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sábado, 26 de março de 2011

NANCY VIEIRA- DIA DA MULHER CABOVERDIANA

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27 DE MARÇO - dia em que se comemora o dia da mulher cabo-verdiana e os 29 anos da OMCV - Organização das MULHERES de Cabo Verde.

Mudjer é expreçom
Mudjer é kuraçom
Mudjer é harmonia
Mudjer é alegria

Mudjer é multiplikaçom di verdadi
Mudjer é soma di amizadi
Mudjer é morabeza saltianti
Mudjer é beleza di frenti
Mudjer é futuru Prisenti

27 DE MARÇO – DIA DA MULHER CABOVERDIANA.

MULHER de um PAÍS onde do quase nada se faz quase tudo e da DIÁSPORA que suplanta quantitativamente os que lá vivem.
MULHER MÃE, MULHER DE TRABALHO, MULHER QUE EDUCA, MULHER DE LUTA, MULHER SUSTENTÁTUCULO DO FUTURO DO PAÍS, que foi e é ponto de encontro de muitas culturas, ele próprio detentor de uma imensa cultura, eivada de multiculturalidade.
Na paz e MORABEZA fica a SODADE que a mulher traz consigo e que, esteja onde estiver, espalha o perfume desse berço de dez pérolas do Atlântico.
Deixo um POEMA de AMÍLCAR CABRAL, palavras de uma HOMEM, dedicado à mulher da terra que tanto amou.

ARFER

ROSA NEGRA
Rosa,
Chamam-te Rosa, minha preta formosa
E na tua negrura
Teus dentes se mostram sorrindo.

Teu corpo baloiça, caminhas dançando,
Minha preta formosa, lasciva e ridente
Vais cheia de vida, vais cheia de esperanças
Em teu corpo correndo a seiva da vida
Tuas carnes gritando
E teus lábios sorrindo...

Mas temo tua sorte na vida que vives,
Na vida que temos...
Amanhã terás filhos, minha preta formosa
E varizes nas pernas e dores no corpo;
Minha preta formosa já não serás Rosa,
Serás uma negra sem vida e sofrente
Ser’as uma negra
E eu temo a tua sorte!

Minha preta formosa não temo a tua sorte,
Que a vida que vives não tarda findar...
Minha preta formosa, amanhã terás filhos
Mas também amanhã...
... amanhã terás vida!

AMILCAR CABRAL

Que todas as Mulheres e Homens de CABO VERDE se sintam iguais e lutem por isso.
ARFER

segunda-feira, 21 de março de 2011

A FLORESTA * A POESIA * A AGUA * A IGUALDADE


                                                           DIAS 21 e 22 de MARÇO


Dias plenos de crer e intensidade

Onde tudo se relaciona, porque na verdade

Se todos entendessem o seu significado,

Bem seria para toda a humanidade.



ALGUMAS INTERROGAÇÕES:

- Serão as desigualdades fruto da injustiça ou é a injustiça fruto das desigualdades?

- Será que a liberdade é possível havendo fome? Para onde caminha o planeta azul que até podia ser vermelho se o planeta Marte não tivesse já esse cognome?

O que pensamos nós, se sabemos que:

Muito poucos poluem o que muitos limpam. Uns, poucos, sacodem as migalhas da mesa farta e com esses restos muitos outros enganam a fome. Uns, poucos, arrasam florestas e muitos outros fazem campanhas para as plantar. Muito poucos são donos de terras por cultivar e muitos camponeses morrem por as querer trabalhar. Por fim, porque hoje é o dia Mundial da ÁGUA lembro: Muito poucos poluem a atmosfera, os rios, as ribeiras, os lençóis aquíferos e ainda outros enchem piscinas diariamente, enquanto outros vivem (ou sobrevivem) com dois litros de água por dia.



DIA VINTE E UM : É o dia que assinalou o chegar da Primavera (no hemisfério norte do planeta Terra), o renascer dos campos floridos e, já agora, que seja também o reavivar das memórias e nos traga um sentimento de esperança de um Mundo mais fraterno. É, também, o DIA MUNDIAL DA FLORESTA, que tem como objectivo lembrar e sensibilizar os cidadãos de todo o Mundo para a importância que a sua preservação tem para a manutenção da VIDA no planeta Terra, palco da humanidade. Palco onde cada um de nós é um actor, de uma peça continuada, desempenhando papéis diferenciados das obras de muitos autores. Foi o DIA MUNDIAL DO TEATRO, um dia de todos nós, que participamos em dramas, tragédias e comédias no dia a dia das nossas vidas.

