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quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

ESPERANÇA QUE O FUTURO É JÁ HOJE - FELIZ ANO NOVO


E JÁ AGORA, NUM ABRAÇO FRATERNO E MUITA AMIZADE, DESEJO A TODOS UM FUTURO COM SAÚDE, FELICIDADE E ESPERANÇA, PORQUE O FUTURO É JÁ AGORA. ATÉ PARA O ANO !!!

E CÁ VÃO UMAS PALAVRAS

 
CINCO letras, cinco dedos

Todos eles são diferentes

Tal como ideias e credos

Seguidos por tanta gente.


ou

CINCO letras, cinco dedos

Tal qual os DEDOS da mão.

E CINCO são os sentidos.

Diz-nos a voz da RAZÂO.

 

Então SAÚDE para todos,

Ser FELIZ e ter esperança

Que, também,  o novo ano

Traga AMOR com abastança.

 ENTÂO:

Para ti, querido(a) AMIGO (a)

Neste ano que cai de VELHO

Num FORTE  ABRAÇO sentido

Te mando um CRAVO vermelho

ARFER




sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

NATAL COM PAZ E PÃO PARA TODOS

 
  video

UM BOM E FELIZ NATAL PARA TODOS e NÃO DEIXEM DE SONHAR PORQUE O FUTURO SERÁ O PRODUTO DO NOSSO QUERER E FAZER ... HAJA ESPERANÇA.
UM ABRAÇO PARA TODOS.

N A T A L
Nada melhor do que ter

AMOR, PÃO e AMIZADE

Também é bom não esquecer

Aqueles que neste MUNDO

Lutam pela igualdade.



Sendo assim, que este NATAL

Nos sirva de reflexão

Sobre a tristeza que assola

As muitas casas sem PÃO

E os meninos sem ESCOLA.



SES:

Se acham bem o que digo

Se certos e do meu lado

Levem a quem não consigo

O que vai neste “RECADO”.



Se ao nascer há IGUALDADE

Se na morte é tal e qual,

Porque é que durante a vida

Não há “espírito” de NATAL.
ARFER
PS. Isto sem falar daqueles que nos vêm como números sabendo que somos gente. (Já se foram, que não voltem.)
Que os que vieram alimentem a esperança! BEM HAJA

quinta-feira, 30 de julho de 2015

QUANTO TEMPO TEM O TEMPO?

 

EXACTAMENTE HÁ CINCO ANOS, NO ÚLTIMO DIA DE JULHO, PUBLIQUEI ESTAS PALAVRAS.
 
QUANTO TEMPO TEVE O TEMPO DESTES ULTIMOS QUATRO ANOS?
 
 
PENSANDO NO TEMPO

Pensando no TEMPO…
Mas que Tempo???
Que espaço, que volume,
Que distância tem o Tempo?
Alguém sabe quanto Tempo tem o Tempo?
O Tempo passa, o Tempo voa, o Tempo tarda.
Não há tempo para pensar no Tempo,
nem sentir a importância do Tempo
em cada um de nós.
Se todos temos um Tempo diferente,
e temos dele uma noção desigual.
Se na espera o tempo se prolonga
e nos bons momentos é lesto.
Se a vida é intensa o Tempo é curto.
Afinal o que é o Tempo,
Senão o parecer dos nossos sentidos.
O Tempo é uma estrada, onde a
Velocidade é variável.
É o princípio e o fim,
Onde o presente e o passado
Se confundem com o futuro.
Contudo o Tempo existe,
Tem uma dimensão uniforme e variável,
Tal qual a Identidade de cada Homem.


ARFER

quinta-feira, 9 de julho de 2015

HISTÓRIA PRENSADÍSSIMA - DO JARDIM À BEIRA-MAR PLANTADO.

COM UMA DÉCADA DE EXISTÊNCIA, PARA OS MEUS AMIGOS MELHORAREM E DESENVOLVEREM, O 2º EPISÓDIO (1910/2015) SERÁ PUBLICADOS EM DATA PRÓXIMA.
 

História Prensadíssima / Monarquia

 Quando ainda esta terra não tinha nome, andaram por cá homens sem identidade, nos tempos do Acheulense (período pré-histórico do paleolítico superior), cujo traje seriam as peles de animais e as suas armas e ferramentas feitas de pedra, que deixaram vestígios da sua existência em gravuras rupestres gravadas nas rochas e nas pedras por eles trabalhadas. Foi a pré-história de um país ainda não definido.

Muito mais tarde, milhares de anos depois, os Iberos (oriundos da região mediterrânica), os Ligures (vindos da Córsega) e mais tarde os Celtas –povo guerreiro e violento, que da região dos Alpes chegaram até cá. Fundiram-se os povos, cruzamento a cruzamento, foi o tempo dos Celtiberos.

Fenícios, Gregos e Cartagineses por cá passaram e estiveram uns bons tempos, impondo a sua presença principalmente na região litoral, até que chegaram os Romanos à península e encontraram feroz resistência dos indígenas , chamados , então, de Lusitanos* , tal como tinha acontecido com os Fenícios e Cartagineses.

Porem o poderoso Império Romano não desistiu dos seus intentos, estava na fase expansionista, e instalou a sua base para a conquista  nas colinas da margem norte do nobre estuário, que os Fenícios tinham dado o nome de “Allis Ubo” (enseada amena).

Apesar do grande chefe Lusitano Viriato ter sido assassinado, segundo dizem, por um traidor a soldo dos Romanos, Sertório (um general romano desertor) tomou o seu lugar e enfrentou e venceu os romanos , fixou residência em Évora (Liberalitas Júlia), que mandou fortificar, lá estabeleceu a sua residência e organizou a Lusitânia à maneira Romana.

O Romanos não desistiram e após oito décadas e muitas batalhas, ganharam  a guerra e consolidaram, definitivamente, a conquista da Península (59 AC). Fixaram a capital em “Emérita Augusta” (Mérida) e como segunda cidade Olisipo “Felicitas Júlia”, aquela que tinha sido a base principal para o ataque final à Lusitânia, e  a cujos habitantes deram direito de cidadania e durante cerca de 450 anos assim continuaram.

Com a queda do Império Romano do ocidente, vieram as invasões (chamadas) bárbaras e assim a partir se 409 DC e até 453 DC Alanos, Vândalos por cá andaram. Os SUEVOS fixaram-se e governaram um território (com 20 léguas de largo) que ia da margem norte do ria que se chamaria TEJO até à FINISTERRA, o extremo norte do que é hoje a GALIZA. Porém em 453DC chegaram os Visigodos comandados pelo Rei Leovigildo e fixaram-se por cá durante 3 séculos (absorveram o reino Suevo). Decidiram que a “Bracara Augusta” (dos Romanos) seria a capital do reino e seriam eles, visigodos, que adubaram as raízes da cristandade na península.

 
* Lusitânia – região com fronteiras mal definidas mas que na qual se encontra este pequeno espaço

que se chama hoje Portugal, cujo nome se pensa ter origem num chefe lendário chamado LUSO.

