quinta-feira, 4 de Fevereiro de 2010












Bah!
Tão ao gosto próprio,
não foi além da circuncisão,
é julgador de causas próprias
amarelecidas e/ou descoradas
que se espalham no seu chão.
Querendo arrebitar o cenho
leva demais o empenho
de emperrada a carabina,
mas o estampido sai na mesma.
Por detrás?
Não se sabe, não se sabe,
adivinha-se a escorregadela
com a procura da salvação
em época de oração crispada
ergue ao ar as mãos postas
que melhor estariam nas costas
a perceber o que tinha acontecido
pois o alarido foi tal
que para igual só teria sentido
algum molho, brrrr, fosse detectado.
A secura não é estado virgem
propaga-se como fogo às idéias,
topa-se!
O refinamento também é finamento,
para liofilizado alimento,
que se faz parecer resultado
mas não é.
Antes uma ladaínha de esconjuração
aos julgados males próprios,
que tolhem e fazem arrepios
em vez de sonhos pios,
descansados cheios de cifrões
apesar de ultrapassados
como escreve ou como diz
só para inglês ver.
Eles andam por aí!

De João Viegas dos Santos
Bem Haja JOÂO – Um abraço amigo

domingo, 24 de Janeiro de 2010



















NÓS

Sabes, amigo,
a vontade de fazer
é a razão primeira da nossa forma de estar;

Contigo, fizemos um plano crescer e,
à nossa maneira,
quisemo-lo “com pernas para andar”

E foi também contigo
que assumimos o tanto por fazer!

Acredita
que é a pensar em ti
(naturalmente com limitações)
que continuamos por aqui
tentando acertar nas decisões
assumindo erros, tristezas
e quantas frustrações…

Mas crê também, amigo,
que não basta o querer,
que o “mais” não é bastante
que “melhor” não é suficiente;

Contar contigo
é que é importante.
Juntos,
vamos fazer diferente

E Vai valer a pena ir por diante.



Fernando Tavares Marques

sexta-feira, 22 de Janeiro de 2010


Os Poderes e a Cultura


Os poderes, políticos, religiosos ou outros, podem, de forma intencional e em função dos interesses que os movem influenciar e evolução, fruição ou divulgação da Cultura, mas em caso algum a podem, globalmente, controlar.
Os problemas na área da política cultural são múltiplos, complexos e diversificados.
A Cultura e o Poder, sendo dois pilares da organização das sociedades, que emergem do tecido social e, consequentemente, a orientação das politicas são, de grosso modo, o reflexo do poder instituído.
A Cultura é um modo de vida e é a expressão do sentir, do pensar e do agir de um povo, tal qual a politica. O fazer e o agir intencionalmente ou não, são actos políticos ou culturais, são constante da vida.
Sendo que as politicas Culturais do Poder central devam ser, na sua essência um garante de regulação da pluralidade, da cidadania activa e da liberdade criativa, assente basicamente no princípio da democratização da cultura, conforme O INSTITUIDO CONSTITUCIONALMENTE.
Os Poderes autárquicos diferem quanto à forma e os objectivos no desenvolvimento das suas politicas culturais e moldes de gestão que lhes são inerentes no que concerne ao interesse concelhio e, também, quanto ao património material e imaterial que lhes são afectos, ainda que dentro dos parâmetros ditados pela Lei geral e do direito constitucional.
Desde 1974, a sociedade portuguesa, sofreu profundas alterações, relativamente ao Monolitismo partidário de quarenta e oito anos, de ditadura. O Polipartidarismo veio assegurar a representatividade da globalidade dos sectores de opinião. A Liberdade de expressão e o fim da censura permitiram a livre circulação dos bens culturais, tais como livros, filmes, ideias, teatro livre de censura e uma representatividade alargada, exponencialmente, ao usufruto dos bens culturais.
Nos primeiros anos de livre poder autárquico, ainda que sem uma linha programática pré-definida, a força e a criatividade que a liberdade produz, deu origem a múltiplas iniciativas de âmbito cultural.
As autarquias em parceria com o movimento associativo e a comunidade escolar, têm desenvolvido, após o 25 de Abril, projectos de cariz cultural multifacetado e interculturais, face ao facto de Portugal que, ao longo de décadas foi um pais de emigrantes, se tornar, com fim da ditadura e da guerra colonial e depois de “ orgulhosamente sós”, num espaço geográfico que recebeu centenas de milhar de regressados das ex-colónias e de exilados emigrantes (fugidos à guerra e a ditadura).
Nos anos oitenta deu-se uma inversão, de emigrantes, passámos a ser um país acolhedor e atractivo para centenas de milhar de imigrantes dos quatro cantos do mundo, da Ásia, Africa, América do Sul e Europeus (principalmente do Leste da Europa), com raízes culturais, comportamentos sociais religiosos, bem diferenciados.
Como se depreende, um facto histórico pode ser causa, em determinado momento, de ruptura com algumas tradições e ser “explosão” de criatividade artística e de produção cultural. Como exemplo disso são a Revolução Francesa (século XVIII), a Revolução Industrial (séc. XIX) e a revolução Russa de 1917 (séc. XX), que deram origem, a seu tempo, de uma evolução artística e de divulgação cultural, sem precedentes, influenciadores de politicas sócio - culturais, de tal modo, que muitos Estados se viram na necessidade de legislar no sentido de proteger, apoiar e adequar, nalguns casos, a produção de arte e divulgação cultural em função dos seus objectivos políticos.
Os novos conhecimentos, novas tecnologias, produtos da revolução foram factores determinantes de uma evolução sócio-económica. A rádio, a fotografia, o cinema, a televisão e mais recentemente a comunicação da era digital, são hoje elementos fundamentais ao serviço da democratização da cultura, na sua divulgação e fruição, se utilizados com justa imparcialidade.
Se os Nacionalismos exacerbados e os Poderes ditatoriais e monolíticos foram e são entrave ao desenvolvimento da produção cultural, nos tempos de hoje, só uma “cultura contextualizada” pode restituir o homem a si mesmo. Assim a Cultura será julgada pela sua capacidade de realizar o homem no mundo e com os outros, pois ela não é senão aquilo que, é criado pelo Homem. A cultura é a via para a globalização de Humanidades, promotora de uma “nova” ética de compressão, tolerância e fraternidade entre os homens. Não há culturas maiores ou menores, superiores ou inferiores, mas apenas diferentes, sejam populares ou ditas eruditas que, de facto, tiveram origem popular, tais com o Canto, a Musica, o Teatro, tudo tem origem nas bases, incluindo a formação de riqueza.

