beato e 21. a da Ajuda.

Nos dias 5, 6 e 7, apresentar-se-ão no “MEO-ARENA” o mais recente palco da moda, dizem que foi um bom negócio.

Destes bairros (o bairro da baixa não conheço) apresentados a concurso, um deles será o grande vencedor. Estes vinte e um bairros marcharão, a concurso,  ( recriando as tradições imaginadas) na Av. da LIBERDADE, no dia 12 de junho, com paragem e exibição frente ao Parque Mayer / Música, dança, arcos e balões / Um espetáculo, bem encenado, a não perder.

E porque, gente coisa é outra fina, o prémio de 2014  coube á marcha de ALFAMA. Este ano qual será o bairro felizardo?  Mas para que não falhe a memória  cá vai um pouco de história.

MARCHAS POPULARES OU INVENÇÃO DO FOLCLORE CITADINO


As Festas Populares eram manifestações culturais que espelhavam a identidade de quem as produzia.

Os Arraiais eram comuns nas aldeias, vilas ou bairros da cidade e estavam associados ao SOLSTÍCIO de Verão, de origem Pagã. Era tradição queimar as coisas velhas, e daí a origem das fogueiras juninas.

Nos casos específicos dos bairros da cidade de LISBOA, as festividades populares não fogem à regra e têm, nas mais variadas representações, a sua identidade, no FADO, nas CEGADAS (representações teatrais de rua), nas rodas e cantares à volta da fogueira, 0nde, também, a simbologia do bairro estava presente.

A partir de fins do Sec. XVIII surge o culto do Santo António, que o Clero e o governo da cidade elegeram como patrono popular, passando S. Vicente a mero símbolo da cidade.

Apesar do contacto e interligação com outras culturas e outros hábitos, as “marcas” bairristas vão sendo representadas nas festas tradicionais da cidade onde o culto de Santo António prevaleceu. As marchas “ditas” populares que sucederam às marchas “Aux Flambeaux”, popularmente chamadas de “Fulambó” que percorriam as ruas do bairro e dos bairros adjacentes, em grandes filas, acompanhadas das bandas filarmónicas do bairro ou das designadas “troupes”( estas sim, as marcadamente de raiz popular).

Assim, as marchas populares, deixaram de o ser, ainda que aparentemente o sejam. A partir do Mês de Junho de 1932 passaram a ser um produto de folclore urbano, com obediência a regras e princípios, devidamente regulamentados e com a encenação adequada aos propósitos regimentais, como que um complemento da “CASA PORTUGUESA” de Raul Lino, é mais uma peça do puzle inserida no projecto de folclorização do Estado Novo Português.

É na sequência das comemorações do 28 de Maio, em 1932, que o “Notícias Ilustrado” no seu número especial sobre a efeméride, anuncia o 1º concurso das marchas. Um espetáculo capaz de mobilizar a atenção dos Lisboetas. No dia 12 de Junho de 1932 a sala do “Capitólio” enchia. Um êxito popular, segundo a imprensa da época.

O diretor do “Noticias Ilustrado” era, nem mais nem menos, José Leitão de Barros, também realizador de cinema, promotor cultural e muito ligado a ANTÓNIO FERRO o responsável pela política de PROPAGANDA do Regime, criador do Secretariado da Propaganda Nacional. A “ideia-proposta” de Leitão de Barros vai no sentido de satisfazer a vontade de Campos Figueira, diretor do Parque Mayer, no sentido de criar em Junho desse ano (1932) um espetáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas, pensado, dito e feito, caiu como sopa no mel. Foram convidadas a participar as coletividades de cada bairro, sendo que a produção estaria a cargo do Parque Mayer .

A propaganda de promoção foi intensa e a mobilização popular aconteceu.

Este projecto, apresentado como que fazendo parte da tradição, era o ideal, numa altura em que bem mais importante que veicular ideias, importava, isso sim, distrair o POVO, em cumprimento da Cartilha Cultural de ANTÓNIO FERRO.

Pouco importará se as marchas que se apresentaram no palco do “Capitólio”, em 12 de Junho, foram as do Alto do Pina, de Campo de Ourique, Bairro Alto ou Alfama, o que conta foi o sucesso popular que teve e principalmente porque foi um veículo de apoio à propaganda do regime Salazarista.

O concurso das marchas populares regressou, em força, no ano de 1934, concorreram então 12 Bairros. O Município de Lisboa chamou a si a organização e integrou-as no que designou por Festas da Cidade.

Se em 1934 as marchas celebraram o 10 de Junho (como Dia da Raça); em 1940 assinalaram os Descobrimentos Portugueses; de 1941 a 1946 não desfilaram, foi o tempo da 2ª Guerra Mundial; em 1947 comemorou-se a conquista de Lisboa aos Mouros por D. Afonso Henriques e em 1973 o tema foi o Grande Desfile Popular do Mundo Lusíada.

A cidade acabou por se apropriar das marchas como símbolo de uma identidade perdida, entre o rural (Ex. m. de Benfica) mas quanto à celebração das festas e dos santos populares constitui uma novidade, acabando até por potenciar a tradição dos arraiais e dos bailes populares.

As CEGADAS, essas, foram politicamente extintas e a representação transferida para os palcos, onde o controle da censura era mais eficaz.

Desta forma, tento fazer lembrar que as “Marchas (ditas)  Populares” foram uma encenação criada com objetivos concretos, tal como muito do folclore rural que foi criado (a partir dos anos 30) e que hoje representam um espetáculo que, conjuntamente com outros, fazem parte do programa das festas da cidade. Não são uma tradição cultural, mas um espetáculo em que através de simbologia própria manifesta o propósito de nos mostrar algo que tem ou teve a ver com o Bairro que representam.

ARFER

ESTE ANO A GRANDE VENCEDORA, FOI? ...... TAM-TAM -
A MARCHA DO ALTO DO PINA (PELA 1ª VEZ) APÓS OITO DÉCADAS ...BEM HAJA!
Alfama (a grande vencedora do ano passado) ficou em 2º lugar e Alcântara em 3º.
EM JUNHO DE 2016, QUEM SERÁ O BAIRRO VENCEDOR?
UMA IMAGEM DA MARCHA DO ALTO DO PINA. ESPETÁCULO OU TRADIÇÃO?
 

terça-feira, 26 de maio de 2015

ÁFRICA O PONTO DE PARTIDA E O FUTURO DA HUMANIDADE,


O ONTEM E O HOJE

DIA 25 DE MAIO FOI O DIA DE AFRICA, o atraso da publicação deve-se a razões de ordem física. Faço-o hoje com os dois primeiros textos publicados neste blog, ainda que tenham sido escritos uns anos antes.





