Translate

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Demasiado tarde

Amo-te muito, pai! É tão estranho

Que me apareça agora na memória

As palavras que nunca te disse, pai.

Essa espécie de distância, mas tão perto,

Não me dava alento e à-vontade

Para te dizer palavras tão simples

E que estiveram vezes sem conta

Entaladas entre o coração e a boca.

E não me lembro de tas ter dito, pai.



Pior do que isso, pai,

É sentir não to ter demonstrado

Com a força suficiente

Para que tu acreditasses.



O facto de me teres ensinado a tratar-te por você

Parece ter criado uma barreira intransponível

Que eu não soube compreender

Ser apenas uma forma de respeito mútuo

E que não devia esconder-me atrás dele

Para dizer-te mil vezes como te amava.



Julgava que esse não era muito o teu estilo.



Hoje, tenho a certeza que errei.

E como tu precisavas que eu to tivesse dito.



Desculpa, pai.



Ofereço-te as palavras da minha punição tardia:



“O esquecido beijo, enquanto vivo,

Não mo venhas dar depois de morto.”



E tenho medo, pai, um medo enorme

Que os meus filhos me possam fazer o mesmo.



É que a história, às vezes, repete-se ...



Fernando Tavares Marques