ARFER

terça-feira, 12 de Janeiro de 2010



















O Apregoar da Cidade


Na Lisboa de outro tempo
Ecoavam os pregões
Eram sons com sentimento
Que eram como poemas
Transmitidos em canções.
Vendedeiras, vendedores
Pelas ruas da cidade
Iam espalhando seus cantos
Que recordo com saudade.
O cauteleiro, a varina
A mulher da fava rica
No beco, na rua ou na praça
Iam deixando os seus cantos
De Alfama até à Graça.
Era o homem das castanhas
Que perfumava a cidade
No Outono, ao fim da tarde.
E um POVO que sonhava
Apregoar LIBERDADE.
A LIBERDADE que um dia
O mês de Abril viu chegar
Aquela que o POVO queria
E que tanto o fez sonhar
E que em MAIO no primeiro dia
O trouxe à rua a CANTAR.


ARFER














O CANDEEIRO e a LUZ


A luz branca que contem todas as côres
Que o disco de NEWTON me mostrou
ilumina a escuridão dos medos e nos dá esperança
Dá energia a quem das lutas se cansou.
Seja a do SOL que dá vida e cor às flores
Ou da Estrela Polar que orienta os marinheiros.
Sem ela não havia poetas nem escritores
Se não tivessem a luz do Sol ou de meros candeeiros.
Mas este candeeiro tem uma história.
Encontrei-o moribundo na sucata, quase acabado.
Ferrugento, semi-partido e maltratado.
Sempre que o vejo fico feliz pelo achado
porque me trouxe um sentimento de vitória,
Enquanto houver em nós a luz da esperança
A "Luz" que que alimenta o nosso querer
o buscar ao canto mais recondito da memória
Onde vivem a lutas havidas,no ganhar e no perder.
Se é no perder que se aprende a ganhar
Então na essência da vida Ninguem está acabado
E a todo o tempo,em nós, há Luz de esperança a renascer.

ARFER
CAMINHOS DO FUTURO


Na Rua do “Silêncio”, entre olhares,
gestos de afecto e ternura, fomos crescendo.
Havia em nós um forte desejo de mudar.
Em frente, na Travessa da “Espera”,
onde morava a dona Prudência,
que nos disse para irmos devagar,
com cuidados e muita paciência.
Lá fomos de mão dada caminhando,
Na procura do futuro que era nosso.
Encontrámos outra Rua, era a da “Esperança”.
Ali havia claridade e muitas côres,
Nas varandas e portais, múltiplas flores.
rostos risonhos, que foram alimento dos nossos sonhos.
Passando ao largo da Rua da “Saudade”, num muro,
estavam escritos os caminhos do futuro.
Lá fomos abraçados, rua acima e
vimos uma praça com flores de verdade.
As pessoas entoavam canções e sorriam.
Estávamos na Praça da “Liberdade”.
E logo outra Avenida que tinha o mesmo nome,
Onde vimos tanta gente feliz, mais mil.
Então perguntei: - “Que dia é hoje??”
Então milhares de vozes responderam:
“É VINTE E CINCO DE ABRIL”!!

ARFER!












PENSANDO NO TEMPO


Pensando no TEMPO…
Mas que Tempo???
Que espaço, que volume,
Que distância tem o Tempo?
Alguém sabe quanto Tempo tem o Tempo?
O Tempo passa, o Tempo voa, o Tempo tarda.
Não há tempo para pensar no Tempo,
nem sentir a importância do Tempo
em cada um de nós.
Se todos temos um Tempo diferente,
e temos dele uma noção desigual.
Se na espera o tempo se prolonga
e nos bons momentos é lesto.
Se a vida é intensa o Tempo é curto.
Afinal o que é o Tempo,
Senão o parecer dos nossos sentidos.
O Tempo é uma estrada, onde a
Velocidade é variável.
É o princípio e o fim,
Onde o presente e o passado
Se confundem com o futuro.
Contudo o Tempo existe,
Tem uma dimensão uniforme e variável,
Tal qual a Identidade de cada Homem.

ARFER….