COMO HOJE QUASE TUDO MUDOU, AGORA SÃO OS EUROPEUS A PROCURAR A MÃE AFRICA PARA NELA ENCONTRAREM ABRIGO E SUSTENTO E, NESSA ATITUDE, DAREM ASO À SUA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL. 

HOJE DEVIDO À IMPLEMENTAÇÃO DAS DITAS "PRIMAVERAS", TENDO EM VISTA A AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS (MAIS EM CONTA) FOGEM DA LÍBIA MILHARES DE CIDADÃOS E MORREM ÀS CENTENAS NO "MARE NOSTRUM".


25 de Maio: Dia de África
Comemora-se a 25 de Maio, o Dia de África, a data foi instituída pela “Organização da Unidade Africana” em 1963. Em Julho de 2002, esta organização foi substituída pela “União Africana”. A União Africana (UA) foi fundada em 2002 e é a organização que sucedeu a Organização da Unidade Africana. Baseada no modelo da União Europeia (mas atualmente com atuação mais próxima à da Comunidade das Nações), ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento na África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio do programa “Nova Parceria para o Desenvolvimento da África”. Seu primeiro presidente foi o presidente sul-africano Thabo Mbeki.
Objetivos da União Africana
A União Africana tem como objetivos a unidade e a solidariedade africana. Defende a soberania dos Estados africanos e a sua integração económica, além da cooperação política e cultural no continente.

A divisão territorial do continente africano e as independências ou dependências
A destruição ou desagregação cultural de um povo pela força é como que uma agressão à natureza e pode causar danos e desequilíbrios tais, que produzirão, a médio e longo prazo, efeitos devastadores.
O Homo-Sapiens nasceu em África , partiu para a Ásia e, de lá, para o resto do mundo.
A partir do momento em que, por causas naturais, se formou a barreira arenosa do deserto, tudo se alterou. Ficaram a Norte a civilização dita mediterrânica, a Leste os nilotas (egípcios, sudaneses e etíopes) e a Sul os subsaarianos.
Os “brancos” do Norte e os “pretos” do Sul de África fizeram a sua História, com estruturas sociais, politicas e económicas próprias, factos que nos foram e vão sendo dados a conhecer através dos contextos etnográficos e de estudos científicos nas áreas da Antropologia e Arqueologia.
Na Europa, pouco se sabia de África até ao século XV. Navegadores portugueses iam explorando a costa Atlântica e os Emissários que viajaram até à Etiópia e provavelmente até às costas de Índico, deram, então, conta da existência de estados organizados, como o da Etiópia e do velho império de Kanem, com o Mali e o Songay, a maior de todas as concentrações do velho Sudão, que tinha um estrutura proto-feudal, governada por doze príncipes, que dominaram esses vastos territórios, durante várias gerações.
Na costa ocidental, estabelecem-se relações amistosas com o grande reino do Congo, sendo, até, um dos seus súbditos nomeado Bispo pela Santa Sé. O primeiro Bispo da Africa Negra.
E o que dizer das prósperas cidades da costa oriental – Quelimane, Mombaça, Kilwua, Zulu e Brava – que comercializavam com todo o oriente – mundo árabe, Índia e China – ou das muralhas e torreões do grande Zimbabwé e do Império Monopotapa.
África, a sul do Saara, tinha estruturas e hierarquias próprias, provavelmente ainda sem fronteiras definidas, mas também a Europa só no século passado o conseguiu. No Sec. XV quantos europeus conheciam a escrita?
No século XIX, cerca de oitenta por cento dos europeus eram analfabetos.
A destruição de cidades, a procura desenfreada de escravos, com destino às Américas e Ásia, tal como as investidas dos europeus, ainda que até a algumas dezenas de quilómetros da costa, levaram esses povos a deslocarem-se, cada vez mais, para o interior e a combater entre si, na procura de territórios onde se pudessem fixar, o que terá sido o princípio do desmoronamento das estruturas sociais e políticas, ainda numa fase embrionária.
Mas é no século XIX que é dado o golpe de misericórdia.
Com a denominada Revolução Industrial em curso, os europeus viram África como potencial reservatório das matérias-primas de que necessitavam e em função dos seus interesses económicos decidiram retalhar o continente africano, a seu belo prazer.
Não tiveram em conta as raízes culturais, as fronteiras e as estruturas políticas e sociais dos povos de África. Sete decénios depois concederam-lhe uma falsa independência, carregada de dependências e geradora de conflitos permanentes, em geral alimentados pelas potências interessadas nas suas riquezas. De colonizadores passaram a “Clientes” e “Fornecedores” privilegiados, num crescendo aumento da exploração, a custos reduzidos.
Até que o mapa de África seja redesenhado, as hierarquias se recoloquem, porque as culturas estão lá, a situação de instabilidade mantém-se. Provavelmente será trabalho de mais de uma geração. Uma tarefa ciclópica para um povo debilitado pelas guerras, pela fome, pela SIDA, a Malária e outras maleitas.
Com elites políticas, cada vez mais ricas, profundas desigualdades sociais, cada vez mais dependente de ajudas humanitárias e outras, provenientes de entidades e países que dispensam uma pequena parte dos seus lucros vindos exactamente da exploração dos estados africanos”independentes”. Mas, de facto, cada vez mais DEPENDENTE.

    Várias etapas nas relações políticas e económicas        com ex-colonizadores e outros.