Em 711DC chegaram os Árabes, invadiram a península, que passados oito anos estava quase toda conquistada, excepto as franjas a norte, região montanhosa, onde os peninsulares resistiram e formaram vários reinos (Leão, Astúrias, Navarra, Aragão….) . Durante 430 anos, mais coisa menos coisa, vivemos sob a égide muçulmana, apesar das constantes incursões (avanços e recuos) dos cristãos do norte. Com os muçulmanos, povo mais culto e sábio, conhecedor da ciência e das artes, muito aprenderam os peninsulares.

Passados esses 4 séculos de conquistas e reconquistas começou a despontar um “fruto”que inicialmente se chamou condado Portucalense, nome derivado de Portucale (localidade a norte da foz do Douro) e foi assim:- Para combater os Mouros, D. Afonso VI , rei de Leão, pediu ajuda, através da Ordem Benedictina, a uns cavaleiros gauleses dos quais, dois se destacaram e que,  devido aos seus feitos em peleja, foram “premiados”. Assim a D. Raimundo e D. Henrique (os tais dois) ambos de Borgonha, foram dadas em casamento as filhas, do que seria avô do primeiro rei deste canto à beira mar plantado, que se chamaria Portugal e que é hoje a nação mais antiga do Mundo, com fronteiras definidas (há 766 anos).

Assim D. Raimundo casou com Dona Urraca (a filha legítima) e D. Henrique “o Borgonhês” casou com Dona Teresa (filha bastarda) e ainda, no que ao caso interessa, ao 2º casal foi ofertado como prenda de casamento o Condado Portucalense, região limitada entre os rios Douro e Minho, a sul estavam os Mouros.

Nasceria, algum tempo depois, um rebento que se chamaria Afonso (tal como o avô) que na puberdade foi entregue aos cuidados de uma família abastada (família Mendes) e teve como Aio um tal Egas Moniz, que o educou e protegeu. Porem Dona Teresa sua “santa” mãe influenciada por um fidalgo galego – Fernão Peres de Trava – antes e depois da morte do “Borgonhês”, estava a levar o condado à perda da independência, pelo que D. Afonso (o infante) decidiu, pôr a mãe fora de casa e, como único herdeiro, tomar as rédeas do condado. Assim resolveu em 1128, nos arredores de Guimarães, colocar a mãe em seu sítio e deu-se a batalha de S. Mamede, o que irritou o avô. Para evitar desacatos o Aio e fiel servidor do infante, pessoa respeitável e influente, acalmou D. Afonso VI rei de Leão e D. Afonso Henriques (por ser filho de Henrique) decidiu auto-denominar-se Rei de Portugal. Apesar de algumas negativas da Santa Sé e algumas escaramuças com o avô, lá conseguiu a sua “legalização”. Seria o “Conquistador” e, como tal, decidiu avançar para sul, com ajudas aqui e ali, ora de cruzados (Lisboa) ora da populaça (Évora). Lá foi atingindo os seus objectivos. Dando umas benesses, por exemplo: a região de Tomar aos “Templários”, a de Alcobaça aos monges de Cister, Évora a Giraldo(o SEM PAVOR)…etc., lá foi alargando o território e consolidando a independência, que só foi atingida na sua globalidade, com as fronteiras que hoje temos, quatro reinados depois por D. Afonso III em 1249.

Até à definição das fronteiras do país que hoje somos foi preciso mais de um Século para lá chegar e o tempo de cinco reinados:- D. Afonso I, D. Sancho I, D. Afonso II, D. Sancho II e finalmente D. Afonso III, o que decidiu,  também, fixar a capital  do reino em  Lix Bona.

O reino entrou em fase de paz, à parte de pequenas escaramuças, e dedicou-se às questões políticas, económicas e sociais. D. Dinis foi feito rei e tomou decisões evoluídas para o seu tempo, consagrou-se à área do saber e criou uma Universidade em Lix Bona que seria transferida para Coimbra (cidade de mais sossego e no centro do reino), isto em 1308. Foi protector da agricultura, daí o cognome de “Lavrador”, e mandou plantar o pinhal de Leiria tendo em vista suster o avanço das areias da orla marítima. Mais tarde a madeira desses pinheiros foi um valor acrescentado e deu grande contributo para a construção naval (não havia eucaliptos, que só um pouco mais de 2 séculos chegariam à Europa).

Rebaptizou os “Templários” em “Ordem de Cristo”e colocou-os no seu lugar.

Teve como digna e virtuosa esposa a senhora do “milagre das rosas”. A rainha Santa Isabel.

Sucedeu-lhe o filho D. Afonso IV “o Bravo” que casou com Dona Beatriz de Castela e teve 7 filhos. Dotado de um carácter irascível e violento ocasionando confrontações com vários familiares. Declarou guerra a Castela até que ter que se unir com esta para combater os Mouros (batalha do Salado).

O que o torna mais conhecido, nas estórias da história foi o facto de ter mandado matar, Dona Inês de Castro, dama de companhia da princesa (Dona Constança de Castela) que tinha sido indigitada para esposa do filho varão D. Pedro, o que viria a ser o justiceiro.  A culpa de Inês foi, tão somente, a de ser bela e formosa e essa beleza conquistou D. Pedro. D. Afonso achando perigosa essa relação, e  a influência que ela e sua família exerciam sobre o herdeiro do trono e a antipatia gerada em torno desse amor que viria a ser causa nacional, mandou-a matar por degolação (diz-se que o local do acto foi a fonte dos Amores em Coimbra).  Dona Constança adoeceu de desgosto e acabou por morrer no parto do terceiro filho.

No entanto, D. Afonso IV à parte do seu carácter violento, tomou medidas acertadas durante o seu reinado em áreas como a justiça, a cultura, agricultura, saúde, comércio e navegação.

D. Pedro I sucede ao pai, e como primeira medida manda matar os algozes de Inês a sua amada (daí o cognome de “Justiceiro), com quem, declarou ter casado secretamente e que desse amor teria nascido um filho bastardo.

Devido ao facto de ter introduzido como lei o beneplácito régio pelo qual todas as bulas da Santa Sé careciam de visto real, o que lhe veio a garantir a inimizade do clero.

Os restos mortais de Pedro e Inês estão, em dois dos mais belos túmulos já vistos, no mosteiro de Alcobaça.

Sucede-lhe D. Fernando “o Formoso” que viria a casar com Dona Leonor Teles e da qual tiveram uma filha (Dona Beatriz, que viria a casar com o rei de Castela).

Entretanto, para além da lei das sesmarias decidiu aliançar-se com Eduardo III de Inglaterra, aliança Luso-Inglesa, que mais tarde viria a servir o interesse destes.

Morto D. Fernando, Leonor Teles tornou-se a regente do reino e a filha (Dona Beatriz) casada com o rei de Castela viria a reclamar o trono (aliás as mulheres foram a causa principal dos grandes conflitos entre Portugal e Castela). Perante a hipótese de perda da independência, o povo de Lisboa elegeu se Rei D. João I, Mestre de Aviz, filho bastardo de El rei D. Pedro ao qual se aliaria outro jovem , ele também filho bastardo do Prior do Crato , D. Nuno Alvares Pereira (que mais tarde com as grandes comendas recebidas, tornaria a Casa de Bragança a mais poderosa, deste canto à beira-mar plantado.  