É, também, o DIA INTERNACIONAL CONTRA A DESCRIMINAÇÃO RACIAL, instituído pela ONU, que marca a data trágica de um massacre havido na África do Sul em 21 de Março de 1960. Não gosto de abordar o tema quanto ao facto, à data ou à cor da pele, porque qualquer dia, dos 365 ou 366 do ano, podia exigir este avivar da memória. Ao longo da história da humanidade povos de todas as raças e credos foram sujeitos à escravatura, à descriminação social e racial, por isso desejo que todos os dias sejam dias de todas as causas e evocações.

E porque a poesia marcou o DIA fica uma pequena quadra, sem rima. – quatro versos apenas:



Ao chegar a Primavera , cuidámos da Floresta.

É dia da Poesia e do Teatro, por isso, dia festivo.

Da igualdade entre os povos de cor e credos diferentes.

Pois da vontade do outro, nenhum de nós é cativo.



HOJE 22 DE MARÇO - Data em que a ONU determinou que fosse o dia MUNDIAL DA ÀGUA (o tema deste ano é a água para as cidades), o bem mais precioso, sem ele não haveria dias da poesia, do teatro, da árvore, nem carnavais ou Natais, simplesmente não haveria VIDA, tal como a conhecemos, ficam as imagens da poluição e da seca, para que todos não esqueçam que o BEM MAIS VALIOSO DE TODOS OS BENS É A ÁGUA.

ARFER

21 DE MARÇO – DIA MUNDIAL DA POESIA

Neste dia, em todo o Mundo haverá tertúlias, récitas e encontros, falar-se-á de poesia, dos grandes poetas, relegando a poesia popular para segundo plano.

No espaço da lusofonia há e sempre houve grandes poetas, com obras de rara dimensão, como: os portugueses - Luiz Vaz de Camões, Cesário Verde, Fernando Pessoa - Os brasileiros Drumond de Andrade, Vinicius de Moraes e Castro Alves, de Moçambique José Craveirinha, de Angola Agostinho Neto e de Cabo Verde (Terra de tantos poetas) Amílcar Cabral e Eugénio Tavares. Estes são alguns de grandes poetas de língua portuguesa. Mas hoje quero lembrar ANTÓNIO ALEIXO, UM POETA POPULAR, cauteleiro e pastor de rebanhos, cantor popular de feira em feira, pelas redondezas de Loulé ( Algarve - Portugal )que é um caso singular, bem digno de atenção de quantos se interessam pela poesia. Para reflexão faço uma postagem de algumas quadras da obra “ESTE LIVRO QUE VOS DEIXO”, em parte improvisações registadas, carregadas de sensibilidade, experiência de vida e análise profunda. O SENTIR DO POVO.



ARFER

QUADRAS SOLTAS


Que importa perder a vida

Em luta contra a traição,

Se a Razão mesmo vencida,

Não deixa de ser Razão


Embora os meus olhos sejam,

Os mais pequenos do Mundo

O que importa é que eles vejam

O que os homens são no fundo


Da guerra os grandes culpados

Que espalham a dor da terra,

São os menos acusados

Como culpados da guerra.


Não sou esperto nem bruto

Nem bem nem mal educado;

Sou simplesmente o produto

Do meio em que fui criado.

ANTONIO ALEIXO

A POESIA É ISTO. É SÍNTESE, É RELATO, É OPINIÃO, É SENTIMENTO. MESMO QUE DISTANCIADA TEMPORALMENTE, É SEMPRE ACTUAL.


Ao desconcerto do Mundo

Os bons vi sempre passar

No Mundo grandes tormentos;

E pera mais me espantar,

Os maus vi sempre nadar

Em mar de contentamentos.

Cuidando alcançar assim

O bem tão mal ordenado,

Fui mau, mas fui castigado:

Assim que, só pera mim,

Anda o Mundo concertado.


LUÍS VAZ DE CAMÕES


A POESIA

Poesia brota do nada e traz tudo

Não se constrói, nem se arquitecta.

Para a criar, não é preciso ter“canudo”

É do sentir de cada um, não se projecta.



É como semente que se torna raiz.

Tronco ou folhagem

E o fruto é cada verso, com ou sem rima.

É o sentir que a palavra tem e o que nos diz.

É a teia que o poeta tece e que assina.

Uns poemas trazem mensagem, outros não.

Outros falam de lutas, vidas e amor.

Outros, ainda, de mitos, dor ou ilusão

De sonhos, liberdade, campos em flor.

Dos cravos, das rosas, das papoilas

De tanta coisa falam, mas também

Das formas belas e suaves das moçoilas

Que nos “levam” nos sonhos para o além.