Em dezoito anos, desde a independência do Gana em 1957, à queda do império colonial português de 1974/1975, configuraram-se os mapas de quase todos os estados negros-africanos, com a excepção do Zimbabwé, em 1980, e a Namíbia, em 1990. Neste curto período de tempo sucederam vários golpes de estado, sempre quase induzidos pelas antigas potências colonizadoras. Grã-Bretanha e França com o apoio dos E.U.A, interessados no domínio económico e estratégico, nunca disfarçaram os seus actos de ingerência na política e na economia das ex-colónias. É bem visível que para estas potências colonizadoras em África o objectivo foi outorgar a independência política para confirmar e controlar melhor, eliminadas as pressões internacionais e silenciados os movimentos independentistas, sem que alguma vez tenha sido sua intenção conceder a soberania política às suas colónias africanas para que os novos estados viessem a poder usar livremente os recursos económicos, em seu (deles) benefício.
Independizar tratou-se, evidentemente, de legalizar a submissão aos interesses do ex-colonizador, para uma exploração continuada, a custos reduzidos e proveitos a sobredimensionar..
Se antes os jovens estudantes, licenciados e doutorados nativos, se fixavam nas colónias a expensas do colonizador, hoje os estados independentes pagam essa formação e exportam essa mais-valia sem qualquer proveito. Há centenas de milhar de africanos de diversas origens e profissões, licenciados e doutorados, médicos, enfermeiros, veterinários a trabalhar fora de África.
Excluindo os países africanos de expressão portuguesa os sistemas políticos, na História da África Negra independente, passaram por quatro etapas, por vezes com os mesmos personagens, agindo de forma diversa. Na primeira geração de dirigentes políticos eleitos democraticamente, destacam-se Kwane Nkrumah, Houphouet-Boigny, Sekou-Touré, Julis Nyerere, Mobido Keita, Joseph Kasavubu, e Leopold Sengor, dirigentes respeitados.
Alguns destes dirigentes prosseguem na segunda etapa, mas juntam-se-lhes chefe militares que tomam o poder pela via do golpe de estado, tais como Mobuto Seze-Seko, Jean Bedel Bokassa, na República Centro Africana, Idi Amim Dada, no Uganda, Joseph Ankrah, no Gana.Todos têm princípios que são comuns. Assumem-se chefes de estado, fundam um partido único, proíbem a existência de todos os partidos ou organizações politicas, eliminam ou anulam os potenciais adversários.
Só o Gana, Botswana e o Senegal mantiveram os partidos políticos e a realização de eleições democráticas, ficando pela 1ª etapa.
Na terceira etapa, de pouca duração, surgem alguns militares, que embora assumam o poder em sequência de um golpe de estado mostram-se dispostos a governar com honestidade e respeito pelos princípios humanos, como Jerry Rawlings, Thomas Sankara e Samud Doe.
A mais recente, ou seja a quarta etapa, a actual, surge na sequência do fim da denominada guerra-fria.
O pluripartidarismo torna-se moda, com ou sem convicção, com verdade ou sem ela, o ditador torna-se democrata. É a hora dos convertidos e distinguem-se Kennett Kuanda, Omar Bongo, Mathieu Werekou, Teodoro Obiang, Sassou-Nguesso e Paul Biya.
O caminho não tem obstáculos.
África tem petróleo, é um grande depósito de matérias-primas, um mercado especial a explorar e é principalmente um grande cliente de excedentes bélicos da poderosa indústria de guerra e na área dos serviços, na concentração de mercenários e conselheiros políticos e militares.
É na sequência dessa aura de democracia pluripartidária, de ventos de liberdade, que nesta quarta etapa se produz um novo fenómeno – a era do hiperbanditismo e das milícias armadas, das origens mais diversas. África torna-se um “mundo” armado e armadilhado. O tráfico de armas e a criação de pequenos e grandes exércitos torna-se comum. A criança soldado é uma circunstância comum, tal qual o são os pequenos e grandes massacres.
Quem lucra?
O Fundo Monetário Internacional, as multinacionais, os pequenos e médios ditadores e, principalmente, o país que lidera o projecto utópico do mundo global.
É um facto que os golpes de estado vão rareando, porém é evidente que o pluripartidarismo não está a ser solução. É parte do problema. As autonomias culturais e étnicas, no real sentido do seu significado, talvez sejam parte da solução.
O que acontece de facto é que há um fosso em crescendo entre o poder e as populações.
Perdeu-se a fé nos dirigentes, capazes de resolverem os seus “problemas”, mas incapazes de satisfazer as necessidades de um povo descrente.
As relações actuais, com os ex-colonizadores e os Outros ( 0s novos colonizadores”, os africanos, estão num plano de subalternidade e, nalguns casos, de quase absoluta dependência. O endividamento externo cresce ao ritmo da miséria das populações. Muitos deles encontram a solução “fugindo” em embarcações e jangadas na procura do “el-dorado” europeu e, conforme os relatos que nos vão chegando, em muitos casos encontram a morte no caminho.
Mas, tudo tem solução, os africanos encontrarão um dia o seu caminho. E, tal como grandes impérios, por mais poderosos que foram ou são, tiveram ou terão o seu fim de ciclo.África também chegará ao fim do seu pesadelo.

ARFER 2005

Portugal em África  / Moçambique
A colonização africana, levada a cabo pelos portugueses, foi um processo relativamente lento. Depois das campanhas do Norte de África, em meados do séc. XV, dão-se início às viagens exploratórias da Costa Ocidental Africana. Assim vão-se estabelecendo feitorias ao longo da orla marítima da Costa Ocidental de Africa e construindo algumas fortificações militares, como o Castelo da mina no Golfo da Guiné, que mais tarde serviria como bases de apoio ao “ caminho marítimo para a Índia”, cujo objectivo se atingiu em 1498.
Durante séculos a relação com esses povos africanos, baseava-se no comércio e na evangelização, umas vezes de forma pacífica e outras de forma violenta.
Com a colonização das Américas, houve incursões ao interior, principalmente na Costa Ocidental, tendo em vista o recrutamento de braços de trabalho baratos, ou ainda a captura de indígenas com destino ao comércio de escravos, na maior parte das vezes fornecidos por chefes tribais, a troco de quase nada.
Porém, na costa Leste, a do Indico, que vou contextualizar neste trabalho, onde a perniciosa influência dos Europeus, se fez sentir, nos povos que lá viviam, no limiar do séc. XVI, quando a 2ª Armada Portuguesa, a caminho da Índia, por lá passou.
Antes, porém, sempre houve contactos com outros povos, árabes, africanos e asiáticos, principalmente chineses.
Escritos árabes do Sec. X, confirmam a existência de contactos comerciais com os povos do extremo sul do canal de Moçambique, designado por “Bilad as Sofala”.
Segundo relatos árabes e chineses, armadas constituídas de grandes barcos vindos do Império Chinês faziam comércio regular com as prósperas cidades da Costa Oriental de Africa. É, contudo, no período MING que atingem maior intensidade, em fins do Sec. XIV e durante quase todo o Sec. XV. Só três séculos depois os europeus construiriam navios de tal tamanho.
Por razões que são do foro da história chinesa e não da história africana, em fins do Sec.XV o então imperador chinês ordenou o encerramento de todos os estaleiros e a destruição de todos os barcos, mandando prender todos os marinheiros que neles navegassem.
Daí que a presença dos quatro pequenos navios, num porto que devia ter sido Quelimane, não causassem espanto, já que navios bem maiores os tinham visitado. O que acharam notável, foi terem vindo do Sul.
Passaram Kilwa e Mombaça, cidade grande e rica, de casas brancas, tão grande quanto Lisboa. De Kilwa escreve Duarte Barbosa em 1501 “ Kilwa é uma cidade mourisca com muitas e belas casas de pedra e cal, com muitas janelas à nossa moda, muito bem ordenadas as ruas.” Três séculos depois um poeta Swahili escrevia “ os nichos onde se ostentavam porcelanas, criam agora uns filhotes, as aves bravias.”
Depois destas visitas, Vasco da Gama encontra em Melinde um piloto que levará os portugueses até à Índia (Calecute).
Na 2ª viagem (1502), Vasco da Gama, desta vez com uma esquadra de mais de 20 navios, impõem que seja pago um tributo anual, em oiro, ao Rei de Portugal e obediência futura. Não vendo cumprida a sua ordem e encontrado resistência, ataca Kilwa, Mombaça, Zeila e Brava. Conta Duarte Barbosa:-“ Os portugueses destruíram tudo, chacinando grande parte da população e levando alguns cativos..”. Noutro documento, uma carta do Rei de Mombaça ao Rei de Melinde , ao voltar à cidade..”Nem uma coisa viva, homem ou mulher, velho ou novo, nem sequer uma criança por mais pequena. Todos os que não tinham conseguido fugir a tempo, tinham sido mortos ou queimados.”
Duzentos anos passados, nos Séculos XVII a XIX, a Europa tinha evoluído na Indústria, no Comércio e na Ciência, a Africa não só não evoluiu em paralelo, como voltou atrás no tempo.
O tráfico de escravos atingiu uma escala tal, que se tornou degradante. Era necessário propagandear que o escravo preto era sub-humano, selvagem e desenraizado. Os estuários do Limpopo, do Rovuma e do Zambeze passaram a ser porto de embarque de escravos, com destinos vários, em vez de bens de uso e consumo. Moçambique passou a ser território fornecedor de escravos para  as colónias inglesas, francesas e para o Brasil, em menor escala.
Até que,  em fins do Sec. XIX, a Europa industrializada decidiu retalhar o Continente Africano, segundo os seus interesses. A Portugal coube o território (com fronteiras definidas) que é hoje Moçambique.