Depois da “eleição” popular em Lisboa, da morte do conde de Andeiro amigo “influente” da regente Dona Leonor Teles e da entrega, por ordem desta, da alcáçova (castelo de S. Jorge) ao infante D. João (O eleito pelo povão), os castelhanos cercaram Lisboa, mas retiraram vencidos pela resistência e derrotados pela peste. Mais tarde em 1385 nas Côrtes reunidas em Coimbra, João das Regras fez a proclamação, legitimando o eleito e declarando D. João I rei de Portugal.

O rei de Castela não gostou da decisão e invadiu Portugal com um poderoso exército e mais uma vez o azar bateu à porta das hostes castelhanas. Para além da estória lendária da padeira que matou sete castelhanos à pazada, o seu poderoso exército foi amplamente derrotado na Batalha de Aljubarrota*, pelas tropas lusas comandadas pelo condestável do reino D. Nuno Alvares Pereira. Outras pequenas batalhas se sucederam, mas lá se deram por vencidos definitivamente. Voltaram à carga, como veremos mais tarde (1580) e sempre por via das ligações conjugais.

Iniciou-se uma nova etapa (2ª Dinastia) com o reinado de D. João I, firmaram-se as raízes da expansão portuguesa que acabariam por chegar a todos os cantos do Mundo (conhecido e desconhecido). Primeiro as campanhas contra os mouros do norte de Africa, que de quando em vez atacavam e pirateavam as costas do Algarve. A primeira grande campanha foi a conquista de Ceuta, comandada pelo próprio rei, onde armou cavaleiros os seu filhos Duarte, Pedro e Henrique o que viria a ser o “pai” dos Descobrimentos.

Então deu-se início a um dos mais extraordinários feitos da história da humanidade, Portugal liderou a descoberta do Mundo desconhecido até então.

Depois de Ceuta, D. Henrique fundou a Escola de Sagres, centro de estudos navais, rodeando-se dos melhores geógrafos, matemáticos e cartógrafos daquela época. Estudaram novos modelos de embarcações, adequadas a grandes viagens, das quais a Caravela e a Nau foram os expoentes para a época e as lendas do mar invencível esfumaram-se.

 * O mosteiro da Batalha foi mandado construir em honra dessa vitória.

D. João o primeiro morreu e um dos seus filhos,  D. Duarte, subiu ao trono, a epopeia marítima continuou. Seguiram-se-lhe D. Afonso V “o Africano”que também seguiu pelo mesmo caminho e as descobertas ao longo da costa africana foram sucedendo, os ventos e as correntes do Atlântico foram sendo familiares.

Sucede-lhe D. João II “Príncipe Perfeito” que seguindo a mesma directiva, lhe dá a maior dimensão histórica, Portugal tornar-se-á o centro do Mundo e Lisboa sua porta. Estabelecem-se feitorias ao longo da costa africana. O forte de Mina é construído como base militar de apoio, Diogo Cão chega à foz do Zaire e conhece a costa ocidental de Angola, de seguida Bartolomeu Dias a mando de El Rei D. João II , vence o “Adamastor” e dobra o Cabo das Tormentas, baptizado de Cabo da Boa Esperança. Estava descoberta a passagem do Atlântico para o Indico e à vista o caminho marítimo para a Índia.

D. João II, também, já conhecedor do continente americano e da geografia do Atlântico rejeita os serviços de Colombo, casado com a filha de Bartolomeu Perestrêlo e no Tratado de Tordesilhas, manda Duarte Pacheco Pereira em sua representação negociar o afastamento da Linha divisória (traçado em Alcáçovas) para mais 270 milhas marítimas a ocidente, razão porque “acidentalmente” Alvares Cabral de desviou da rota e foi dar a Porto Seguro, fazendo com que hoje mais de 150 milhões de pessoas falem português.

D. João II acolheu os Judeus expulsos de Espanha e deu-lhes protecção a troco de um tributo, destacou-se Abraão Zacuto seu colaborador como astrónomo, médico e matemático, enfrentou a Igreja retrógrada e fundamentalista e também, como é natural e devido ao seu carácter, a nobreza caduca (anti progresso). Nomeia corregedores e faz justiça. D. Fernando duque de Bragança que comandava os ideais dessa nobreza é decapitado na Praça do Giraldo em Évora, após julgamento no Palácio das 5 quinas. Tendo em vista a grandeza de Portugal, semeou muitos inimigos.

Ao fim de 13 anos de reinado o visionário, diplomata, guerreiro, homem alto e forte fisicamente morre a vomitar sangue em Alvor (diz-se que envenenado, a mando da raínha) e tendo o seu filho Afonso morrido também, por queda de cavalo, não tinha sucessor.

Sobe ao trono o seu primo D. Manuel “o Venturoso”(pudera, com uma herança daquele calibre) que no Verão de 1497 envia uma pequena frota de 4 navios, comandada por Vasco da Gama (homem de confiança de D. João II) a caminho da Índia, que dez meses depois de grandes privações lá chegará a Calecute. Por sua vez Pedro Alvares Cabral em 1500 chega ao Brasil, fruto do acto político de D. João II que já conhecia a existência daquelas terras (secretamente), as fez pertencer à coroa portuguesa.

O domínio da rota da Índia abalou a supremacia árabe, o império Turco e Veneza, que até aí dominavam as rotas comerciais com o Oriente.

Lisboa tornou-se a “Porta do Mundo” e a enseada amena “Allis Ubo” enchia-se de velas e levava o nome de Portugal a Toda a parte.

Ao palco do Tejo chegam naus das mais variadas bandeiras, é o encontro com o Mundo conhecido e desconhecido. Da aventura e do sonho nasce a realidade. Os novos conhecimentos promovem o desenvolvimento das ciências e das artes, de que a construção do Mosteiro dos Jerónimos, iniciada em 1500 é disso exemplo (nasce o estilo Manuelino) e na pintura o políptico de S. Vicente de Nuno Gonçalves é também símbolo marcante dessa época.

Morre D. Manuel e vem D. João III e com ele o principio da “queda”. Estava-se em “Tempo de Reforma” e em vez de Lutero ou próximos, instala-se por cá a Inquisição. Os Judeus e não crentes da Igreja de Roma são expulsos, postos em fuga ou simplesmente na clandestinidade e os que o não conseguem são queimados vivos e os seus bens tornam-se pertença da Santa Sé. O primeiro Auto de Fé (macro churrasco) dá-se na Ribeira Velha (onde hoje se situa a Casa dos Bicos). Por outro lado a Companhia de Jesus, do dito santo  Inácio de Loyola, cresce em influência.

D. João III abandonou umas e reforçou outras (praças fortes da rota da Índia), incrementou o povoamento do Brasil, mas o seu reinado foi o principio do declínio do Império.

Morre D. João III e vem D. Sebastião “o Desejado”, ainda uma criança que sendo facilmente manipulável foi enviado para a morte em Alcácer Quibir, quem sabe se a mando da côrte espanhola e da nobreza lusa que lhe era afecta.

