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sexta-feira, 19 de março de 2010





Morreu em 1984, mas está entre nós. Recordar JOSÉ CARLOS ARY DOS SANTOS é, hoje e sempre, um acto de gratidão colectiva e de decência intelectual. Foi aliado dos sem emprego, dos sem casa, dos sem justiça, dos sem liberdade. Foi um POETA DE CORPO INTEIRO.
A sua obra é o seu bilhete de identidade, reveladora do seu carácter, do sentimento que tinha do povo que amava, não só o seu mas o de todo o povo amante da Liberdade.
Podem encontrar na NET grande parte da sua obra, pesquisem e encontrarão um sopro de LIBERDADE-


SONETO DO TRABALHO

Das prensas dos martelos das bigornas
das foices dos arados das charruas
das alfaias dos cascos das dornas
é que nasce a canção que anda nas ruas.

Um povo não é livre em águas mornas
não se abre a liberdade com gazuas
á força do teu braço é que transformas
as fábricas e as terras que são tuas
-
Abre os olhos e vê. Sê vigilante
a reacção não passará diante
do teu punho fechado contra o medo.

Levanta-te meu povo. Não é tarde.
Agora é que o mar canta é que o sol arde
pois quando o povo acorda é sempre cedo.

Em nome da universalidade dos seus ideais, aqui vai um pequeno excerto do seu poema: -

HOMENAGEM AO POVO DO CHILE
…“Nas suas almas abertas
traziam o sol da esperança
e nas duas mãos desertas
uma pátria ainda criança
Gritavam Neruda Allende
davam vivas ao Partido
que é a chama que se acende
no Povo jamais vencido
– o Povo nunca se rende
mesmo quando morre unido

Foram não sei quantos mil
operários trabalhadores
mulheres ardinas pedreiros
jovens poetas cantores
camponeses e mineiros
foram não sei quantos mil
que tombaram pelo Chile
morrendo de corpo inteiro.”