ARFER / 2005




quinta-feira, 14 de maio de 2015

MARQUÊS DE POMBAL - SÌNTESE HISTÓRICA


HÁ 316 ANOS –a 13 DE MAIO – NASCEU;

Com 83 anos , a 11 de MAIO de 1783, ficou para a HISTÒRIA:
 Sebastião José de Carvalho e Melo
 
MARQUÊS DE POMBAL

“O Conde, O Marquês, O Sebastião”


- Filiação;
- Infância e Juventude;
- Os Amores;
- O Político / O Governante / A Nobreza ociosa;
- e a Igreja Caduca;
- Despedimento sem justa e a reabilitação;

1.Filiação

Nasceu em Lisboa, no dia 13 de Maio de 1699 (ainda a senhora de Fátima estava em hibernação) uma linda e rosada criança, que seria baptizada, a 6 de Junho do mesmo ano, na freguesia da Mercês. Ser-lhe-ia dado o nome pomposo de Sebastião José e de apelido, Carvalho do pai (capitão de cavalaria e fidalgo da casa real - Manuel de Carvalho Ataíde e Melo da sua mãe Dona Teresa Luísa de Mendonça e Melo, filha do Senhor João de Almeida Melo, dono dos Morgados dos Olivais e Souto Rei.

2. Infância e Juventude

O menino cresceu, estudioso mas rebelde. Criança forte de físico e de mente.
Acabou por ser aluno na Universidade de Coimbra, onde frequentou o 1º ano jurídico, mas o seu espírito rebelde de quem gosta de decidir e ao estar sujeito, largou a “Escola” e optou pela vida militar, assentou praça como cadete.

Porém, mais uma vez, porque inteligente e senhor de seu nariz, ser mandado por quem (carenciado de inteligência e inovação) não era com ele, pediu a demissão e para alem de se dedicar ao Estudo da Historia, da Política, e da Legislação, entregou-se à vida ociosa da capital, das tertúlias, das farras e dos namoros breves e escaldantes. É liquido que era figura no grupo dos Capotes Brancos, bando da fidalgos aventureiros que perturbavam as noites suaves, tranquilas e amenas da capital do Império (uma espécie de Tedy Boys da época).

Enérgico, Belo e decidido (um Pão) era requerido pelas damas (não seria o sedativo come tudo, mas o Sebastião o desejado).

3. Os Amores

E assim uma dama da corte, componente do séquito da Rainha D. Maria Ana de Áustria, de nome D. Teresa de Noronha e Bourbon, senhora bela e linda, viúva, dez anos mais velha do que ele, que tinha sido casada com um primo de nome António Mendonça Furtado (pelo curto período de quatro anos 1714-1718), apaixonou-se por ele, de forma que aconteceu o inevitável, contrariando a família.

Os pais (da grande nobreza, ociosa e rica) só a pedido da rainha aceitaram conceder a mão os pés e o resto, ao futuro Marquês, e assim, aquela paixão deu em casamento. Em segundas núpcias a D. Teresa casou-se com o Sebastião em 16 de Janeiro de 1723, ela com 34 anos e ele com 24, foram viver para uma quinta, que o ainda não Marquês, possuía em Soure, onde continuou os seus estudos.

Uma “cunha” do Cardeal Mota, ministro e valido de D. João V (o Barrasco), vale a Sebastião José a nomeação de sócio da Academia real da História Portuguesa, isto em 1733, tendo este a incumbência de escrever a história de alguns dos reis, deste pais onde imperava a ignorância e o analfabetismo.

Nunca acabou este trabalho, que para ele provavelmente seria redutor, como mais tarde veio a provar.

Saltando no tempo, a 27.03.1739, dezasseis anos depois de ter casado, morreu o seu primeiro grande amor - D. Teresa de Noronha, estava em Londres (falarei adiante da sua prestação como embaixador (a) ). Grande desgosto sofreu com a morte da sua querida esposa, que lhe legou todos os seus bens.

Já em Viena, apaixonou-se de novo por uma linda, doce e rica dama, Dona Leonor Ernestina Eva Wolfganga Josefa com que se casou em 18 de Dezembro de 1745.

Também este casamento foi difícil. Sebastião homem apaixonado e lutador, sempre teve de “lutar” contra as vontades dos progenitores das suas amadas.

De facto a Ernestina, filha do Conde de Daunn do Sacro-Romano Império (marechal- general) Henrique Ricardo Lourenço e de Dona Violante Josefa condessa de Bromond, em Bayusberg, não queriam de forma alguma que um rico homem casasse com a filha, preferiam um homem rico, independentemente ou não de ser vazio de saber.