Sem sucessor o Cardeal D. Henrique, já de longa idade, toma a regência do reino do “Desejado”, entretanto desaparecido e configurou-se o já previsto….o “Assalto”de Felipe II de Espanha ao trono português.

Apesar da resistência de alguns portugueses comandados por António Prior do Crato que enfrentaram o poder de parte da nobreza portuguesa e do Rei de Espanha, a derrota definitiva aconteceu na batalha de Alcântara, perante um grande exercito espanhol comandado pelo Duque de Alba.

Em 1580 iniciava-se a era dos Filipes e foram três. Portugal perde a independência, as terras de Além-Mar e o poderio naval que era seu, mas que a expensas de Espanha se perdeu por afundamento, incluído na dita “Armada Invencível”. Holandeses e Ingleses passaram a dominar os mares e com isso as rotas comerciais.

O Sebastianismo não bastava para alimentar o ego dos portugueses e durante sessenta anos fomos território espanhol e súbditos de Suas Majestades os Reis de Espanha. Porem a identidade não se perdeu e no dia 1 de Dezembro de 1640 tocou-se a rebate. A Regente do reino, duquesa de Mântua, foi expulsa e o seu secretário (ministro) atirado como lixo, da Janela para a rua.

Nascia uma nova dinastia, a Casa de Bragança obtia o que nunca tinha conseguido. O Poder. O eleito foi D. João IV e deu-se início à reconquista das terras e dos bens perdidos.

Após algumas batalhas e trabalho diplomático, Espanha desistiu dos seus intentos, incapaz de vencer a resistência de um povo que queria ser ele próprio e da pressão sentida nos mares por Holandeses e Ingleses.

Reconquista-se o Brasil, Angola (com o apoio dos indígenas) e tudo o que ainda foi possível. Posteriormente, em 1661, a Inglaterra com base na Aliança firmada em 1373, compromete-se a ajudar na defesa militar de Portugal, tendo em vista o seu inimigo principal e concorrencial, a Espanha.

Em 1706 sobe ao trono D. João V, uma espécie de rei sol, em plena época do Barroco, que com os quintos do ouro do Brasil e de tudo o mais que vinha das colónias, para além de ofertar riquezas imensas à Santa Sé em embaixadas luxuosas (ver alguns dos carros sumptuosos que estão no Museu dos Coches), ainda mandou executar grandes obras no reino, tais como: o Aqueduto das Aguas Livres, Convento de Mafra (e os célebres carrilhões), a Igreja de S. Roque e a Biblioteca da Universidade de Coimbra e outras.

E ainda em defesa do Papado, enviou poderosa Armada que venceu os Turcos na batalha de Matapan pelo que o Papa Clemente XI, lhe ficou muito grato (aliás a forte ligação entre a casa de Bragança e o papado sempre foi muito íntima, o Marquês de Pombal que testemunhe).

Morre D. João V e vem D. José I com o super ministro Sebastião José de Carvalho e Melo que de grande embaixador passa a dirigir os destinos do país. Portugal volta de novo a crescer e nem o Terramoto de 1755 foi impedimento para que tal acontecesse. A frase “enterrem os mortos e tratem dos vivos” dá disso conta, é o ponto de partida para a reconstrução e o desenvolvimento do País. Renasce dos escombros uma Lisboa nova, de traçado rectilíneo, praças amplas e ruas largas.

Nesta governação protege-se e apoia-se o desenvolvimento da indústria e do comércio, demarcam-se as regiões vinícolas, trabalha-se tendo em vista o progresso e o futuro. Porem, tal qual D. João II, resolve o Marquês, para bem do colectivo, combater a nobreza arcaica e caduca e os seus direitos e poderes ilegítimos, bem como a Companhia de Jesus (mais uma vez) que estava do lado destes e, mais ainda, servia no Brasil os interesses de Espanha. Assim cria um lote de poderosos inimigos que se aproveita da morte do Rei D. José e com a ascensão de sua filha Dona Maria I promovem a sua condenação ao exílio.

Não sei se por castigo ou devido às pressões internas ou externas, a Rainha acaba por enlouquecer e sucede-lhe D. João VI, primeiro como regente, que não sendo já de si um rei muito competente, ainda teve o azar de Napoleão decidir invadir Portugal e assim a família real e côrte em peso, embarcam e refugiam-se no Brasil, decisão que viria ser acertada, tendo em vista o futuro.

Durante alguns anos, com mais combate e mais batalha os franceses batem em retirada, depois do General Massena, o preferido de Napoleão, ter sido derrotado e as suas tropas postas em debandada. No entanto o saque havido foi tal, que deixou o país mais pobre.

D. João VI regressa do Brasil e fica lá o filho D. Pedro, rastilho para que a grande colónia se viesse a tornar independente. D. Pedro seria o primeiro Imperador desse novo e grande país de língua portuguesa (1821).

Em Portugal a situação estava difícil, D. João VI devido ao facto de não ser muito competente assim o permitia e os desejosos do Absolutismo promovem e apoiam uma revolta comandada por D. Miguel (seu filho), que inicialmente tem sucesso, mas não obtém finalização e D. João VI ordena o exílio de seu filho em Viena. Porém com a morte de do rei o problema da sucessão coloca-se e D. Miguel volta à carga, já que o herdeiro legítimo era o Imperador do Brasil.

D. Miguel é eleito rei, pela nobreza que procura reaver o seu poder e pelo clero conservador, porém D. Pedro que era um Liberal, renuncia à condição de Imperador do Brasil e decide reclamar a coroa portuguesa que era sua por direito. Desembarca na Ilha Terceira (1832), organiza as suas tropas, segue para o Porto e daí se inicia o caminho da vitória. Em 1834 na convenção de Évora Monte a vitória é assinalada. Reclama o trono para a sua filha Dona Maria e morre pouco tempo depois, tuberculoso.

Dona Maria II, sobe ao trono muito nova, assiste-se a algumas revoltas e convulsões, sanadas com a reforma da Carta Constitucional de 1852. Casada com um príncipe alemão – D. Fernando de Sax Coburgo -, homem culto e inteligente (e como na sombra de uma grande mulher está um grande homem) governou com grande saber e o seu reinado não sendo  pacífico foi inteligente de rigor e equilíbrio,  apoiaram-se as artes, “nasceu” a Casa Pia, a Santa Casa da Misericórdia e manda construir o Palácio da Pena, em Sintra, que seria a residência de Verão da família real. Morreu no parto do seu 11º filho.

Dona Maria morre e sucede-lhe D. Pedro V (seu filho) ainda novo, mas espantosamente culto, inteligente e generoso. O seu reinado foi curto, (6 anos apenas) ainda assim pelas reformas efectuadas, de grande interesse para o povo, era um rei amado. Acompanhou nos hospitais e nas ruas as vítimas das epidemias de cólera e febre amarela (1855 e 1857), custeou a criação do Curso Superior de Letras, do primeiro Observatório Astronómico, o Caminho de Ferro, adoptou o sistema métrico, a construção de novas estradas. Morreu em 1861, um ano depois de Sua mulher a Rainha dona Estefânia.

