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terça-feira, 30 de outubro de 2012

CULTURA E O PODER


























Os Poderes e a Cultura e o Poder da Cultura


Os poderes, políticos, religiosos ou outros, podem, de forma intencional e em função dos interesses que os movem influenciar e evolução, fruição ou divulgação da Cultura, mas em caso algum a podem, globalmente, controlar.
Os problemas na área da política cultural são múltiplos, complexos e diversificados, mas provavelmente de simples resolução para um governo para quem o património cultural (material e imaterial) nem sequer exige ministro, cabendo ao gabinete de um secretário a má distribuição das “migalhas” orçamentadas para a CULTURA que apesar de “miseráveis” em 2012, consta que no Orçamento Geral do Estado português para 2013 serão reduzidas para metade. Pretenderão o regresso ao obscurantismo do passado? Talvez não, depende da dita e da resistência da contradita.
A Cultura e o Poder, sendo dois pilares da organização das sociedades, que emergem do tecido social e, consequentemente, a orientação das politicas são, de grosso modo, o reflexo do poder instituído.
A Cultura é um modo de vida, é a expressão do sentir, do pensar e do agir de um povo, tal qual a política. O fazer e o agir intencionalmente ou não, são atos políticos ou culturais, são uma constante da vida.
Sendo que as politicas Culturais do Poder central devam ser, na sua essência, um garante de regulação da pluralidade, da cidadania ativa e da liberdade criativa, assente basicamente no princípio da democratização da cultura, conforme O INSTITUIDO CONSTITUCIONALMENTE que o governo de Portugal não cumpre e com base num falso pretexto (a crise financeira por outros criada), relega a CULTURA para o fim da tabela das prioridades.
A LIBERDADE é sinónimo de criatividade cultural e potenciadora da divulgação do SABER e do conhecimento, o que torna um POVO mais atento à defesa do seu património cultural, material ou imaterial.
Tal como as relações humanas, pela sua complexidade, definir Cultura, sendo um tema aparentemente fácil, torna-se difícil, porque Ela é vida, são sentimentos, modo de estar do HOMEM como criador e produtor cultural.
Os Poderes autárquicos diferem quanto à forma e os objetivos no desenvolvimento das suas políticas culturais e moldes de gestão que lhes são inerentes no que concerne ao interesse concelhio e, também, quanto ao património material e imaterial que lhes são afetos, ainda que dentro dos parâmetros ditados pela Lei geral e do direito constitucional.
Desde 1974, a sociedade portuguesa, sofreu profundas alterações, relativamente ao Monolitismo partidário de quarenta e oito anos, de ditadura. O polipartidarismo veio assegurar a representatividade da globalidade dos sectores de opinião. A Liberdade de expressão e o fim da censura permitiram a livre circulação dos bens culturais, tais como livros, filmes, ideias, teatro livre de censura e uma representatividade alargada, exponencialmente, ao usufruto dos bens culturais.
Nos primeiros anos de livre poder autárquico, ainda que sem uma linha programática pré-definida, a força e a criatividade que a liberdade produz, deu origem a múltiplas iniciativas de âmbito cultural.
As autarquias em parceria com o movimento associativo e a comunidade escolar, têm desenvolvido, após o 25 de Abril, projetos de cariz cultural multifacetado e interculturais, face ao facto de Portugal que, ao longo de décadas, foi um pais de emigrantes, se tornar com fim da ditadura e da guerra colonial, depois de “ orgulhosamente sós”, num espaço geográfico que recebeu centenas de milhar de regressados das ex-colónias e de exilados emigrantes (fugidos à guerra e a ditadura).
Nos anos oitenta deu-se uma inversão, de emigrantes, passámos a ser um país acolhedor e atrativo para centenas de milhar de imigrantes dos quatro cantos do mundo, da Ásia, Africa, América do Sul e Europeus (principalmente do Leste da Europa), com raízes culturais, comportamentos sociais e religiosos, bem diferenciados.
Como se depreende, um facto histórico pode ser causa, em determinado momento, de rutura com algumas tradições e ser “explosão” de criatividade artística e de produção cultural. Como exemplo disso são a Revolução Francesa (século XVIII), a Revolução Industrial (séc. XIX) e a revolução Russa de 1917 (séc. XX), que deram origem, a seu tempo, de uma evolução artística e de divulgação cultural, sem precedentes, influenciadores de politicas sócio - culturais, de tal modo, que muitos Estados se viram na necessidade de legislar no sentido de proteger, apoiar e adequar, nalguns casos, a produção de arte e divulgação cultural em função dos seus objetivos políticos.
Os novos conhecimentos, novas tecnologias, produtos da revolução foram fatores determinantes de uma evolução sócio económica. A rádio, a fotografia, o cinema, a televisão e mais recentemente a comunicação da era digital, são hoje elementos fundamentais ao serviço da democratização da cultura, na sua divulgação e fruição, se utilizados com justa imparcialidade.
Se os Nacionalismos exacerbados e os Poderes ditatoriais e monolíticos foram e são entrave ao desenvolvimento da produção cultural, nos tempos de hoje, só uma “cultura contextualizada” pode restituir o homem a si mesmo. Assim a Cultura será julgada pela sua capacidade de realizar o homem no mundo e com os outros, pois ela não é senão aquilo que, é criado pelo Homem. A cultura é a via para a globalização de Humanidades, promotora de uma “nova” ética de compressão, tolerância e fraternidade entre os homens. Não há culturas maiores ou menores, superiores ou inferiores, mas apenas diferentes, sejam populares ou ditas eruditas que, de facto, tiveram origem popular, tais com o Canto, a Musica, o Teatro, tudo tem origem nas bases, sendo o principal fator na formação da riqueza do SER e a fundamentação das raízes do PERTENCER.
Por isso, face ao que nos é dado a entender, é da responsabilidade de todos os cidadãos amantes da sua CULTURA, marca identitária que define o seu sentimento de PERTENÇA, uma tomada de posição contra todos os tipos de austeridade que ameaçam os seus direitos e os que visem, subtil e disfarçadamente, a mercantilização e consequente elitização da CULTURA.
Pelos princípios que estão consignados no “MANIFESTO EM DEFESA DA CULTURA” lanço um apelo a todos os cidadãos, trabalhadores da cultura e das artes, a todas as estruturas de criação e produção culturais que partilham e lutam por estes objetivos, que se unam nesta luta que é todos e por todos.
O SABER E A CULTURA SÃO SINÓNIMO DE LIBERDADE E O ANTÍDOTO MAIS EFICAZ CONTRA OS APRENDIZES DA DITA.
ARFER