Porém e mais uma vez, D. Maria Ana de Áustria, Rainha de Portugal, intercedeu e o seu querido Sebastião lá se casou de novo.

O futuro Marquês, mais uma vez se deu nota de que amores, fáceis no sentir mas difíceis no conseguir era com ele.

As bodas realizaram-se no ano de 1745 e poço tempo depois, a conselho do seu famoso médico Van Swietem regressa à Pátria amada, trazendo a sua querida.

4. O Político/O Governante/A Nobreza e a Igreja Caducas

Em 1739 é enviado para Londres como ministro plenipotenciário (uma espécie de embaixador com plenos poderes), e aí sim, a sua invulgar capacidade e prodigiosa inteligência, era revelação que tal D. Sebastião “o desejado” não sairia da Bruma, mas tinha nascido na freguesia das Mercês em Lisboa.

Começa por “arrancar” do Duque de Lencastre, o reconhecimento da reciprocidade de direitos para os negociantes portugueses, o direito de reprimir os capitães de navios ingleses que em terra e águas portuguesas cometessem excessos.

A pedido de D. João V, enviou para Portugal uma preciosa coleção de Bíblias Hebraicas, e tudo quanto se havia escrito sobre leis, ritos, costumes e politica em quantas línguas havia, que chegariam a Lisboa em 1743.

A inteligência, argúcia e modo hábil como conduziu as negociações para que fora mandatado, levou a que fosse nomeado para a hercúlea tarefa de mediador na discórdia entre as cortes de Viena de Áustria e de Roma e mais uma vez saiu coroado de êxito. O imperador Francisco I e o Papa Bento XIV a apertaram as imperiais e “santas” mãos.

Voltou para Lisboa, ainda antes do desfalecimento e posterior falecimento de D. João V, em 31 de Julho de 1750.

Subiu ao trono de D. José I (e único) e logo a rainha sua mãe, agora muito amiga da condessa de Daunn (sua Dama de Honor), aconselhou o seu filho-rei, a nomear Sebastião “ o Salvador” Secretário de Estado da Guerra e Estrangeiros.

Passado pouco tempo (10 de gosto de 1750) ardia o Hospital de Todos os Santos (obra de outro grande da História Portuguesa, D. João II ). Não sendo um pretexto, mas uma realidade, de novo a energia e a capacidade de Sebastião José se manifesta, no reerguer do Hospital. Não tardou que a sua inteligência superior se tornasse tão manifesta, quanto a sua capacidade de iniciativa e audácia.

Tornou-se o mais forte e influente, ministro do reino. Era um reformador e fã de Richilieu, como ele queria consolidar o poder do rei e o regime do estado, com o objetivo de colocar Portugal no topo da civilização europeia, ainda que para isso fosse necessário usar quaisquer meios, incluindo o direito repressivo, de forma a ultrapassar as barreiras que lhe seriam, decerto, impostas pela nobreza ociosa e caduca e a Igreja retrógrada, aliada desta.

Entre 1751 e 1755, tudo fez para regular as atividade económicas. Apesar da “aliada” Inglaterra protestar contra as medidas de Sebastião, este manteve-as, chegando a mandar prender oficiais ingleses que levavam ouro amoedado a bordo, que também foi apreendido.

Fundava por decreto a Companhia do Grão Pará e Maranhão, privilegiada no comércio com o Brasil e reagiu de tal forma energicamente aos que se lhe opunham, que muitos dos que o enfrentavam, nesta medida, foram presos.

Estava Sebastião Carvalho empenhado em transformar Portugal, quando pela 9.00h da manhã do dia de todos os Santos (sendo sempre Todos os Santos, primeiro o Hospital agora o Dia), um violento Terramoto atinge todo o Sul da Península Ibérica, seguido de um Maremoto, que inunda os destroços da Baixa da Cidade. Nas zonas mais altas lavram incêndios. Lisboa fica em ruínas.

A 2 de Novembro de 1755- Já o enérgico alfacinha, nado e batizado na freguesia das Mercês , mobiliza o exército e a policia, manda tratar da “saúde” 1 da bandidagem que pilhava na cidade destroçada e trata de iniciar o processo de reconstrução de Lisboa.

Eugénio dos Santos e Manuel da Maia, traçam a planta da nova cidade.

Alguns historiadores sugerem que a raiz do grande poder de Sebastião de Carvalho foi o Terramoto. Porém, não fosse ele o “ Desejado” que da bruma não saiu, o homem capaz, sobredotado e fiel a quem lhe concedia o poder, decerto que lhe não era dispensada a cega confiança de D. José. Para ele era insuportável uma casta de nobres agindo por conta própria e ainda pior do que isto, uma Ordem religiosa “omnipotente” como a Companhia de Jesus, vivendo e agindo à margem da autoridade do Estado.

O rei seguia todos os conselhos do Ministro, o ódio e a inveja da nobreza caduca acentuava--se.

Em 1756 era fundada a Aula de Comércio (ª), A Companhia de pesca da Baleia nas costas do Brasil, a do Atum nas costas do Algarve e a Companhia do Alto Douro, contrariando o livre comércio e os interesses dos ingleses e de grandes proprietários, o que viria a gerar um motim em 23 de Fevereiro de 1757. Sebastião considerou-o uma rebelião contra o poder de El Rei seu amo. Nomeou, então, o Desembargador D. José Mascarenhas Pacheco Pereira Coelho de Melo. Foram condenados à morte 21 homens e 9 mulheres e a várias penas 155 homens e 33 mulheres.

1) -manda levantar 100 Forcas bem altas, cada uma com o seu cadáver, e ao que parece surtiu efeito.

(a)-Uma espécie de Instituto comercial.

Quebrou, com este exemplo, todas as resistências municipais ao seu projeto de modernização e enérgica administração.

Visava (tal como D. João II) e por isso reprimiu o orgulho da Nobreza exploradora e ociosa, como mais tarde se empenhou em liquidar o “Polvo” (Máfia nobre ou burguesa) que se acoitava na super poderosa sombra da Companhia de Jesus, que acabou por ser expulsa do reino em barcos da Marinha Real.

A tentativa de assassinato do Rei, em 13 de Setembro de 1768, quando este voltava ao Palácio da Ajuda, provavelmente de uma ronda amorosa. O ataque deu-se, com tiros de bacamarte, perto da Quinta do Melo. O rei salvou-se, não por milagre da nossa Senhora de Fátima, mas porque um dos bacamartes se encravou e o cocheiro voltou para trás em vez de seguir para o paço real.