Sucede-lhe o irmão D. Luís também virtuoso e de grande formação cultural e cientifica, pretendia dar seguimento à linha política de seu irmão, porém no seu reinado, que foi longo, enfrentou graves crises económicas, mas apesar disso ampliaram-se as rede ferroviária e viária, iniciaram-se as obras nos portos de Lisboa e de Leixões.

Aboliu em definitivo e intentou dar às colónias de Africa um maior desenvolvimento. Morre em 1889 e D. Carlos I subiu ao trono numa época em que as ideias republicanas germinavam e emergiam.

O reinado de D. Carlos (também um rei culto) sofre um rude golpe em 1890, a humilhação imposta pelo “Ultimatum” inglês (negando o acordado na conferencia de Berlim e “rasgando o Mapa Cor de Rosa, que definia as fronteiras coloniais) que exigia por parte de Portugal o abandono de parte das suas colónias, provocou indignação e revolta. A “Portuguesa*” cantou-se nas ruas, e em 1891 a revolta do 31 de Janeiro deu em banho de sangue, nem a tentativa de ditadura imposta pelo seu poderoso ministro João Franco salvou a monarquia.

No dia 1 de Fevereiro de 1908, vindo de Vila Viçosa, D. Carlos e o seu filho D. Filipe são abatidos a tiro no Terreiro do Paço, escapando a Rainha Dona Amélia e o seu filho mais novo D. Manuel II, que sucederia ao pai, mas por pouco tempo. Os partidos Regenerador e Progressista não se entendiam, os Republicanos minavam a Monarquia, a ditadura de João Franco tentava impor-se, o Parlamento não funcionava. A tentativa de reformas sociais não chegou, os Republicanos ganharam força e em 5 de Outubro de 1910 era implantada a República. A família real abandonou o país, em fuga, e embarcou na Ericeira, rumo a Inglaterra. O rei D. Manuel II, não mais voltou, enquanto vivo(ª), a Portugal.

 
ARFER 28.04.2005

PRÓXIMO EPISÓDIO “A REPÚBLICA” …1910/2015

quinta-feira, 18 de junho de 2015

JOSÉ SARAMAGO - O HOMEM E A PALAVRA .

O HOMEM E A PALAVRA - 5 ANOS DEPOIS
 

"Conheces o nome que deram, não conheces o nome que tens".  "Livro das Evidências" in "Todos os Nomes"
 
18 de JUNHO de 2010
MORREU JOSÉ SARAMAGO Mas ficará sempre entre nós, O comunista convicto, HOMEM do POVO Que tudo fez e desde sempre lutou Para ver o seu Portugal, um país novo. Gostava de CAMÕES e dos poetas da Liberdade, Amado por muitos, ostracizado por alguns Nunca baixou a guarda na defesa da Verdade. Aqueles que desdenharam o seu valor, apresentam, hoje, sentidos pêsames vazios de sentimento. O HOMEM DA “Jangada de Pedra” que uniu os povos das margens do grande Oceano, respirou hoje pela última vez e, decerto, a sua última vontade foi a de seguirmos o seu ideal. O MUNDO FICOU MAIS POBRE. Em vez de ADEUS, um ATÉ JÁ !!! ARFER
 
PALAVRAS DITAS (2012) 

A DANÇA É VIDA
Neste palco do MUNDO
Em que todos somos atores.
Na dança dos sonhos
Só se erguem HOMENS de sonho,           
Na lucidez da sua cegueira,
Na dureza do seu caráter,
Nas palavras do seu Evangelho.
E na corrente da limpidez da sua PALAVRA
Carregada de sabedoria                                
Levar-nos-ia na “Jangada de Pedra”
Comandada por bom timoneiro
Ao encontro da “Ilha dos Sonhos”
Onde todos os homens e mulheres
Seriam livres e “Levantados do Chão”.       
Nessa sua “Ilha desconhecida”
Em que múltiplas gentes
De todos os continentes,
Numa sinfonia multicultural,
Fariam dela a sua PÁTRIA.                       
  
Nela honrariam a língua que os unia
Numa dança e num canto de louvor à LIBERDADE.
Por ela derramariam o seu “sangue”,
Pela igualdade no direito e no dever.
No sonho que nele habita                          
    

Dessa tal “Ilha encantada«
Em que o SER dignifica
E o TER não lhe diz nada

ARFER

E o HOMEM disse:-
“ … Negar a minha Pátria é como rejeitar o meu próprio sangue…”
E o HOMEM interroga:
“ … Como é que se pode não pertencer á língua que se aprendeu,
A língua com que se comunica, neste caso a língua com que
se escreve?? …”
 
"Livro das Evidências" in "Todos os Nomes"
Há na memória um rio onde navegam/ Os barcos da infância, em arcadas/ De ramos inquietos que despregam/ Sobre as águas as folhas recurvadas. / Há um bater de remos compassado/ No silêncio da lisa madrugada,/ Ondas brancas se afastam para o lado / Com o rumor da seda amarrotada. / Há um nascer do sol no sítio exacto, À hora que mais conta duma vida, / Um acordar dos olhos e do tacto, / Um ansiar de sede inextinguida. / Há um retrato de água e de quebranto/ Que do fundo rompeu desta memória,/ E tudo quanto é rio abre no canto/ Que conta do retrato a velha história.   JOSÉ SARAMAGO "POEMAS POSSÍVEIS", Editorial CAMINHO, 1981.
 

quinta-feira, 11 de junho de 2015

MARCHAS "POPULARES" - FOLCLORE CITADINO.






MARCHAS DITAS POPULARES DE LISBOA … A BANDA PASSA …QUEM LEMBRA A DESGRAÇA?

O espetáculo JUNINO, mas não genuíno, repete-se cada vez mais sofisticado. Oitenta e três anos depois, marchantes, padrinhos, arcos e balões desfilarão (em liberdade) na avenida da LIBERDADE. O grande desfile, a 12 de junho, terá a seguinte ordem de partida: 1. Mercados,2.Campolide, 3.Mouraria, 3.Santa Engrácia, 5. Marvila, 6. Alfama, 7. Graça, 8. São Domingos de Benfica, 9. Carnide, 10. Madragoa, 11. Benfica, 12. Bica, 13.Alcântara, 14. Bairro Alto, 15. Baixa, 16. São Vicente, 17. Olivais, 18. Lumiar, 19. Alto do Pina, 20. Beato e 21. a da Ajuda.

Nos dias 5, 6 e 7, apresentar-se-ão no “MEO-ARENA” o mais recente palco da moda, dizem que foi um bom negócio.

Destes bairros (o bairro da baixa não conheço) apresentados a concurso, um deles será o grande vencedor. Estes vinte e um bairros marcharão, a concurso,  ( recriando as tradições imaginadas) na Av. da LIBERDADE, no dia 12 de junho, com paragem e exibição frente ao Parque Mayer / Música, dança, arcos e balões / Um espetáculo, bem encenado, a não perder.

E porque, gente coisa é outra fina, o prémio de 2014  coube á marcha de ALFAMA. Este ano qual será o bairro felizardo?  Mas para que não falhe a memória  cá vai um pouco de história.