Ainda que alguns, sejam plenos de fantasias,

Trazem-nos a esperança nas palavras e

Doses imensas de alegrias

ARFER

E por achar curioso e relacionado com a LIBERDADE (igualdade de direitos e deveres), é dia de EQUINÓCIO (do latim aequinoctiu = aequus, igual + nox, noite) em que o DIA é igual à noite e este é um ano em que a LUA está tão próxima da TERRA que só daqui a 18 anos repetirá essa “viagem de aproximação, resta-me o sonho, a vontade, utopia ou não de que nessa altura a igualdade seja uma conquista (consumada) de todos os povos.

ARFER

segunda-feira, 7 de março de 2011

À MULHER ANÓNIMA



Á
Mulher anónima, mulher mãe.


Universo em si, fonte de vida.


Lutadora, sempre cuidando de alguém.


Havendo em ti a força da verdade,


Ergue-te das brumas que te oprimem,


Reclama o teu direito à igualdade




8 de Março Dia Internacional da Mulher

- Factos da história: -

No dia 8 de Março do ano de 1857, as operárias têxteis de uma fábrica de Nova Iorque entraram em greve, ocupando a fábrica, para reivindicarem a redução de um horário de mais de 16 horas para as 10 horas diárias. Estas operárias recebiam menos de um terço do salário dos homens, foram fechadas na fábrica onde, entretanto, se declarara um incêndio, e cerca de 130 mulheres morreram queimadas. Em 1910, numa conferência internacional de mulheres realizada na Dinamarca, foi decidido, em homenagem àquelas mulheres, comemorar o 8 de Março como "Dia Internacional da Mulher". Em 1977, as Nações Unidas proclamam o dia 8 de Março como o:- Dia Internacional dos Direitos da Mulher e da Paz.



Como era em Portugal, para que a memória não seja curta.


O retrato da mulher durante o Estado Novo

A constituição de 1933, que vigorou até 1974, estabelecia um princípio de falsa igualdade, material e imaterial. A mulher praticamente não tinha direitos. Se se tratasse de uma mulher casada, os direitos eram exercidos pelo chefe de família.

A lei portuguesa designava o marido como chefe de família, donde resultava uma série de incapacidades para a mulher casada, contrariamente à mulher solteira, de maioridade, que era considerada cidadã de plenos direitos, ainda que limitados. A mulher não tinha direito de voto, não tinha possibilidade de exercer nenhum cargo político, e, mesmo em termos da família, a mulher não tinha os mesmos direitos na educação dos filhos.

Nesse tempo, a Lei atribuía à mulher casada uma função específica: o governo doméstico, o que se traduzia pela imposição dos trabalhos domésticos como obrigação. E os poderes especiais do pai e da mãe em relação ao filho resultavam na sobrevalorização do pai e subalternidade da mãe, que, como recomendava a lei, apenas devia ser ouvida.

Outro dos problemas que a mulher enfrentava na altura acontecia nas situações de reconstituição da família. O divórcio era proibido, devido ao acordo estabelecido com a Igreja Católica na Concordata de 1944, pelo que todas as crianças nascidas de uma nova relação, posterior ao primeiro casamento, eram consideradas ilegítimas. E havia duas alternativas no acto do registo: a mulher ou dava à criança o nome do marido anterior ou assumia o estatuto de "mãe incógnita". O que não podia era dar o seu nome e o do marido actual. No que diz respeito à questão profissional, a mulher não tinha direito de acesso a determinados lugares que se considerava que deviam ser ocupados por homens. A magistratura, a diplomacia e a política são apenas alguns dos exemplos de sectores profissionais a que a mulher não podia aceder.

A Mulher era sujeita a restrições sociais impeditivas da sua liberdade de escolha, as casadas não podiam mexer na sua propriedade, as enfermeiras não podiam casar, uma professora só podia casar com um homem que tivesse um vencimento e estatuto superior ao seu, tinham que pedir autorização para casar, autorização que seria publicada em Diário da República.

Uma mulher casada não podia ir para o estrangeiro e trabalhar onde bem entendesse sem autorização do marido. O marido podia chegar a uma empresa ou estabelecimento público e dizer: eu não autorizo a minha esposa a trabalhar. E ela tinha que vir embora, tinha que ser despedida"

E por último, a violência doméstica era votada às “malvas” considerada tabu como sendo normalidade na vivência das famílias. ANORMALIDADES DE OUTROS TEMPOS.

Infelizmente (por enquanto) em muitas sociedades deste Planeta Azul, os direitos da mulher não estão globalizados, pelo que lutar pela paridade de direitos e deveres seja um propósito e um dever de cidadania de todos e para todos.

ARFER