O Rei não deixou de ficar com algumas feridas que apesar de não haver antibióticos, não chegaram a infetar.

Na sequência deste acto, Sebastião cuidou do rei, e “encontrou” de imediato os principais suspeitos, o duque de Aveiro, inimigo dele próprio e de seu Amo, e seus sequazes: - Os Távoras, inimigos declarados, ainda porque a mulher do Marquês Luís Bernardo era uma querida, devota e favorita de El Rei D. José.

Procurados, presos e interrogados os inimigos e seus aliados, (Duque de Aveiro, Alornas, Autoguias e Távoras), passam a ilustres hóspedes dos Fortes à Beira Tejo, sendo condenados os mais responsáveis com pena de morte e executados em 13 de Janeiro de 1759.

Os Jesuítas, que através da confissão reinavam as consciências, controlando a educação e o ensino como trave da perpétua imobilidade e um permanente obstáculo a todas as tentativas de reforma, regeneração e modernização.

Em todos os países se sentia a forte influência da Companhia de Jesus, mas nas colónias de Portugal, principalmente no Brasil estes seguidores de Inácio de Loiola 3 eram, maioritariamente, uma praga doentia.

Já nos primórdios do seu governo, Sebastião José os tinha mandado combater, a Sul sob o comando do governador do Rei de Janeiro Gomes Freire de Andrade e no Amazonas Francisco Xavier de Mendonça. Irritado, mandou o Marquês que os governadores-gerais das colónias inquirissem e lhe dessem a saber os costumes e atos praticados pelos jesuítas. O resultado foi pior do que imaginara.

Os vícios a relaxação dos costumes, foi a sardinha que fez cair o burro, já demasiado carregado com :

-A influência perniciosa e retrógrada na educação, contrariando o progresso que se pretendia;

-A mãozinha Jesuítica que aprovou a revolta do Porto e apoiou a resistência à fundação da Companhia de Grão-Pará.

-E ainda, segundo os relatórios dos governadores a profunda corrupção existente na Companhia que defendia interesses próprios.

- Não contando com as “afirmações” Jesuíticas de que o Terramoto tinha sido castigo divino, face à governação do Marquês.

Assim a “ guerra ” surda, passou a “guerra” aberta.

Sebastião José consegue do Papa Bento XIV a nomeação de um visitador, que recaiu no Cardeal Patriarca de Lisboa. Consegue, também, a suspensão dos jesuítas nos atos de pregação e confissão em todas as dioceses portuguesas, expulsando, até do Paço real, todos os confessores Jesuítas que ali havia.

Morreu Bento XIV e a Ordem dos Capas Negras reage ao ataque do Marquês e apelam ao Novo Papa Clemente XIII, reclamando da ação do Cardeal visitador nomeado.

O Conde contra atacou, pediu ao Papa licença para processar todos os que colaboraram na tentativa de assassinato do rei e em outros atos de lesa majestade. O Papa concedeu, mas solicitou ao Rei que não o expulsasse os jesuítas dos seus domínios. O Conde esqueceu-se de tal pedido e por decreto de 3 de Setembro de 1759, o brigue “S. Nicolau” saiu com um “carregamento” de Jesuítas para Itália.

O já Conde de Oeiras (Decreto de 15 de Julho de 1759), não suporta o comportamento do apostólico representante do papado em Lisboa e manda-o embora de Portugal, fazendo regressar o embaixador em Roma, Francisco de Almada.

O Conde de Oeiras, sendo cristão, acreditava convictamente que era a “Jesuínisteca” o veio transmissor do fanatismo religioso e que a subserviência às vontades de Roma tinham conduzido Portugal a um Estado Decadente. Se o Beatério continuasse a “snifar”, metendo o nariz na politica por influencias beatas e manipulando os devotos em varias áreas de interesse social, o reino continuaria “ metendo agua”, até se afundar.

Voltando à expulsão do Núncio Cardeal Acciaioli, este foi acompanhado até à fronteira de Espanha por 30 dragões (o FCP não existia).

Quanto à Inquisição (a dita santa) o Conde de Oeiras ainda lhes concedeu o prazer da execução de um “Auto de Fé”, a vitima foi, o Padre Malagrida e pouco tempo depois o Inquisidor geral (o irmão bastardo do Rei4 ) juntamente com o seu meio irmão (menino de Palhavã), vão a banhos, desterrados para as matas do Buçaco e por lá ficaram ate que lhes deles se esquecessem.

4) Um dos muitos de D .João V

A nobreza e o clero ficaram definitivamente subjugados pelo poder real.

Seguindo o exemplo de Portugal, França, Espanha e Nápoles expulsaram, também, os Jesuítas. Clemente XIII morreu aterrado.

De novo saiu fumo branco e sucedeu-lhe Clemente XIV e em 1773 este, recém eleito, aceitou a medida proposta, pelo Marquês de Pombal (por decreto de 16.09.1769). Os Jesuítas foram definitivamente expulsos do reino, que significou a renovação moral que se ia deixando embalar na letargia e no fatalismo do castigo divino.

Por estes factos o Marquês tornar-se-ia admirado e figura de grande influência em toda a Europa.

Confrontou-se com a Espanha e a França quando o queriam obrigar a sair da neutralidade, na guerra dos sete anos, com os ingleses.

Se queriam guerra, não hesitou, mandou vir o Conde de Liphe, um dos mais conceituados oficiais de Frederico da Prússia, e encarregou-o da organização do exército e regulamentar a sua disciplina.

Fomentou a construção de novos navios que fortaleceram a nossa marinha, mercante e militar. Apoiou o favorecimento e apoio ao comércio e à agricultura.

Porém é a Indústria que lhes merece maiores cuidados e como o prova disso, a proteção que dá à Fabrica das Sedas, em Lisboa, às fábricas de Lanifícios da Covilhã, Fundão e Portalegre ou à Industria Vidreira da Marinha Grande, entre outras.

Aboliu a distinção entre cristãos velhos e novos, e suprimiu a escravatura em Portugal Continental.

Mas foi censurado, vejam só por mandar prender no forte da Junqueira o Bispo de Coimbra, um pobre velhote de nome D. Frei Miguel da Anunciação que era um dos chefes do partido reacionário que protegia uma seita de fanáticos religiosos. Um velhinho não deveria ser tratado assim.