MARCHAS POPULARES OU INVENÇÃO DO FOLCLORE CITADINO


As Festas Populares eram manifestações culturais que espelhavam a identidade de quem as produzia.

Os Arraiais eram comuns nas aldeias, vilas ou bairros da cidade e estavam associados ao SOLSTÍCIO de Verão, de origem Pagã. Era tradição queimar as coisas velhas, e daí a origem das fogueiras juninas.

Nos casos específicos dos bairros da cidade de LISBOA, as festividades populares não fogem à regra e têm, nas mais variadas representações, a sua identidade, no FADO, nas CEGADAS (representações teatrais de rua), nas rodas e cantares à volta da fogueira, 0nde, também, a simbologia do bairro estava presente.

A partir de fins do Sec. XVIII surge o culto do Santo António, que o Clero e o governo da cidade elegeram como patrono popular, passando S. Vicente a mero símbolo da cidade.

Apesar do contacto e interligação com outras culturas e outros hábitos, as “marcas” bairristas vão sendo representadas nas festas tradicionais da cidade onde o culto de Santo António prevaleceu. As marchas “ditas” populares que sucederam às marchas “Aux Flambeaux”, popularmente chamadas de “Fulambó” que percorriam as ruas do bairro e dos bairros adjacentes, em grandes filas, acompanhadas das bandas filarmónicas do bairro ou das designadas “troupes”( estas sim, as marcadamente de raiz popular).

Assim, as marchas populares, deixaram de o ser, ainda que aparentemente o sejam. A partir do Mês de Junho de 1932 passaram a ser um produto de folclore urbano, com obediência a regras e princípios, devidamente regulamentados e com a encenação adequada aos propósitos regimentais, como que um complemento da “CASA PORTUGUESA” de Raul Lino, é mais uma peça do puzle inserida no projecto de folclorização do Estado Novo Português.

É na sequência das comemorações do 28 de Maio, em 1932, que o “Notícias Ilustrado” no seu número especial sobre a efeméride, anuncia o 1º concurso das marchas. Um espetáculo capaz de mobilizar a atenção dos Lisboetas. No dia 12 de Junho de 1932 a sala do “Capitólio” enchia. Um êxito popular, segundo a imprensa da época.

O diretor do “Noticias Ilustrado” era, nem mais nem menos, José Leitão de Barros, também realizador de cinema, promotor cultural e muito ligado a ANTÓNIO FERRO o responsável pela política de PROPAGANDA do Regime, criador do Secretariado da Propaganda Nacional. A “ideia-proposta” de Leitão de Barros vai no sentido de satisfazer a vontade de Campos Figueira, diretor do Parque Mayer, no sentido de criar em Junho desse ano (1932) um espetáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas, pensado, dito e feito, caiu como sopa no mel. Foram convidadas a participar as coletividades de cada bairro, sendo que a produção estaria a cargo do Parque Mayer .

A propaganda de promoção foi intensa e a mobilização popular aconteceu.

Este projecto, apresentado como que fazendo parte da tradição, era o ideal, numa altura em que bem mais importante que veicular ideias, importava, isso sim, distrair o POVO, em cumprimento da Cartilha Cultural de ANTÓNIO FERRO.

Pouco importará se as marchas que se apresentaram no palco do “Capitólio”, em 12 de Junho, foram as do Alto do Pina, de Campo de Ourique, Bairro Alto ou Alfama, o que conta foi o sucesso popular que teve e principalmente porque foi um veículo de apoio à propaganda do regime Salazarista.

O concurso das marchas populares regressou, em força, no ano de 1934, concorreram então 12 Bairros. O Município de Lisboa chamou a si a organização e integrou-as no que designou por Festas da Cidade.

Se em 1934 as marchas celebraram o 10 de Junho (como Dia da Raça); em 1940 assinalaram os Descobrimentos Portugueses; de 1941 a 1946 não desfilaram, foi o tempo da 2ª Guerra Mundial; em 1947 comemorou-se a conquista de Lisboa aos Mouros por D. Afonso Henriques e em 1973 o tema foi o Grande Desfile Popular do Mundo Lusíada.

A cidade acabou por se apropriar das marchas como símbolo de uma identidade perdida, entre o rural (Ex. m. de Benfica) mas quanto à celebração das festas e dos santos populares constitui uma novidade, acabando até por potenciar a tradição dos arraiais e dos bailes populares.

As CEGADAS, essas, foram politicamente extintas e a representação transferida para os palcos, onde o controle da censura era mais eficaz.

Desta forma, tento fazer lembrar que as “Marchas (ditas)  Populares” foram uma encenação criada com objetivos concretos, tal como muito do folclore rural que foi criado (a partir dos anos 30) e que hoje representam um espetáculo que, conjuntamente com outros, fazem parte do programa das festas da cidade. Não são uma tradição cultural, mas um espetáculo em que através de simbologia própria manifesta o propósito de nos mostrar algo que tem ou teve a ver com o Bairro que representam.

ARFER

ESTE ANO A GRANDE VENCEDORA, FOI? ...... TAM-TAM -
A MARCHA DO ALTO DO PINA (PELA 1ª VEZ) APÓS OITO DÉCADAS ...BEM HAJA!
Alfama (a grande vencedora do ano passado) ficou em 2º lugar e Alcântara em 3º.
EM JUNHO DE 2016, QUEM SERÁ O BAIRRO VENCEDOR?
UMA IMAGEM DA MARCHA DO ALTO DO PINA. ESPETÁCULO OU TRADIÇÃO?
 

terça-feira, 26 de maio de 2015

ÁFRICA O PONTO DE PARTIDA E O FUTURO DA HUMANIDADE,


O ONTEM E O HOJE

DIA 25 DE MAIO FOI O DIA DE AFRICA, o atraso da publicação deve-se a razões de ordem física. Faço-o hoje com os dois primeiros textos publicados neste blog, ainda que tenham sido escritos uns anos antes.





COMO HOJE QUASE TUDO MUDOU, AGORA SÃO OS EUROPEUS A PROCURAR A MÃE AFRICA PARA NELA ENCONTRAREM ABRIGO E SUSTENTO E, NESSA ATITUDE, DAREM ASO À SUA REALIZAÇÃO PROFISSIONAL. 

HOJE DEVIDO À IMPLEMENTAÇÃO DAS DITAS "PRIMAVERAS", TENDO EM VISTA A AQUISIÇÃO DE MATÉRIAS PRIMAS (MAIS EM CONTA) FOGEM DA LÍBIA MILHARES DE CIDADÃOS E MORREM ÀS CENTENAS NO "MARE NOSTRUM".