Mas uma das maiores obras do Marquês foi o impulso que deu à instrução popular. O decreto de 6 de Novembro de 1772 organizava a instrução primária do modo mais completo para o seu tempo. Estabelecia o princípio do concurso, apoiava o ensino particular. Criava o Ensino Secundário (génese dos atuais liceus), convidava as ordens religiosas a abrir escolas nos seus conventos (mas nada de Jesuitices). Favorece o ensino superior criando o Colégio dos Nobres e tratou de reformar a Universidade de Coimbra, reforma que delegou no reitor nomeado por si, Bispo de Coimbra D. Francisco Lemos.

Deu-se uma verdadeira revolução no ensino universitário, mandando para o lixo os legados jesuíticos, colocando em prática os processos mais audaciosos da nova ciência. Foram nomeados sábios, alguns deles estrangeiros de nomeada.

Para além das escolas das Escolas e Universidades, nasceu também um Observatório Astronómico, um Jardim Botânico, um laboratório de Física e Química, um dispensário Farmacêutico, um Teatro Anatómico e um Museu de Historia Natural. Promove a 1ª Exposição Industrial, em Oeiras (talvez a 1ª da Europa e do Mundo). Elevou Aveiro à categoria de cidade, que deixara de ser no reinado do funesto rei D. João III.

De tal modo foi reconhecida a ação do Marquês que no dia 23 de Outubro de 1772, na cerimónia de abertura da Universidade lhe prestaram grandiosa e merecida homenagem. Viam-no mais como soberano do que ministro, de quem tinha a consciência de ter prestado ao país e à civilização o mais elevado e importante de todos os serviços.

A fundação da Imprensa Nacional completa a obra do Marquês no que se relaciona com o movimento intelectual. Pela sua ação Portugal tinha saído das trevas da ignorância e do atraso em que mergulhara.

Antes de 1755 Lisboa era das cidades mais beatas que se conheciam. Missas por tudo quanto era caso e todas pagas antecipadamente. Contra a ditadura clerical da Igreja que influenciava ricos e pobres, só a dita dura do Marquês fez renascer e crescer o país. A frase “enterrar os mortos e cuidar dos vivos” é reveladora da sua energia e sentido prático.

De toda a Europa “chovem” elogios. Era causa de admiração quem, neste pequeno reino à beira mar, conseguiu “plantar” 837 Escolas primárias e secundárias e reformar o Ensino, colocando-o ao nível do que melhor havia no Mundo.

Foi de facto um ditador despótico para a nobreza ociosa e caduca, para “religiosos” retrógados, para burgueses e gente do povo amigas do obscurantismo. A dita dura de Sebastião José de Carvalho e Melo, Conde de Oeiras e Marquês de Pombal (por mérito), é daquelas que preparam o futuro e abrem as portas ao conhecimento e à liberdade. Porém ENGANOU-SE.

5. DESPEDIMENTO SEM JUSTA CAUSA:

D. JOSÉ morre a 24 de Fevereiro de 1777.

Dona Maria, sua filha, herdeira do trono, para quem o Marquês era inimigo, manipulada pela nobreza invejosa e mesquinha e seus confessores, que há muito preparavam a vingança sórdida, decidiu como que numa peça em 3 Atos, despedir SEM JUSTA CAUSA, quem tantos e bons serviços prestara a Sua Majestade seu pai.

- 1º Ato, manda avisar o Marquês de que não se ocupasse do funeral de El Rei;

- 2º Ato, manda libertar todos os presos que tinham sido oposição ao seu pai;

-3º Ato, Sem alegar justa causa, sem qualquer nota de culpa (a não ser o ódio que lhe movia as entranhas) e sem permitir contraditório ou recurso, demite o Marquês das suas funções, retira-lhe todos os privilégios e somente lhe concede o direito de receber o ordenado de 1º ministro e a renda de uma comenda.

Final – Manda retirar o medalhão da estátua equestre de seu pai e no seu lugar coloca o Brasão de Lisboa (um navio de velas cheias). O marquês, no seu retiro de Pombal, para onde tinha sido degredado, ouvia dos seus amigos a frase que corria Lisboa inteira :- “Agora é que Portugal vai à vela”

A MORTE

Depois de vexames, acusações falsas, ofensas várias, interrogatórios vis, humilhantes e recursos, teve o perdão real.

Condená-lo, a raínha, não podia, porque ao fazê-lo puniria também a memória de seu pai e REI D. JOSÈ I.

Desgostoso e humilhado o MARQUÊS (D. Sebastião “o Salvador”) morre na noite de 11 de Maio de 1782.

As exéquias solenes foram celebradas na Igreja do Convento de Santo António, em Pombal, pelo Bispo de Coimbra D. Francisco de Lemos, seu amigo fiel. Foi o monge Benedictino Frei Joaquim de Santa Clara (notável orador) que rezou a oração fúnebre.


A REABILITAÇÂO

Num acto de justiça, por decreto de 1833, a imagem de bronze do Grande Estadista, Marquês de Pombal, foi recolocada no pedestal da estátua do Rei D, José I.

No preambulo do decreto constava:- ”… Que o Marquês de Pombal fora o português que mais honrou a sua Nação no século passado……que homens por capricho…com ingratidão incrível fizeram desaparecer a sua imagem do centro da cidade que ele reergueu das cinzas e a transformou numa das mais belas capitais do mundo.”

Este decreto foi rubricado pelo Ministro Cândido José Xavier.

ARFER

Bibliografias :
- “Romance Histórico” de António de Campos Júnior;
- O Marquez de Pombal” de Teófilo Braga;
-Textos de Pinheiro Chagas.

terça-feira, 28 de abril de 2015

PUBLICAÇÕES, POR SER ANO DE ELEIÇÕES.


CONTOS DE MENINO – AS ESCOLAS DO LARANJAL, DAS ROSAS E DOS CRAVOS


Os meninos Zézinho e Pedrinho eram alunos da Escola do LARANJAL. Era para esta escola que iam todos os meninos, filhos dos que tinham sido capatazes, guardas, encarregados e homens de confiança da Quinta do Senhor António que morreu (coitado) depois de ter caído de uma cadeira.

Havia, também, ESCOLA DOS CRAVOS, onde estavam os filhos dos trabalhadores da quinta, dos encarregados e de outras profissões que não concordavam com os mandos e desmandos do senhor António e, mais tarde, dos seu herdeiros: O senhor Marcelo e o senhor Silva.

Diziam “cobras e lagartos” dos meninos da Escola dos CRAVOS: – Que eram irreverentes, mal comportados, que protestavam por tudo e por nada, que só faziam malfeitorias e até falavam que os pais deles comiam criancinhas …Vejam só!

Os anos passaram, o Zézinho fez-se José e o Pedrinho fez-se Pedro. O padrinho do José, o senhor Mário, amigo do Frank (lembram-se?) levou-o para “trabalhar” com ele. O mesmo fez o senhor Silva padrinho do Pedro, com o afilhado, que para além de lhe ensinar uns truques o levou para “trabalhar” com ele, na esperança de, no futuro, quando governasse a quinta, os “meninos do LARANJAL”, já crescidos , tomassem, com ele, conta da quinta toda ( até já tinham criando um Banco e tudo).

Numa outra escola, que era a das ROSAS, cujo diretor e gerente era o senhor Mário, que castigava expulsava quem “brincasse” ou “alinhasse” com os meninos da escola dos CRAVOS, e lhes garantia que quando, já preparados (ou não), saíssem teriam bons empregos e eram industriados para, no futuro, conjuntamente com os ex-meninos da escola do LARANJAL tomarem conta dos negócios da ex-Quinta do senhor António, alternando periodicamente a sua gerência. Se o senhor Mário não queria nada com os “meninos “ da escola dos CRAVOS ( porque quando era menino andou lá e não o deixaram ser chefe de turma), o senhor Silva tinha um sonho, ser chefe com um administrador seu discípulo da escola do LARANJAL.

Os meninos da escola dos CRAVOS, já crescidos, seguiram o caminho dos seus pais, protestando, exigindo liberdades, direitos e deveres iguais para todos. Por isso os pais deles, alunos no tempo em que a quinta era do senhor António, foram presos, deportados e espancados, mas como agora isso pareceria mal aos donos das grandes quintas em redor, não podem fazer o mesmo que fizeram aos pais deles. Assim os ex-meninos das escolas do Laranjal e das Rosas não podendo mandar prender quem protesta, vingam-se (são vingativos pela surra) distribuem entre si os empregos mais bem pagos e como são donos dos Bancos os outros ex-meninos têm juros mais altos a pagar, aumentam-lhes os impostos, mandam-nos para o desemprego e até lhes tiram as casas e as empresas. Protesta-se, mas eles vão sonhando com os tempos Antoniensis.

A realização do sonho do senhor Silva, foi toda tramada pela “surra” ENTRE O José o Pedro e os padrinhos. Quando o José era o gerente da quinta (com o apoio do senhor Mário) sabendo da vontade do administrador (o chefe) e lembrando-se dos tempos em que eram colegas no LARANJAL decidiu-se, chamou Pedro e disse-lhe: – … Vais continuar a fingir que estás contra mim e Pedro, agora é que vamos realizar o sonho do nosso chefe (senhor Silva), ser ele o patrão e tu o gerente. E assim foi, o José, com o apoio dos apoiantes do Pedro, fingiu que a quinta ia à falência, pediu dinheiro emprestado a uns usurários (tipo penhoristas), acordou com eles fazer tudo o que eles mandassem e disse ao Pedro: .”…Toma conta da quinta mais o senhor Silva, continua a fingir que não és meu amigo e quando protestarem contra as malfeitorias que tiveres de fazer, dizes que a culpa foi e é toda minha, que tem de cumprir o que eu prometi, para o bem e a honra do nome da nossa QUINTA.

Assim foi, mas isto não fica por aqui, a saga dos contos de menino continuará.
ARFER - 2010

EM 2011

 ACONTECE A TAL CONVERSA HAVIDA NA PRAÇA  "1º DE MAIO".

CONVERSAS DA PRAÇA " 1º DE MAIO"

Estavam dois homens falando 
Na esquina daquela praça
Completamente alheados
Da gente que por lá passa.
Provavelmente falavam
De casos das suas vidas
Mas quando passei por eles
No espaço de um segundo,
Escutei…não foi por mal
Que a conversa afinal
Que eu pensava ser banal
Tinha um interesse profundo.
Falavam de indignidade,
Da fome que há no Mundo.
Parei disfarçadamente
Um pouco distanciado.
Ouvi então um dizer:
“Aprovou-se o “Orçamento”
Discute-se agora o PEC 
Eu penso a cada momento
Que é preciso outro PREC.
E disse o outro:
Estas crises financeiras
Maquinadas à distância
Não são mais que roubalheiras
Fruto de muita ganância
Dos donos do Capital.
Os pobres ficam mais pobres
E o desemprego aumenta
Se isto continua assim
A gente não aguenta.
Então disfarçadamente
Passo a passo dali saio.
E recordei aquele ABRIL (74)
E os cravos do mês de Maio.

ARFER

ESCRITAS EM OUTUBRO DE 1985. A memória coletiva por vezes é curta, daí a intenção de as publicar. Lembram-se? Quem foi eleito primeiro ministro e tomou posse em Novembro desse ano? Quem se lembrar, faça o enquadramento. Para melhor enquadrar (porque vêm aí as eleições) é quem, protegendo até aos limites da inconstitucionalidade o atual governo, vê a sua “obra”, delineada em pensamento, quase completa. Felizmente ainda não completa.

Evitei as 13, daí serem 14 as QUADRAS SOLTAS:

1.Tal como antigamente/os outros são todos maus/se eu não for presidente/o país será um caos.

2.Já, também, o SALAZAR/e depois Marcelo Caetano/repetiam esta frase/cem vezes em cada ano.

3.Assim tentam demonstrar/os “democratas” que são/os outros são todos maus/nós é que temos razão.

4.Pois, que importa o desemprego?/A injustiça social?/São coisas sem importância!/Tudo isso é natural.

5.Parem-se barcos e fábricas,/reduzam-se a produções./Nós pagamos subsídios,/a CEE dá milhões.

6.Nós concedemos favores/desde que haja sossego/somos país de “setoures”/que vão para o desemprego.

7.Aos reformados só basta,/na véspera das eleições,/oferecer-lhes umas férias/e dar-lhes mais uns tostões.

8.Aos estudantes, é fácil./Prometer não custa nada./É manter-lhes por um tempo/ a vida facilitada.

9.Também aos desempregados,/nós faremos referência./Falaremos da “retoma”/e de empregos com urgência.

10.aos filiados da CAP,/agricultores e rendeiros,/no direito aos subsídios/serão vocês os primeiros.

11.Este é o nosso programa,/com o PEDIP e o FEDER/construímos muita estrada/e ficamos a dever.

12.E quando o dia chegar/de pagarmos, sem apelo,/cederemos o poder/e outros virão faze-lo.

13.Nessa altura, então seremos/verdadeira oposição,/bastando que os acusemos/de uma má governação.

14.E como é falha a memória,/só alguns se irão lembrar./Então, repete-se a história/VOLTAMOS A GOVERNAR!

ARFER