25 de Maio: Dia de África
Comemora-se a 25 de Maio, o Dia de África, a data foi instituída pela “Organização da Unidade Africana” em 1963. Em Julho de 2002, esta organização foi substituída pela “União Africana”. A União Africana (UA) foi fundada em 2002 e é a organização que sucedeu a Organização da Unidade Africana. Baseada no modelo da União Europeia (mas atualmente com atuação mais próxima à da Comunidade das Nações), ajuda na promoção da democracia, direitos humanos e desenvolvimento na África, especialmente no aumento dos investimentos estrangeiros por meio do programa “Nova Parceria para o Desenvolvimento da África”. Seu primeiro presidente foi o presidente sul-africano Thabo Mbeki.
Objetivos da União Africana
A União Africana tem como objetivos a unidade e a solidariedade africana. Defende a soberania dos Estados africanos e a sua integração económica, além da cooperação política e cultural no continente.

A divisão territorial do continente africano e as independências ou dependências
A destruição ou desagregação cultural de um povo pela força é como que uma agressão à natureza e pode causar danos e desequilíbrios tais, que produzirão, a médio e longo prazo, efeitos devastadores.
O Homo-Sapiens nasceu em África , partiu para a Ásia e, de lá, para o resto do mundo.
A partir do momento em que, por causas naturais, se formou a barreira arenosa do deserto, tudo se alterou. Ficaram a Norte a civilização dita mediterrânica, a Leste os nilotas (egípcios, sudaneses e etíopes) e a Sul os subsaarianos.
Os “brancos” do Norte e os “pretos” do Sul de África fizeram a sua História, com estruturas sociais, politicas e económicas próprias, factos que nos foram e vão sendo dados a conhecer através dos contextos etnográficos e de estudos científicos nas áreas da Antropologia e Arqueologia.
Na Europa, pouco se sabia de África até ao século XV. Navegadores portugueses iam explorando a costa Atlântica e os Emissários que viajaram até à Etiópia e provavelmente até às costas de Índico, deram, então, conta da existência de estados organizados, como o da Etiópia e do velho império de Kanem, com o Mali e o Songay, a maior de todas as concentrações do velho Sudão, que tinha um estrutura proto-feudal, governada por doze príncipes, que dominaram esses vastos territórios, durante várias gerações.
Na costa ocidental, estabelecem-se relações amistosas com o grande reino do Congo, sendo, até, um dos seus súbditos nomeado Bispo pela Santa Sé. O primeiro Bispo da Africa Negra.
E o que dizer das prósperas cidades da costa oriental – Quelimane, Mombaça, Kilwua, Zulu e Brava – que comercializavam com todo o oriente – mundo árabe, Índia e China – ou das muralhas e torreões do grande Zimbabwé e do Império Monopotapa.
África, a sul do Saara, tinha estruturas e hierarquias próprias, provavelmente ainda sem fronteiras definidas, mas também a Europa só no século passado o conseguiu. No Sec. XV quantos europeus conheciam a escrita?
No século XIX, cerca de oitenta por cento dos europeus eram analfabetos.
A destruição de cidades, a procura desenfreada de escravos, com destino às Américas e Ásia, tal como as investidas dos europeus, ainda que até a algumas dezenas de quilómetros da costa, levaram esses povos a deslocarem-se, cada vez mais, para o interior e a combater entre si, na procura de territórios onde se pudessem fixar, o que terá sido o princípio do desmoronamento das estruturas sociais e políticas, ainda numa fase embrionária.
Mas é no século XIX que é dado o golpe de misericórdia.
Com a denominada Revolução Industrial em curso, os europeus viram África como potencial reservatório das matérias-primas de que necessitavam e em função dos seus interesses económicos decidiram retalhar o continente africano, a seu belo prazer.
Não tiveram em conta as raízes culturais, as fronteiras e as estruturas políticas e sociais dos povos de África. Sete decénios depois concederam-lhe uma falsa independência, carregada de dependências e geradora de conflitos permanentes, em geral alimentados pelas potências interessadas nas suas riquezas. De colonizadores passaram a “Clientes” e “Fornecedores” privilegiados, num crescendo aumento da exploração, a custos reduzidos.
Até que o mapa de África seja redesenhado, as hierarquias se recoloquem, porque as culturas estão lá, a situação de instabilidade mantém-se. Provavelmente será trabalho de mais de uma geração. Uma tarefa ciclópica para um povo debilitado pelas guerras, pela fome, pela SIDA, a Malária e outras maleitas.
Com elites políticas, cada vez mais ricas, profundas desigualdades sociais, cada vez mais dependente de ajudas humanitárias e outras, provenientes de entidades e países que dispensam uma pequena parte dos seus lucros vindos exactamente da exploração dos estados africanos”independentes”. Mas, de facto, cada vez mais DEPENDENTE.

    Várias etapas nas relações políticas e económicas        com ex-colonizadores e outros.

Em dezoito anos, desde a independência do Gana em 1957, à queda do império colonial português de 1974/1975, configuraram-se os mapas de quase todos os estados negros-africanos, com a excepção do Zimbabwé, em 1980, e a Namíbia, em 1990. Neste curto período de tempo sucederam vários golpes de estado, sempre quase induzidos pelas antigas potências colonizadoras. Grã-Bretanha e França com o apoio dos E.U.A, interessados no domínio económico e estratégico, nunca disfarçaram os seus actos de ingerência na política e na economia das ex-colónias. É bem visível que para estas potências colonizadoras em África o objectivo foi outorgar a independência política para confirmar e controlar melhor, eliminadas as pressões internacionais e silenciados os movimentos independentistas, sem que alguma vez tenha sido sua intenção conceder a soberania política às suas colónias africanas para que os novos estados viessem a poder usar livremente os recursos económicos, em seu (deles) benefício.
Independizar tratou-se, evidentemente, de legalizar a submissão aos interesses do ex-colonizador, para uma exploração continuada, a custos reduzidos e proveitos a sobredimensionar..
Se antes os jovens estudantes, licenciados e doutorados nativos, se fixavam nas colónias a expensas do colonizador, hoje os estados independentes pagam essa formação e exportam essa mais-valia sem qualquer proveito. Há centenas de milhar de africanos de diversas origens e profissões, licenciados e doutorados, médicos, enfermeiros, veterinários a trabalhar fora de África.
Excluindo os países africanos de expressão portuguesa os sistemas políticos, na História da África Negra independente, passaram por quatro etapas, por vezes com os mesmos personagens, agindo de forma diversa. Na primeira geração de dirigentes políticos eleitos democraticamente, destacam-se Kwane Nkrumah, Houphouet-Boigny, Sekou-Touré, Julis Nyerere, Mobido Keita, Joseph Kasavubu, e Leopold Sengor, dirigentes respeitados.
Alguns destes dirigentes prosseguem na segunda etapa, mas juntam-se-lhes chefe militares que tomam o poder pela via do golpe de estado, tais como Mobuto Seze-Seko, Jean Bedel Bokassa, na República Centro Africana, Idi Amim Dada, no Uganda, Joseph Ankrah, no Gana.Todos têm princípios que são comuns. Assumem-se chefes de estado, fundam um partido único, proíbem a existência de todos os partidos ou organizações politicas, eliminam ou anulam os potenciais adversários.
Só o Gana, Botswana e o Senegal mantiveram os partidos políticos e a realização de eleições democráticas, ficando pela 1ª etapa.
Na terceira etapa, de pouca duração, surgem alguns militares, que embora assumam o poder em sequência de um golpe de estado mostram-se dispostos a governar com honestidade e respeito pelos princípios humanos, como Jerry Rawlings, Thomas Sankara e Samud Doe.
A mais recente, ou seja a quarta etapa, a actual, surge na sequência do fim da denominada guerra-fria.
O pluripartidarismo torna-se moda, com ou sem convicção, com verdade ou sem ela, o ditador torna-se democrata. É a hora dos convertidos e distinguem-se Kennett Kuanda, Omar Bongo, Mathieu Werekou, Teodoro Obiang, Sassou-Nguesso e Paul Biya.
O caminho não tem obstáculos.
África tem petróleo, é um grande depósito de matérias-primas, um mercado especial a explorar e é principalmente um grande cliente de excedentes bélicos da poderosa indústria de guerra e na área dos serviços, na concentração de mercenários e conselheiros políticos e militares.
É na sequência dessa aura de democracia pluripartidária, de ventos de liberdade, que nesta quarta etapa se produz um novo fenómeno – a era do hiperbanditismo e das milícias armadas, das origens mais diversas. África torna-se um “mundo” armado e armadilhado. O tráfico de armas e a criação de pequenos e grandes exércitos torna-se comum. A criança soldado é uma circunstância comum, tal qual o são os pequenos e grandes massacres.
Quem lucra?
O Fundo Monetário Internacional, as multinacionais, os pequenos e médios ditadores e, principalmente, o país que lidera o projecto utópico do mundo global.
É um facto que os golpes de estado vão rareando, porém é evidente que o pluripartidarismo não está a ser solução. É parte do problema. As autonomias culturais e étnicas, no real sentido do seu significado, talvez sejam parte da solução.
O que acontece de facto é que há um fosso em crescendo entre o poder e as populações.
Perdeu-se a fé nos dirigentes, capazes de resolverem os seus “problemas”, mas incapazes de satisfazer as necessidades de um povo descrente.
As relações actuais, com os ex-colonizadores e os Outros ( 0s novos colonizadores”, os africanos, estão num plano de subalternidade e, nalguns casos, de quase absoluta dependência. O endividamento externo cresce ao ritmo da miséria das populações. Muitos deles encontram a solução “fugindo” em embarcações e jangadas na procura do “el-dorado” europeu e, conforme os relatos que nos vão chegando, em muitos casos encontram a morte no caminho.
Mas, tudo tem solução, os africanos encontrarão um dia o seu caminho. E, tal como grandes impérios, por mais poderosos que foram ou são, tiveram ou terão o seu fim de ciclo.África também chegará ao fim do seu pesadelo.

ARFER 2005

Portugal em África  / Moçambique
A colonização africana, levada a cabo pelos portugueses, foi um processo relativamente lento. Depois das campanhas do Norte de África, em meados do séc. XV, dão-se início às viagens exploratórias da Costa Ocidental Africana. Assim vão-se estabelecendo feitorias ao longo da orla marítima da Costa Ocidental de Africa e construindo algumas fortificações militares, como o Castelo da mina no Golfo da Guiné, que mais tarde serviria como bases de apoio ao “ caminho marítimo para a Índia”, cujo objectivo se atingiu em 1498.
Durante séculos a relação com esses povos africanos, baseava-se no comércio e na evangelização, umas vezes de forma pacífica e outras de forma violenta.
Com a colonização das Américas, houve incursões ao interior, principalmente na Costa Ocidental, tendo em vista o recrutamento de braços de trabalho baratos, ou ainda a captura de indígenas com destino ao comércio de escravos, na maior parte das vezes fornecidos por chefes tribais, a troco de quase nada.
Porém, na costa Leste, a do Indico, que vou contextualizar neste trabalho, onde a perniciosa influência dos Europeus, se fez sentir, nos povos que lá viviam, no limiar do séc. XVI, quando a 2ª Armada Portuguesa, a caminho da Índia, por lá passou.
Antes, porém, sempre houve contactos com outros povos, árabes, africanos e asiáticos, principalmente chineses.
Escritos árabes do Sec. X, confirmam a existência de contactos comerciais com os povos do extremo sul do canal de Moçambique, designado por “Bilad as Sofala”.
Segundo relatos árabes e chineses, armadas constituídas de grandes barcos vindos do Império Chinês faziam comércio regular com as prósperas cidades da Costa Oriental de Africa. É, contudo, no período MING que atingem maior intensidade, em fins do Sec. XIV e durante quase todo o Sec. XV. Só três séculos depois os europeus construiriam navios de tal tamanho.
Por razões que são do foro da história chinesa e não da história africana, em fins do Sec.XV o então imperador chinês ordenou o encerramento de todos os estaleiros e a destruição de todos os barcos, mandando prender todos os marinheiros que neles navegassem.
Daí que a presença dos quatro pequenos navios, num porto que devia ter sido Quelimane, não causassem espanto, já que navios bem maiores os tinham visitado. O que acharam notável, foi terem vindo do Sul.
Passaram Kilwa e Mombaça, cidade grande e rica, de casas brancas, tão grande quanto Lisboa. De Kilwa escreve Duarte Barbosa em 1501 “ Kilwa é uma cidade mourisca com muitas e belas casas de pedra e cal, com muitas janelas à nossa moda, muito bem ordenadas as ruas.” Três séculos depois um poeta Swahili escrevia “ os nichos onde se ostentavam porcelanas, criam agora uns filhotes, as aves bravias.”
Depois destas visitas, Vasco da Gama encontra em Melinde um piloto que levará os portugueses até à Índia (Calecute).
Na 2ª viagem (1502), Vasco da Gama, desta vez com uma esquadra de mais de 20 navios, impõem que seja pago um tributo anual, em oiro, ao Rei de Portugal e obediência futura. Não vendo cumprida a sua ordem e encontrado resistência, ataca Kilwa, Mombaça, Zeila e Brava. Conta Duarte Barbosa:-“ Os portugueses destruíram tudo, chacinando grande parte da população e levando alguns cativos..”. Noutro documento, uma carta do Rei de Mombaça ao Rei de Melinde , ao voltar à cidade..”Nem uma coisa viva, homem ou mulher, velho ou novo, nem sequer uma criança por mais pequena. Todos os que não tinham conseguido fugir a tempo, tinham sido mortos ou queimados.”
Duzentos anos passados, nos Séculos XVII a XIX, a Europa tinha evoluído na Indústria, no Comércio e na Ciência, a Africa não só não evoluiu em paralelo, como voltou atrás no tempo.
O tráfico de escravos atingiu uma escala tal, que se tornou degradante. Era necessário propagandear que o escravo preto era sub-humano, selvagem e desenraizado. Os estuários do Limpopo, do Rovuma e do Zambeze passaram a ser porto de embarque de escravos, com destinos vários, em vez de bens de uso e consumo. Moçambique passou a ser território fornecedor de escravos para  as colónias inglesas, francesas e para o Brasil, em menor escala.
Até que,  em fins do Sec. XIX, a Europa industrializada decidiu retalhar o Continente Africano, segundo os seus interesses. A Portugal coube o território (com fronteiras definidas) que é hoje Moçambique.

ARFER / 2005